ADAIL BARRETO CAVALCANTI

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Nome: BARRETO, Adail
Nome Completo: ADAIL BARRETO CAVALCANTI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BARRETO, ADAIL

BARRETO, Adail

*dep. fed. CE 1951-1964.

 

Adail Barreto Cavalcanti nasceu em Iguati (CE) no dia 13 de julho de 1914, filho de Júlio Cavalcanti e de Júlia Barreto Cavalcanti.

Fez seus primeiros estudos no Liceu do Ceará e no Instituto São Luís. Ingressando na Faculdade de Direito do Ceará, tornou-se um dos líderes do Centro Estudantil Cearense e bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais no ano de 1938.

Delegado de investigações e capturas da polícia de seu estado, em 1945 filiou-se à União Democrática Nacional (UDN) durante o processo de redemocratização do país que marcou o fim do Estado Novo. Em janeiro de 1947 elegeu-se deputado à Assembléia Constituinte cearense. Participou dos trabalhos de elaboração da nova Carta, e, depois de sua promulgação, em junho do mesmo ano, teve seu mandato prorrogado até janeiro de 1951.

No pleito de outubro de 1950 elegeu-se deputado federal pelo Ceará na legenda da UDN, iniciando seu novo mandato em fevereiro do ano seguinte. Reelegeu-se em outubro de 1954, e, durante a legislatura iniciada em fevereiro de 1955, filiou-se à Liga de Emancipação Nacional (LEN), sociedade civil organizada em abril de 1954 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, para defender as liberdades democráticas e lutar pelo desenvolvimento econômico independente do Brasil. Em junho de 1956, a LEN foi fechada pelo presidente Juscelino Kubitschek, acusada de infiltração comunista.

Adail Barreto integrou também a Frente Parlamentar Nacionalista, formada em 1956 por deputados da UDN, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Social Democrático (PSD) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Atuante na Câmara, a frente dispunha-se a defender uma plataforma nacionalista, condenando a intervenção do capital estrangeiro na economia nacional, sobretudo no setor energético, e a remessa de lucros para o exterior.

Em abril de 1957, foi escolhido vice-líder da UDN na Câmara, função que exerceu também no ano seguinte. Participou ainda da Comissão de Orçamento e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) constituída para investigar os efeitos da Instrução nº 113 da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) sobre a economia brasileira.

Reeleito em outubro de 1958, iniciou seu terceiro mandato consecutivo em fevereiro do ano seguinte. Após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961, votou a favor da adoção do sistema parlamentarista, fórmula encontrada pelo Congresso para contornar o veto dos ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart. Ainda em 1961 votou favoravelmente à Emenda Constitucional nº 5, que ampliou a participação dos municípios na arrecadação tributária nacional.

Em declaração prestada ao Correio Brasiliense, afirmou-se favorável ao monopólio estatal do petróleo e à desapropriação dos latifúndios improdutivos para viabilizar uma reforma agrária cooperativista, mas não coletivista. Simpático à formulação de uma lei antitruste como a existente nos EUA, apoiou o projeto regulador da remessa de lucros para o exterior aprovado em 1962. Ainda nessa legislatura, pronunciou-se pelo restabelecimento das relações diplomáticas com a URSS, rompidas desde 1947, e contra as propostas norte-americanas de intervenção em Cuba.

Rompendo com a UDN em 1962, filiou-se ao PTB. Em setembro desse ano, votou a favor da antecipação para janeiro de 1963 do plebiscito que iria determinar a volta ao regime presidencialista. Em outubro seguinte, candidatou-se ao governo do Ceará por coligação formada pelo PTB e pelo Partido Democrata Cristão (PDC), mas foi derrotado por Virgílio Távora, lançado pela UDN, pelo Partido Social Democrático (PSD) e pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN). Nesse mesmo pleito, contudo, reelegeu-se deputado federal pela legenda petebista. Iniciou novo mandato em fevereiro de 1963 e, em abril de 1964, por força do Ato Institucional nº 1, editado no dia 9 pelas forças vitoriosas do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart em 31 de março, teve seu mandato cassado sob acusação de ligação com o “dispositivo comuno-sindical”.

Com a decretação da anistia em 1979 e a restruturação partidária que se seguiu, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), legenda sob a qual candidatou-se a deputado federal pelo Ceará nas eleições de novembro de 1982.

Em plena campanha, faleceu em Fortaleza, às vésperas do pleito, no dia 11 de novembro de 1982.

Era casado com Elza Barreto Cavalcanti.

 

FONTES: CÂM. DEP. Anais (1960); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros (1946-1967); CÂM. DEP. Relação nominal; CAMPOS, Q. Fichário; CISNEIROS, A. Parlamentares; COUTINHO, A. Brasil; Folha de S. Paulo (13/11/82); GIRÃO, R. Ceará; Jornal do Brasil (7/4/74); Liga da Emancipação Nacional; SALES, D. Razões.

 

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