Aécio Ferreira da Cunha

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: CUNHA, Aécio
Nome Completo: Aécio Ferreira da Cunha

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CUNHA, Aécio

* dep. fed. MG 1963-1987.

 

Aécio Ferreira da Cunha nasceu em Teófilo Otoni (MG) no dia 4 de janeiro de 1927, filho de Tristão Ferreira da Cunha e de Júlia Versiani Ferreira da Cunha. Seu pai foi deputado federal por Minas Gerais de 1947 a 1963.

Em 1950 bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em outubro de 1954 elegeu-se deputado estadual em Minas Gerais na legenda do Partido Republicano (PR), sendo reeleito em 1958. Nesse último ano, casou-se com Inês Maria Tolentino Neves, filha de Tancredo Neves que também fora deputado federal por Minas entre 1951 e 1953 e entre 1954 e 1955, ministro da Justiça entre 1953 e 1954.

Em outubro de 1962 foi eleito deputado federal na mesma legenda, deixando a Assembleia em janeiro de 1963 para assumir em fevereiro sua cadeira na Câmara dos Deputados. Também nesse pleito seu sogro obteve uma vaga na Câmara dos Deputados por Minas Gerais, e para a qual seria reeleito sucessivamente até 1974.

Na Câmara, Aécio Cunha, em agosto de 1963, tornou-se vice-líder do bloco parlamentar dos pequenos partidos e em setembro foi escolhido vice-líder do PR. Em abril de 1965 assumiu a liderança do partido. Em 27 de outubro, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instalado no país em 31 de março de 1964. Foi reeleito deputado federal por Minas em novembro de 1966 e novembro de 1970. A partir de 1971 participou da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas da Câmara e em 1973 diplomou-se pela Escola Superior de Guerra (ESG). Em 1975 integrou a Comissão de Orçamento e a Comissão de Minas e Energia.

Reelegeu-se deputado federal em novembro de 1974 e de 1978. Foi primeiro-vice-presidente da Arena em Minas Gerais e, a partir de março de 1979, tornou-se presidente regional do partido. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), que aglutinou os antigos integrantes da Arena.

Nas eleições de novembro de 1982 foi mais uma vez reeleito deputado federal, dessa vez na legenda do PDS. Empossado na Câmara em fevereiro de 1983, foi titular da Comissão de Defesa do Consumidor, da qual já participara na legislatura anterior, em abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento já naquele ano das eleições diretas para presidente da República, suspensas desde a instalação do regime militar em abril de 1964. Constatada a insuficiência de votos para que a emenda fosse submetida à apreciação do Senado, convocou-se o Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985. Contrário à candidatura de Paulo Maluf, Aécio Cunha deixou o PDS e foi integrar a Frente Liberal, dissidência pedessista que, juntamente com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), formou a Aliança Democrática. Divorciado de Inês Maria Tolentino Neves, no Colégio Eleitoral, Aécio Cunha votou em Tancredo Neves, candidato da coligação oposicionista. Tancredo foi eleito presidente, mas não chegou a ser empossado. Muito doente, ele morreu em 21 de abril de 1985. Assumiu a presidência o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde março.

Fundador do Partido da Frente Liberal (PFL), criado em janeiro de 1985, integrou, em novembro de 1986, como candidato a vice-governador de Minas, a chapa da coligação Movimento Democrático Progressista, encabeçada pelo senador Itamar Franco, do Partido Liberal (PL). Além do PFL e do PL, faziam parte da frente, entre outros, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Formada em oposição ao candidato do PMDB, Newton Cardoso que contava com o apoio do governador Hélio Garcia – a coligação não obteve o sucesso esperado e acabou derrotada. Nessa eleição, seu filho, Aécio Neves, foi eleito deputado federal por Minas Gerais na legenda do PMDB.

Em janeiro de 1987, ao concluir seu sexto mandato federal, Cunha deixou a Câmara e, em setembro, teve seu nome indicado para o Tribunal de Contas da União (TCU) pelo presidente da República, José Sarney. Dias antes de tomar posse, duas denúncias levaram-no a recusar o cargo. A primeira foi a denúncia feita por Newton Cardoso atribuindo a Sarney a declaração de que seu filho, Aécio Neves, teria negociado apoio em favor do candidato do PMDB à prefeitura de Belo Horizonte, caso realmente se concretizasse a nomeação de seu pai para o TCU. A outra era o suposto acordo de Aécio Neves e José Sarney que vinha sendo veiculado pela imprensa, no qual Aécio Neves, na Constituinte (1987-1988), teria votado a favor dos cinco anos de mandato para Sarney também em troca da indicação do pai para a vaga no TCU. Dizendo-se decepcionado com Sarney, por ele não desmentir as acusações, Aécio Cunha resolveu não assumir a vaga, decisão inédita na história do Tribunal, composto por cargos vitalícios.

Na presidência de Itamar Franco (1992-1995), foi nomeado presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Posteriormente, integrou ainda o conselho de Furnas Centrais Elétricas e o da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

Faleceu em Belo Horizonte no dia 3 de outubro de 2010.

De seu casamento com Inês Maria Tolentino Neves, teve mais dois filhos além de Aécio Neves, que, além de deputado federal constituinte, elegeu-se sucessivamente deputado federal em 1990, 1994 e 1998, governador de Minas Gerais em 2002 e 2006, e senador por Minas Gerais em 2010.

 

Luís Otávio de Sousa (atualização)

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros.  Repertórios (1975-1979, 1983-1987); CÂM. DEP. Relação nominal; Estado de São Paulo (17/9/88); Globo (19/1/83, 17/9/88, 4/10/10); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (3/3/79, 17/9/88); NÉRI, S. 16; Perfil (1972, 1980); Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76).

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados