ALMEIDA, RUI GOMES DE

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Nome: ALMEIDA, Rui Gomes de
Nome Completo: ALMEIDA, RUI GOMES DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ALMEIDA, RUI GOMES DE

ALMEIDA, Rui Gomes de

*pres. ACRJ 1955-1959, 1961-1965 e 1969-1971.

 

Rui Gomes de Almeida nasceu em Santa Luzia do Carangola, atual Carangola (MG), no dia 17 de agosto de 1910, filho de Aquiles Gomes de Almeida e de Regina Tostes de Almeida. Seu pai foi capitão da Guarda Nacional.

Após terminar os estudos primários em sua cidade natal — seu único curso regular durante toda a vida —, em 1925 veio sozinho para o Rio de Janeiro. Aí trabalhou como furador de sacos de café na firma A. Vilela e Cia. e como office-boy na firma de café Ribeiro Neves, ascendendo em ambas a postos mais altos. Sempre no ramo do comércio de café, viajou pelas cidades produtoras da Zona da Mata, em Minas Gerais.

Em 1942, organizou sua própria firma exportadora de café, a Maciel, Gomes e Cia. Ltda., transformada mais tarde em sociedade anônima. Ainda nesse ano, foi eleito para a diretoria da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), dando início no interior dessa organização a uma atividade que se estenderia por longo tempo. Manteve-se na diretoria da ACRJ até 1946. Durante esse período, segundo depoimento de seu irmão, Aquiles Gomes de Almeida, fez parte do círculo de empresários ligados ao presidente Getúlio Vargas, tendo-lhe servido de conselheiro em vários momentos importantes da vida nacional.

Adquirindo grande prestígio no setor do comércio cafeeiro, Rui Gomes de Almeida tornou-se diretor do Centro de Comércio de Café do Rio de Janeiro. Em 1948, foi eleito presidente da entidade, permanecendo no cargo até 1952. Ainda em 1948, integrou a Comissão Central de Preços como representante do comércio. Entre 1948 e 1949, participou da comissão de comércio e estudos gerais da Missão Abbink. Foi também representante do comércio do café do estado do Rio de Janeiro na junta consultiva do Departamento Nacional do Café.

Em 1949, tornou-se segundo-vice-presidente da ACRJ. Em 1951, liderou um forte movimento de renovação dos quadros dirigentes da associação, que durante quatro períodos consecutivos fora presidida por João Daudt d’Oliveira, empresário estreitamente ligado a Vargas. Nas eleições então realizadas, apoiou a candidatura de Carlos Brandão de Oliveira, de cuja chapa participou, concorrendo à primeira-vice-presidência. João Daudt d’Oliveira retirou-se do pleito, mas seu candidato, Antônio França Filho, foi derrotado.

Em abril de 1952, na qualidade de primeiro-vice-presidente da ACRJ, Rui Gomes de Almeida assumiu interinamente por três meses a presidência da entidade, durante uma viagem de Brandão de Oliveira à Europa. Em junho desse ano, presidiu uma reunião conjunta das associações comerciais do Rio, de São Paulo e de Minas Gerais. Em agosto, reuniu na ACRJ representantes da Federação das Cooperativas de Lãs, da Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul e do Banco do Brasil, conseguindo solucionar o problema do escoamento rápido dos estoques de lã no Rio Grande do Sul, bem como as divergências surgidas entre as cooperativas lanígeras e os produtores a elas não filiados.

 

A presidência da ACRJ

Eleito presidente da ACRJ em maio de 1955 para o biênio 1955-1957, Rui Gomes de Almeida tomou posse em 1º de junho e no dia 22 desse mês recebeu o título de grande benemérito da associação. Ainda no período 1955-1957, exerceu a presidência da Federação das Associações Comerciais do Brasil e da Federação das Câmaras de Comércio Exterior.

Em seu discurso de posse na ACRJ, Rui Gomes de Almeida manifestou a intenção de deslocar da capital federal para outras regiões brasileiras o debate sobre assuntos de interesse comum às classes empresariais através da realização de mesas-redondas nas diversas regiões geoeconômicas do país. Logo em seguida, na X Mesa-Redonda realizada de 1º a 3 de julho de 1955 em São Paulo, o presidente da ACRJ introduziu no temário uma inovação: a abordagem de problemas políticos, justificada segundo o “consenso geral das classes conservadoras” pelas dificuldades geradas pelo clima de instabilidade política. Na mesma ocasião, declarou que as causas da crise brasileira só seriam removidas através da aplicação de um programa objetivo de reformas básicas. Segundo Eudes de Barros, devido à coincidência com a campanha de sucessão presidencial, esse encontro transformou-se, na prática, em uma verdadeira sondagem das idéias de cada um dos candidatos em relação aos problemas econômico-financeiros do país.

Durante a crise político-militar de novembro de 1955, que culminou com o movimento liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, visando assegurar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek, e cuja conseqüência imediata foi o impedimento dos presidentes Carlos Luz, em exercício, e Café Filho, licenciado, a atitude da ACRJ seguiu a linha tradicional de “absoluta neutralidade partidária”.

Após esse episódio, Rui Gomes de Almeida procurou servir de mediador entre as diferentes correntes em que se haviam dividido as forças armadas, entrevistando-se com os militares mais em evidência nesses setores: o general Lott, o brigadeiro Eduardo Gomes e o almirante Edmundo Amorim do Vale. O presidente da ACRJ procurou também o beneplácito da Igreja através do cardeal dom Jaime de Barros Câmara, que o apoiou e dirigiu às altas patentes uma mensagem de pacificação. No dia 23 de novembro, prestou contas perante o conselho diretor da ACRJ de sua “atuação pacificadora”, reafirmando que a atitude das classes conservadoras brasileiras, tentando influir na união das forças armadas, não tinha nenhum caráter político-partidário.

Em 1957, Rui Gomes de Almeida foi reeleito presidente da ACRJ. Ao tomar posse no dia 3 de julho, pronunciou um discurso incisivo analisando a conjuntura econômica brasileira e suas implicações de caráter político e social. Entre outros assuntos, abordou os temas da inflação, da retenção do crédito e do papel do Estado moderno diante do poder econômico, criticando a intervenção crescente do governo na iniciativa privada. Declarou-se contrário ao nacionalismo extremado que estaria impedindo a execução de programas financeiros, frisando que o nacionalismo “sadio” cultivado pela ACRJ não excluía a cooperação técnica e econômica com os países mais desenvolvidos.

Substituído no biênio 1959-1961 por José Augusto Bezerra de Medeiros, Rui Gomes de Almeida foi reconduzido à presidência da ACRJ no biênio 1961-1963. No início de seu novo mandato, conquistou, segundo Eudes Barros, a confiança do presidente da República Jânio Quadros, do qual, entretanto, discordava por sua “tendência esquerdizante” e sobretudo por sua política externa independente. Jânio Quadros convidou-o para presidir o Grupo de Fomento à Exportação, órgão recém-criado, e designou-o ainda para a chefia de Missão Comercial Brasileira aos países do Oriente Médio. No momento da renúncia de Jânio (25/8/1961), Rui Gomes de Almeida encontrava-se no exterior.

Em junho de 1963, eleito pela quarta vez presidente da ACRJ, Rui Gomes de Almeida pronunciou um discurso moderado, em que manifestava propósitos de diálogo com o governo, mas ao mesmo tempo “desafiava os comunistas que, sob a capa de ‘nacionalistas’, se infiltravam no governo federal”.

Em 1964, a ACRJ reuniu-se extraordinariamente nos dias 10 e 11 de março para analisar a situação nacional. Diante das denúncias de infiltração comunista na administração federal apresentadas por seus principais líderes, a entidade lançou um manifesto intitulado Mensagem ao povo brasileiro, afirmando que João Goulart atuava “mais como chefe de partido do que como supremo magistrado da nação”, deixando o país “estarrecido com seu permanente desrespeito à Constituição e às leis” e fazendo “o jogo da investida totalitária ao transigir ostensivamente com os comunistas”. Em vista da repercussão alcançada pelo documento, a ACRJ recebeu ameaças de fechamento que não se concretizaram, segundo Eudes Barros, devido ao apoio que lhe foi prestado por Carlos Lacerda, governador do então estado da Guanabara. Além disso, durante toda a crise, a sede da associação esteve permanentemente ocupada pelos membros de sua diretoria.

A vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964 recebeu todo o apoio da ACRJ.

Em junho de 1965, Rui Gomes de Almeida passou a presidência da ACRJ a Antônio Carlos Osório, que a conservou por dois biênios consecutivos até 1969. Em junho desse ano Rui Gomes de Almeida foi eleito para seu quinto mandato à frente da associação, sendo igualmente aclamado presidente de honra da ACRJ, distinção até então conferida apenas a dom Pedro II e a Afonso Viseu. Em 1971, foi eleito presidente do conselho superior da ACRJ, cargo que ocuparia até o fim da vida.

Ao final de seu biênio, Rui Gomes de Almeida não quis se reeleger, indicando como candidato Raul de Góis, primeiro-vice-presidente da ACRJ e seu companheiro de chapa desde 1955. Raul de Góis presidiu a associação de 1972 a 1975.

Em março de 1972, Rui Gomes de Almeida participou do conselho consultivo da III Conferência Nacional das Classes Produtoras, realizada no Rio. Em 21 de novembro de 1973, recebeu o título de cidadão carioca.

Como líder do comércio, foi ainda conselheiro da Federação do Comércio Atacadista do Rio de Janeiro e participou do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. Como empresário, foi presidente do conselho consultivo da Sociedade Nacional de Crédito, Financiamento e Investimentos (Sinal S.A.), vice-presidente da Companhia Brasileira de Vidros, diretor-presidente da Companhia Luar de Armazéns Gerais, membro dos conselhos consultivos da Refinaria União de Petróleo, da Companhia Estanífera do Brasil, da União de Bancos Brasileiros, da Credibrás e da Palmares S.A., e membro do conselho de administração da Rio-Light S.A. Ocupou também a presidência do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de outubro de 1974.

Foi casado com Jandira Bogado de Almeida.

Escreveu numerosos estudos sobre problemas cafeeiros e questões econômico-financeiras. Pronunciou conferências na Escola Superior de Guerra e na Faculdade Nacional de Ciências Econômicas da Universidade do Brasil. Escreveu Idéias e atitudes, relatando fatos da história econômica e política brasileira no período de 1950 a 1965. Deixou inacabada uma revisão desse livro, que abrangeria o período de 1964 a 1974.

Sônia Dias

 

FONTES: BARROS, E. Associação; BULHÕES, O. Margem; CONFERÊNCIA NAC. CLASSES PRODUTORAS. Carta; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORTÉS, C. Homens; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Brasil (21/11/73 e 29/10/74); Jornal do Comércio, Rio (29/10/74); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Who’s who in Brazil (1974).

 

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