ANTONIO BARROS DE CASTRO

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Nome: CASTRO, Antônio Barros de
Nome Completo: ANTONIO BARROS DE CASTRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CASTRO, Antônio Barros de

*pres. BNDES 1992-1993.

 

Antônio Barros de Castro nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 11 de fevereiro de 1938, filho de Euclides José Coelho de Castro e Adelina Barros de Castro.

Em 1959, bacharelou-se em economia pela Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade do Brasil, que posteriormente se tornou a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Quatro anos depois, tornou-se economista e pesquisador do Instituto Latino-Americano de Pesquisa Econômico-Social da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), nas Nações Unidas, onde atuou até 1972. No ano seguinte, lecionou na Faculdade de Economia de Cambridge, na Inglaterra, como professor-visitante. Em 1974 retornou ao Brasil como professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), doutorando-se também por essa instituição em 1977. Em 1978, deixou a Unicamp e se tornou membro do Institute for Advanced Study, em Princeton (EUA), onde permaneceu até o ano seguinte, quando se tornou professor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ.

Em 1981 afastou-se da Coppe e se tornou professor titular da FEA e do Instituto de Economia Industrial (IEI) da UFRJ, onde permaneceria até 1991, ministrando, na graduação, a disciplina política e planejamento econômico e, na pós-graduação, as disciplinas história da industrialização mundial, economia brasileira, planejamento econômico e política econômica no Brasil.

Em 1987 tornou-se editor do Boletim de Conjuntura do IEI/UFRJ e, em 1989, membro do conselho do Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE).

Em 1990, foi um crítico destacado da política de abertura do comércio exterior e do programa de privatização empreendidos pelo presidente Fernando Collor de Melo (1990-1992) no início de sua administração. Com a crise política que abalou o governo Collor e que culminou com o afastamento do presidente, o vice-presidente Itamar Franco assumiu o poder interinamente em 2 de outubro, sendo efetivado em 29 de dezembro seguinte. Ainda em outubro, Antônio Barros de Castro assumiu a presidência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em substituição a Eduardo Modiano, que pedira demissão logo após a saída de Collor.

Em janeiro de 1993, já tendo reformulado suas idéias iniciais a respeito das privatizações, apresentou ao presidente Itamar Franco e aos ministros da área econômica uma minuta de decreto que tinha por objetivo consolidar algumas alterações nas regras da privatização já aprovadas. O decreto, assinado por Itamar como medida de consenso entre as propostas da Consultoria Geral da República e do BNDES, que há muito vinham se atritando, previa maior participação do presidente da República no programa e proibia que os fundos de pensão das estatais participassem dos leilões de privatização, entre outras modificações.

Nesse mesmo mês, Itamar Franco decidiu pela saída de Barros de Castro da comissão diretora do Programa Nacional de Desestatização (PND), alegando que “quem faz a normatização não pode presidir a comissão”. Manteve o BNDES como órgão gestor do programa, mas anunciou uma lista com os 15 novos integrantes da comissão diretora do PND, que seria submetida ao Congresso Nacional. A decisão quase causou o pedido de demissão do presidente do BNDES, que foi demovido da idéia pelo ministro do Planejamento, Paulo Haddad.

Além dessas discordâncias, outro fato que abalou a imagem do presidente do BNDES foi a revelação do montante de seu salário, ainda no final do mês de janeiro – 180 milhões de cruzeiros, mais do dobro do limite determinado pelo presidente Itamar Franco.

Os meses que se seguiram foram marcados pela continuidade das divergências de Barros de Castro com o chamado “grupo de Juiz de Fora”, que tinha à frente o advogado-geral da União, José Ferreira de Castro. A principal delas era motivada exatamente pelo programa de privatizações: Barros de Castro vinha procurando defender a manutenção de boa parte do programa, somente com algumas alterações. No entanto, José Ferreira de Castro procurava mostrar ao presidente Itamar Franco as desvantagens de várias regras e tentava impor outros limites para as vendas das estatais, restringindo, por exemplo, a participação dos fundos de pensão. A gota d’água foi a declaração de Ferreira de Castro de que Barros de Castro estaria tentando seguir o programa de privatização adotando as mesmas diretrizes do governo Collor. A declaração acabou por levar ao pedido de demissão de Barros de Castro, em março de 1993, sendo substituído por Luís Carlos Delben Leite. O ex-presidente do BNDES fez severas críticas ao chefe do Executivo federal, acusando-o de não apoiá-lo, e principalmente ao grupo de José de Castro Ferreira, denominado de “tumor” do governo Itamar.

Com sua saída da presidência do BNDES, retornou ao meio acadêmico criticando o governo Itamar por não permitir que a equipe econômica conduzisse, com autonomia suficiente, o plano de estabilização. Em 1994 tornou-se membro do Conselho do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial da UFRJ e, dois anos depois, membro do Conselho do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 21 de agosto de 2011.

Foi casado com a economista e professora universitária Ana Célia Castro, com quem teve quatro filhos.

Publicou os seguintes livros: Introdução à economia, uma abordagem estruturalista, (em co-autoria com Carlos Lessa, 1967), Sete ensaios sobre a economia brasileira (tomo 1, 1969; tomo 2, 1971), O capitalismo ainda é aquele (1979), A economia brasileira em marcha forçada (1985), Novas estratégias empresariais; discutindo as experiências, (co-organizado por Mário Possas e Adriano Proensa 1996). Além dessas publicações, escreveu o capítulo “Renegade deuclogment: rise and demise of State — led deuclogment in Brazil”, da coletânea Transaction publishers (1993), o capítulo “Governar é preciso”, da obra Inflação, moeda e desindexação, organizada por João Paulo dos Reis Veloso (1993), e o capítulo “Estabilização, crescimento e política industrial”, de Estabilidade e crescimento, organizado por João Paulo dos Reis Veloso (1994).

Alexandra Toste

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (3/10/92, 5/3/93, 27/4/94 e 6/8/95); Folha de S. Paulo (5 e 6/3/93); Globo (11/10/92, 9, 14 e 20/1, 6 e 10/3/93, 16/10/94); INF. BNDES; Jornal do Brasil (14/1 e 5/3/93).

 

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