ANTONIO ERASMO DIAS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: DIAS, Erasmo
Nome Completo: ANTONIO ERASMO DIAS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GARCIA, Cyro

DIAS, Erasmo 

* militar; dep. fed. SP 1979-1983.

 

Antônio Erasmo Dias nasceu em Paraguassu (SP) no dia 2 de junho de 1924, filho de Antônio Augusto Dias e de Elza Gieseler Cioffi Dias.

Fez o curso secundário na Escola Preparatória de Cadetes de Porto Alegre e ingressou no Exército em 1940. Posteriormente, fez  o curso de formação de oficiais na Escola Militar de Realengo e na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), ambas no Rio de Janeiro. Formou-se na primeira turma da Aman, em 1945.

Passou a lecionar em 1957. Em 1961, fez cursos na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e também na Faculdade de Filosofia da então Universidade da Guanabara. No ano seguinte, ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP).

Em 1962, quando era comandante da 3ª Bateria de Obuses de Costa, em Guarujá (SP), estava entre os líderes da conspiração, na Baixada Santista, contra o governo de João Goulart (1961-1964). Na ocasião do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que derrubou Goulart, Dias chefiou a ocupação da refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP).

Em fins de 1968, participou do cerco a Ibiúna (SP), durante o XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), que resultou na prisão de quase 800 pessoas. Em novembro daquele ano, teve participação direta na cassação do ex-deputado Esmeraldo Tarquínio, então recém-eleito prefeito de Santos pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar. Tarquínio perdeu seus direitos políticos por dez anos.

Ainda em 1968, Erasmo Dias se tornou comandante do 6º Grupo da Artilharia de Costa Motorizado, em Praia Grande (SP), onde permaneceria até 1971. Participou do cerco ao guerrilheiro Carlos Lamarca, do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), na cidade de Registro (SP) em maio de 1970. Em 1973, assumiu a chefia do Estado-Maior do Comando de Artilharia de Costa e Antiaérea da 2ª Região Militar, em Santos, cargo que exerceu até o ano seguinte. Durante esse período, esteve diretamente envolvido nas denúncias que resultaram na cassação de políticos do MDB atuantes na Baixada Santista, dentre eles Mário Covas, Gastone Righi e Osvaldo Martins.

Em abril de 1974, Dias foi nomeado pelo governador Laudo Natel secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, passando para a reserva como coronel do Exército. Ocupava o cargo em 1975, quando morreram no Departamento de Operações Internas_Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) de São Paulo o operário Manoel Fiel Filho e o jornalista Vladimir Herzog. Na ocasião, declarou que nada tinha a ver com esses fatos, de competência do II Exército.

Em maio de 1977, foi responsável pela cassação dos deputados federais do MDB de São Paulo Marcelo Gato e Nélson Fabiano Sobrinho, que discutiram com ele e criticaram o Doi-Codi. Em julho, mandou prender o jornalista Renato Tapajós, incurso na Lei de Segurança Nacional (LSN), por entender que seu romance Pássaro em pânico era subversivo e pregava a luta armada.

Em setembro, comandou pessoalmente a invasão policial da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. O pretexto foi  uma suposta assembléia estudantil para recriação da UNE. Várias bombas foram lançadas pelos policiais, causando queimaduras em muitos estudantes e a prisão de centenas de universitários, 33 deles enquadrados na LSN. O fato levou à constituição de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Assembléia Legislativa de São Paulo, que chamou Dias para depor. Acusado de crime de responsabilidade e abuso de poder no relatório da CEI, foi absolvido pela Justiça e o processo, arquivado. Em novembro, sofreu um processo de queixa-crime por injúria e difamação movido pelo procurador Hélio Bicudo, da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), que denunciara a atuação livre do esquadrão da morte na polícia paulista. Durante sua gestão, ordenou diversas operações policiais para reprimir passeatas e outras manifestações estudantis.

Em maio de 1978, desincompatibilizou-se do cargo de secretário de Segurança para candidatar-se em novembro a uma cadeira na Câmara dos Deputados pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar. Eleito, retornou à pasta de Segurança Pública de São Paulo e somente assumiu o mandato em março do ano seguinte. Na Assembléia, foi presidente da Comissão de Segurança Nacional e suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas.

Em abril de 1979, entrou com queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o jornal O Repórter, que o acusara de ter participado em 1968, juntamente com outros oficiais do II Exército, do atentado à bomba à sede do jornal O Estado de São Paulo. Segundo o jornal, o objetivo era atribuir o atentado aos comunistas e obter, assim, um endurecimento do regime. Grande opositor do projeto de anistia ampla, geral e irrestrita e da legalização do Partido Comunista, achou desalentador e encarou com muito ceticismo o retorno ao país dos exilados políticos Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luiz Carlos Prestes.

Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação sucessora da Arena. Em dezembro do ano seguinte, realizou uma viagem parlamentar à União Soviética e voltou muito impressionado com o dinamismo da sociedade, chegando a propor a adequação do modelo soviético ao país, alicerçando-o no capital e no trabalho, num misto de economia planejada e capitalista, dando rumos socializantes diferenciados ao Brasil.

Não concorreu à reeleição em novembro de 1982, retirando-se da Câmara dos Deputados em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura.

Em novembro de 1986, elegeu-se deputado estadual constituinte pelo PDS. Reeleito quatro anos depois, foi líder do PDS na Assembléia paulista. Em março de 1991, ameaçou o editor-responsável da Folha da Tarde, Adilson Larangeira, pela campanha do jornal contra as mordomias na Assembléia Legislativa. Declarou-se vítima de uma campanha da esquerda para difamá-lo. Em setembro de 1991, admitiu que, quando estava à frente da pasta de Segurança Pública de São Paulo durante os governos Laudo Natel (1971-1975) e Paulo Egídio Martins (1975-1979), contrabandeara armamentos para “enfrentar os bandidos e mandar a canalha comunista para o túmulo”.

Em 1993, ingressou no Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão (PDC). Em outubro de 1994, elegeu-se deputado estadual pela terceira vez consecutiva, exercendo a liderança do PPR na Assembléia. Em agosto de 1995, em artigo no jornal Folha de São Paulo, chamou entidades de defesa dos direitos humanos e de desaparecidos políticos, especialmente o grupo Tortura Nunca Mais, de “revanchistas que pretendem glorificar os réus assassinos e inculpar os que cumpriram seu dever”. Naquele mês, ingressou no Partido Progressista Brasileiro (PPB), agremiação criada a partir da fusão do PPR com o Partido Progressista (PP). Em março de 1996, Dias declarou-se contrário à retomada das investigações sobre os atentados à bomba na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no Riocentro, em 1981.

Líder do PPB na Assembléia Legislativa, em junho de 1996 Dias denunciou um esquema de corrupção envolvendo empreiteiras interessadas na aprovação do Programa Estadual de Desestatização (PED) proposto pelo governador Mário Covas (1995-) e deputados estaduais, e que estaria sendo intermediado pelo líder do governo na Assembléia, Walter Feldman. De acordo com Dias, as empreiteiras teriam prometido dividir 30 milhões de reais entre 55 deputados, caso houvesse votação favorável ao projeto. O líder do governo refutou as acusações, acusou Dias de fazer lobby em favor da Construtora Camargo Corrêa e pediu à Comissão de Ética da Assembléia a aplicação de sanções contra ele.

Em agosto de 1996, Dias defendeu o reconhecimento e indenização das famílias de vítimas da guerrilha durante o regime militar, de acordo com a proposta do deputado federal petista Nilmário Miranda, membro da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara e da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça. No mês seguinte, depois de uma discussão num bar na zona sul da capital paulista, Dias agrediu o coordenador estadual da juventude do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), quando distribuía bonés e camisetas do candidato do PPB à prefeitura de São Paulo, Celso Pitta. Ainda durante a campanha eleitoral, criticou a escolha de uma apresentadora negra para o programa do Partido dos Trabalhadores (PT), fazendo publicar no Diário Oficial da Assembléia Legislativa trechos em que dizia que Luíza Erundina (candidata do PT à prefeitura) queria mudar a cor da pele, pois tinha “ódio no coração”.

Representante da “bancada da polícia”, que contava com oito parlamentares durante essa legislatura, em 1997 integrou as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) da violência policial em Diadema e do crime organizado. Defendeu a punição dos policiais militares envolvidos na operação clandestina na favela Naval, em Diadema, em março de 1997, que resultou no assassinato de uma pessoa. Em sintonia com a maioria da “bancada da polícia”, que regularmente atacava a política de segurança pública do governo Mário Covas, Dias declarou, no episódio de Diadema, que “foi exatamente a ‘filosofia dialética’ e de direitos humanos do governador que provocou esse ‘câncer maligno’ dentro da Polícia Militar”.

Erasmo Dias não conseguiu se reeleger em  outubro de 1998. Deixou a Assembléia Legislativa em março do ano seguinte, ao final da legislatura.

Fez cursos de matemática, história e economia e foi professor na Universidade Cândido Mendes (RJ) e em Santos.

Casou-se com Maria Ondina Fernandes Dias, com quem teve quatro filhas.

Publicou A educação e o ensino no período colonial.

 

Marcelo Costa

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados Brasileiros. Repertório (1979-1983); Estado de São Paulo (1 e 24/2/80, 19/9 e 5/11/96, 14/4/97, 8/10/98); Folha de São Paulo (4/4/74, 26/1/80, 9/3/91, 14/3, 28/7 e 3/8/95, 26/6 e 8/11/96, 9/4/97); Globo (31/10/79, 20/3 e 5/8/96); IstoÉ (28/9/77); Jornal do Brasil (17/11/78, 2/2, 21/5, 29/7, 23 e 31/8, 4,  25 e 28/9, 2, 20, 21, 22, 24 e 25, 8 e 30/11 e 30/12/77, 15/3, 24/7, 23 e 30/11, 4, 6, 7, 8 e 20/12/78, 3/1, 12 e 29/3, 4, 16, 20 e 27/4, 11/5, 16/7, 4 e 20/8, 8 e 17/9, 16, 22, 30 e 31/10 e 26/12/79, 4/5, 22 e 27/6 e 21/12/80, 12/9/91); TRIB.SUP.ELEIT. Dados (1998); Veja (11/5/77 e 6/12/78).

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados