ARISTIDES CORREIA LEAL

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Nome: LEAL, Aristides
Nome Completo: ARISTIDES CORREIA LEAL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LEAL, ARISTIDES

LEAL, Aristides

*militar; Col. Prestes; rev. 1930.

Aristides Correia Leal nasceu em Urucu, no município de Camaragibe (AL), no dia 8 de junho de 1900, filho de Francisco Correia Leal e de Teresa Correia Leal, pequenos agricultores.

Órfão de pai aos cinco anos de idade, Aristides foi criado por um cunhado, comerciante. Graças à ajuda deste, pôde terminar os estudos primários. Com a morte do cunhado, passou a trabalhar em seu armazém até viajar para Recife, em 1913. Permaneceu algum tempo no comércio desta cidade, alistando-se em 1916 como voluntário no Exército. Ingressou no 49º Batalhão de Caçadores e pouco depois embarcou com o contingente para o Rio de Janeiro, indo servir no 1º Regimento de Artilharia Montada, na Vila Militar.

Contraiu a gripe espanhola no Rio de Janeiro durante a epidemia de 1917, tendo sido transferido para São João del Rei (MG) para tratamento. Ficou nessa cidade até 1918, adido ao 51º Batalhão de Caçadores, sendo então transferido para Valença (RJ), onde serviu no 5º Grupo de Artilharia de Montanha. Em 1922 atingiu o posto de primeiro-sargento, ao mesmo tempo em que cursava a Escola de Veterinária do Exército. Formando-se veterinário em 1923, foi servir como aspirante no 6º Regimento de Cavalaria, em Alegrete (RS). Em 1924, foi promovido a segundo-tenente.

Partidário dos revoltosos de 1924, alegou enfermidade para permanecer em Alegrete quando seu regimento partiu para dar combate às forças revolucionárias paulistas no Paraná. Juntou-se então ao 2º Grupo de Artilharia de Montanha, uma das diversas guarnições gaúchas que se sublevaram em outubro de 1924. O movimento revolucionário no Rio Grande do Sul eclodiu simultaneamente em Uruguaiana, São Borja e Santo Ângelo, com repercussão em todo o estado. Aristides Leal combateu em Alegrete e em Quaraí, refugiando-se depois em Rivera, no Uruguai, porque sua tropa fora quase toda dizimada. Em Rivera, juntou-se com outros revolucionários e rumou para Uruguaiana, onde se reuniu a Isidoro Dias Lopes, viajando para Foz do Iguaçu (PR). Lá, ficaram sabendo da queda de Catanduvas (PR), importante reduto revolucionário. Isidoro propôs então a debandada para os revoltosos que quisessem, e os que preferissem continuar deveriam dirigir-se para Santa Helena (PR), onde se juntariam à Coluna Prestes, que iniciava sua longa marcha através do país. Aristides estava entre os que escolheram esta alternativa.

A Coluna Prestes estava dividida em quatro destacamentos, comandados por Mário Portela Fagundes, João Alberto Lins de Barros, Antônio de Siqueira Campos e Djalma Soares Dutra. Aristides Leal integrou-se ao Destacamento João Alberto, sendo comissionado pelos revolucionários no posto de capitão. Além disso, na qualidade de veterinário, desempenhava também as funções de médico.

Depois de percorrer cerca de 24 mil quilômetros e atravessar 13 estados brasileiros, a coluna internou-se na Bolívia em fevereiro de 1927. Da Bolívia, como outros revolucionários, Aristides Leal resolveu ir para o Rio e depois para São Paulo, à procura de trabalho. Em Bauru (SP), empregou-se em uma companhia de café, na qual permaneceu alguns meses. Viajou para Curitiba, onde passou pouco tempo, e, na volta, empregou-se novamente na mesma companhia. Logo depois, foi convidado para administrar a seção de Dourado (SP) da usina Miranda (de café e açúcar). Entretanto, a usina deixou de cumprir um trato que fizera com os colonos e Aristides, demitindo-se de seu cargo, denunciou o fato ao jornal O Estado de S. Paulo, provocando um escândalo em Bauru. Temendo a represália do dono da usina, fugiu para o Paraná, onde soube que João Alberto andava à sua procura.

Reuniu-se a João Alberto em Jaguariaíva (PR) e viveu por uns tempos nessa cidade. De lá, rumaram juntos para o Rio de Janeiro em 1929, encontrando-se com Silo Meireles, que os levou até Pedro Ernesto Batista. Em casa deste, participaram de uma reunião com outros ex-componentes da Coluna Prestes, tomando então conhecimento das cartas trocadas entre o próprio Prestes e Juarez Távora tratando da adesão do primeiro à Aliança Liberal. Em sua carta, Prestes afirmava que era muito cedo para decidir-se. Os participantes da reunião resolveram escrever-lhe pedindo que pensasse mais no assunto.

Aristides Leal e João Alberto voltaram para Jaguariaíva. Pouco depois, chegou a resposta de Prestes, convocando seus ex-companheiros para uma reunião em Porto Alegre, onde iria encontrar-se com Getúlio Vargas. Nesse encontro, estabeleceu-se um acordo e os líderes revolucionários seguiram para diversos pontos do país para preparar a revolução. Aristides Leal e Siqueira Campos rumaram para São Paulo. Alugaram uma casa no bairro da Aclimação, juntamente com outros revolucionários, e passaram a fazer contatos com políticos do Partido Democrático e com outros elementos oposicionistas. Ao mesmo tempo, Aristides ajudou a montar uma fábrica clandestina de dinamite, mantendo ainda contato com elementos que conspiravam em unidades militares paulistas.

Em janeiro de 1930, a casa em que viviam foi localizada pela polícia. Siqueira Campos conseguiu fugir, mas outros, como Djalma Dutra, Aristides Leal e Emídio Miranda, foram presos. De São Paulo, Aristides foi enviado para o Rio de Janeiro, onde ficou confinado inicialmente no 1º Regimento de Cavalaria e depois na fortaleza de Santa Cruz. Nessa ocasião, submetido a uma cirurgia, viu-se impedido de participar da fuga de vários prisioneiros, entre os quais Juarez Távora e Newton Estillac Leal. Entretanto, seus companheiros conseguiram que um juiz requisitasse sua presença no Rio Grande do Sul para responder a processo por deserção. Em Porto Alegre, ficou preso no 7º Batalhão de Caçadores, gozando das regalias a que tinham direito os demais oficiais e mantendo-se plenamente informado de toda a conspiração revolucionária.

No dia 3 de outubro, data da eclosão do movimento no Rio Grande do Sul, Aristides se encontrava hospitalizado. Pela manhã, porém, saiu do hospital e juntou-se a outros companheiros para tomar parte nas ações militares previstas em Porto Alegre. Participou do ataque ao quartel da Carta Geral, que foi tomado sob o comando do tenente Alcides Etchegoyen. Assumiu então o comando da unidade, enquanto Etchegoyen atacava o Colégio Militar. À noite, chegou a receber ordens para preparar a guarnição da Carta Geral para atacar o 7º Batalhão de Caçadores, o que acabou não sendo necessário, em vista da rendição desse contingente.

Com o fim do levante em Porto Alegre, integrou-se, no comando de um esquadrão, ao destacamento que, sob a chefia de Etchegoyen, deveria marchar sobre São Paulo. Atravessando Santa Catarina e o Paraná sem encontrar resistência, esse destacamento foi atacado próximo à divisa com São Paulo, em Quatiguá (PR), por tropas da polícia paulista. No combate, Aristides Leal foi incumbido de sair em perseguição das forças paulistas, que acabaram fugindo.

Terminadas as operações militares revolucionárias, João Alberto foi nomeado inicialmente delegado da revolução e depois interventor em São Paulo, e convidou Aristides para ser seu oficial-de-gabinete. No dia 15 de novembro de 1930, Aristides Leal foi promovido a primeiro-tenente, posto a que já fazia jus por antigüidade desde 1925. Em 1931 desligou-se de João Alberto e dirigiu-se para o Rio de Janeiro, onde fez um curso de aperfeiçoamento em veterinária, servindo na Diretoria de Veterinária do Exército. Foi promovido a capitão em abril de 1931.

Em 1932 foi transferido para o 4º Regimento de Artilharia Montada, em Itu (SP), posto em que se encontrava quando eclodiu a Revolução Constitucionalista em São Paulo. Contrário ao movimento, tentou fugir para o Paraná com outros companheiros, mas foram presos no caminho. Detidos no Regimento de Cavalaria de São Paulo, conseguiram sublevar a unidade, sendo todavia dominados e novamente presos. Com a queda de São Paulo, Aristides foi solto e dirigiu-se para o Rio de Janeiro. Classificado no 2º Regimento de Artilharia Montada, logo foi transferido para o Serviço de Remonta do Exército, ainda no Rio de Janeiro, como veterinário. Em 1934 casou-se com Almerinda Cunha Leal no Rio Grande do Sul, onde se encontrava a serviço. Permaneceu na Remonta até 1935. Ainda em 1935, às vésperas da Revolta Comunista liderada por Prestes, foi convidado por este para participar do movimento, recusando-se por achar que não havia condições para uma revolução. Após o fracasso da revolta, foi contudo acusado de participação, e ficou detido no presídio da rua Frei Caneca, no Rio de Janeiro, durante um mês. Solto por interferência de Osvaldo Cordeiro de Farias, viu-se porém implicado em um processo no Tribunal de Segurança Nacional devido à presença de cartas a ele destinadas em um arquivo de Prestes. Absolvido em primeira instância e depois no Superior — então Supremo — Tribunal Militar (STM), segundo informa, graças à interferência de Góis Monteiro, foi transferido para Porto Alegre, onde ficou servindo no quartel-general da 3ª Região Militar até 1938, quando retornou ao Rio de Janeiro, reincorporando-se ao Serviço de Remonta e sendo promovido ao posto de major.

Em 1939, concorreu na chapa de oposição às eleições para a diretoria do Clube Militar, tendo sido um dos articuladores da candidatura do general José Pessoa à presidência do clube. Eleita a chapa oposicionista, Aristides Leal ocupou o cargo de diretor da biblioteca da entidade. Neste cargo, participou da campanha pelo envio de tropas à Europa para lutar ao lado das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1942 passou para a reserva no posto de tenente-coronel. Contudo, permaneceu ativo no Clube Militar, participando da campanha em prol do monopólio estatal do petróleo. Em 1950, com Estillac Leal na presidência, foi secretário da Carteira Hipotecária e Imobiliária do Clube Militar.

Em seguida, mudou-se para São Paulo e, juntamente com Miguel Costa, começou a trabalhar pela candidatura de Vargas à presidência da República. Em 1958 retornou ao Rio e, em 1962, foi convidado por João Mangabeira para chefiar o departamento de pessoal da refinaria Duque de Caxias. Em 1964, após o movimento político-militar de 31 de março, foi demitido do cargo.

Robert Pechman

FONTES: ENTREV. BIOG.; LIMA, L. Coluna.

 

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