ARMANDO DE MIRANDA STORNI

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Nome: STORNI, Armando
Nome Completo: ARMANDO DE MIRANDA STORNI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
STORNI, ARMANDO

STORNI, Armando

*rev. 1930; dep. fed. GO 1959-1963; sen. GO 1963, 1964, 1965, 1967 e 1968.

 

Armando de Miranda Storni nasceu em Santa Maria (RS) no dia 21 de agosto de 1907, filho de Fernando Storni e de Vitória Natércia Vargas de Miranda Storni.

Fez os estudos primários e secundários em sua cidade natal, onde em 1926 formou-se contador. Dois anos depois transferiu-se para Goiás, passando a residir em Pires do Rio, onde trabalhou como guarda-livros de uma charqueada. Pressionado por circunstâncias políticas, emigrou para a cidade mineira de Paracatu.

Comissionado no posto de capitão, participou da Revolução de 1930 comandando uma companhia de metralhadoras da Coluna Quintino Vargas, com a qual partiu de Minas Gerais para Goiás. Após a vitória do movimento, em outubro de 1930, fixou-se definitivamente em território goiano, agora sob comando político do interventor federal Pedro Ludovico. Após exercer, durante o Estado Novo (1937-1945), o cargo de prefeito em Caldas Novas (GO)(1939) e em Catalão (GO)(1942), transferiu-se em 1942 para o norte do estado, onde instalou uma indústria de matadouros voltada para o fornecimento de carne, por via aérea, para regiões do norte do país. Com a instalação em 1949 da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), tornou-se, a convite de Jerônimo Coimbra Bueno, governador do estado (1947-1950), representante de Goiás na comissão de planejamento do órgão, onde permaneceu até 1952.

Concorreu em outubro de 1958 a uma cadeira na Câmara dos Deputados, na legenda do Partido Social Democrático (PSD) de Goiás, obtendo apenas uma suplência. Assumiu o mandato pela primeira vez em julho de 1959, exercendo-o até outubro. Retornou à Câmara no curto período de agosto a outubro de 1960 e novamente a partir de fevereiro de 1961, já durante a presidência de Jânio Quadros, cuja política externa — conhecida como política externa independente — apoiou. Após a renúncia de Jânio (25/8/1961), votou a favor da Emenda Constitucional nº 4, de setembro de 1961, que instituiu o parlamentarismo e permitiu a posse do vice-presidente João Goulart, vetada por setores militares. Parlamentarista, era favorável à delegação de poderes ao gabinete, prática que considerava necessária à dinamização administrativa do governo. Já durante o governo Goulart (1961-1964), votou a favor da Emenda Constitucional nº 5, datada de novembro de 1961, que ampliou a participação dos municípios na renda tributária nacional. No tocante ao tema municipalista, apresentou projeto instituindo a Operação Municípios da Amazônia, visando integrar os municípios da área amazônica no plano geral da SPVEA. Aprovou também a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (20/12/1961), que introduziu profunda modificação descentralizadora na administração do ensino. Considerava, contudo, que o governo despendia fartos recursos com a instrução superior, enquanto o ensino primário permanecia deficiente e o ensino técnico aquém das exigências de desenvolvimento do país. Ainda no que se referia à educação, era adepto da predominância da escola pública.

De acordo com o Correio Brasiliense, edição de setembro de 1962, defendia a aplicação de uma reforma agrária em moldes cooperativistas. Considerava que a estrutura agrária e a educação dos camponeses brasileiros, na sua maioria ainda analfabetos, não permitiam qualquer experiência coletivista, embora declarasse reconhecer inevitável a marcha para um socialismo que mantivesse o governo democrático-representativo. Nesse sentido, era favorável à desapropriação das terras improdutivas, mediante pagamento em títulos da dívida pública, já que considerava insustentável o sistema de propriedade de terra então vigente. Preconizava também uma reforma tributária voltada para a redução paulatina, até a possível extinção, dos tributos diretos, com a progressividade dos impostos indiretos. Era partidário da instituição de um banco central emissor e da criação de bancos oficiais com finalidades específicas, ficando a rede bancária particular entrosada na política creditícia geral e obrigada a manter carteiras de fomento à produção. No tocante à administração, apoiava uma reforma descentralizadora, com a criação de ministérios do Planejamento Econômico, dos Transportes e das Comunicações, e a unificação dos ministérios militares na pasta da Defesa Nacional, exercida por um civil e com três subsecretarias de Estado confiadas a militares.

Apoiava a preservação do monopólio estatal dos minérios estratégicos, do petróleo, da eletricidade, dos transportes marítimos e ferroviários e das telecomunicações. Era adepto também do intervencionismo estatal nas atividades econômicas, de maneira corretiva e supletiva da iniciativa privada. Defensor do fortalecimento doutrinário e ideológico das organizações partidárias, era favorável à instituição dos distritos eleitorais e das eleições primárias, presididas pela Justiça Eleitoral, para a escolha dos candidatos. Considerava, ainda, que os parlamentares que abandonassem seus partidos deveriam perder os mandatos.

Nessa legislatura, integrou as comissões de Transportes, de Valorização da Amazônia e do Distrito Federal, além da comissão parlamentar de inquérito que investigou as atividades das ligas camponesas. Fundou também o “bloco dos curraleiros”, voltado para ampliar a integração política e econômica das regiões do norte goiano. Apoiou a política da Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), bloco interpartidário criado em 1956 por representantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do PSD e da União Democrática Nacional (UDN), cujo objetivo era defender uma plataforma nacionalista, voltada para a condenação à intervenção do capital estrangeiro na economia nacional, especialmente no setor energético, e à remessa de lucros para o exterior.

No pleito de outubro de 1962 elegeu-se suplente de senador por Goiás, na chapa encabeçada por José Feliciano Ferreira, do PSD. Deixando a Câmara dos Deputados no final da legislatura, em janeiro de 1963, exerceu o mandato de senador de abril a maio desse ano. Ainda em 1963, integrou a diretoria do Banco da Amazônia.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964 que derrubou Goulart da presidência, retornou ao Senado em agosto desse ano, permanecendo até outubro. Novamente no exercício do mandato de maio a junho de 1965, no pleito de outubro de 1965 candidatou-se a vice-governador pelo PSD, mas não foi bem-sucedido. Exerceu mais uma vez o mandato de senador entre abril a agosto de 1967 e entre maio a setembro de 1968. Segundo Sebastião Néri, foi impedido de assumir efetivamente a cadeira quando o senador Pedro Ludovico renunciou ao mandato, em setembro de 1969. Abandonou a vida política, dedicando-se às suas atividades privadas.

Faleceu em Brasília no dia 30 de março de 1993.

Era casado com Antônia Caldas Texeira Storni, com quem teve oito filhos.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967) CÂM. DEP. Súmulas; CAMPOS, Q. Fichário; Estado de S. Paulo (5/9/62); INF. FAM. Antônia Caldas Texeira Storni; NÉRI, S. 16; SENADO. Relação; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4 e 6).

 

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