BARRETO FILHO, JOSE

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Nome: BARRETO FILHO, José
Nome Completo: BARRETO FILHO, JOSE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BARRETO FILHO, JOSÉ

BARRETO FILHO, José

*dep. fed. SE 1935-1937.

 

José Barreto Filho nasceu em Aracaju no dia 27 de janeiro de 1908, filho de José Barreto dos Santos, escritor, e de Otília Cardoso Barreto. O filósofo sergipano Tobias Barreto era seu primo.

Após concluir o curso de humanidades no Ateneu Sergipense, transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em janeiro de 1922. Em pleno ano da revolução modernista, teve publicado, com apenas 14 anos, um livro de versos: Catedral de ouro. Diplomado em 1926 pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atuou em seguida como revisor de jornal e tornou-se secretário particular de Coriolano de Góis, chefe de polícia do Distrito Federal no governo do presidente Washington Luís (1926-1930). Em agosto de 1927, juntamente com outros escritores modernistas, fundou a revista Festa, núcleo da persistência simbolista dentro do modernismo de 1922. Aproximou-se em seguida do grupo de intelectuais que se reunia em torno do pensador Jackson de Figueiredo e a partir do qual surgiria o movimento de renovação católica no Brasil. Começou a advogar logo após a Revolução de 1930.

Em outubro de 1934 candidatou-se na legenda da União Republicana de Sergipe a deputado federal na legislatura que se iniciaria em maio do ano seguinte, obtendo apenas uma suplência. No mesmo pleito, entretanto, elegeu-se deputado à Assembléia Constituinte sergipana, na qual foi empossado em março de 1935. Em julho do mesmo ano assinou, com restrição, a nova Constituição estadual e, em novembro seguinte, assumiu o mandato federal na vaga aberta pela posse de Augusto César Leite no Senado. Permaneceu na Câmara dos Deputados até novembro de 1937, quando o advento do Estado Novo suprimiu todos os órgãos legislativos do país.

Com o recesso das atividades parlamentares, retornou à advocacia e passou a lecionar psicologia educacional na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entre 1939 e 1941 exerceu a crítica literária no Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, e, em janeiro de 1945, atuou como delegado de Sergipe no I Congresso Brasileiro de Escritores, promovido em São Paulo pela Associação Brasileira de Escritores e cujos debates assumiram um tom de clara reivindicação democrática. Foi também um dos signatários do manifesto que lançou o movimento Resistência Democrática, publicado no número de A Ordem do segundo semestre de 1945. O documento propunha, com base na vitória dos Aliados sobre o Eixo na Segunda Guerra Mundial, a extinção total da ditadura no Brasil, negando ao governo do presidente Getúlio Vargas autoridade para continuar no poder.

Após a morte de Vargas em 24 de agosto de 1954, Barreto Filho chefiou o gabinete do ministro da Justiça, Miguel Seabra Fagundes, desse último mês a janeiro do ano seguinte. De 1962 a 1964 foi membro do Conselho Federal de Educação, órgão que presidiu, integrando ainda a Comissão Geral de Investigações, instalada sob a presidência do general Taurino de Resende logo após o movimento político-militar de abril de 1964 para apurar denúncias de corrupção e subversão. Voltou a participar do Conselho Federal de Educação entre 1966 e 1968.

Catedrático de psicologia educacional da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro — da qual é fundador — e do Instituto de Educação, foi ainda membro do Conselho Nacional de Educação e da Ordem dos Advogados do Brasil.

Colaborou em Hierarquia, Rio Jornal, O Imparcial, O Brasil, O Sousa Cruz e O Norte do Rio de Janeiro, todos do Rio de Janeiro.

Casou-se com Valquíria de Matos Peixoto Barreto, de quem teve 12 filhos.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 17 de dezembro de 1983.

Além de ensaios sobre Jackson de Figueiredo, Farias Brito e Sílvio Romero, publicou Catedral de ouro (1922), Sob o olhar malicioso dos trópicos (1929) e Introdução a Machado de Assis (1947).

 

FONTES: Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CONG. BRAS. ESCRITORES. I; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional; Grande encic. Delta; GUARANÁ, M. Dic.; Jornal do Brasil (26/1/78, 18/12/83); MENESES, R. Dic.; Ordem (5/12/45); PERDIGÃO, H. Dic.; VELHO SOBRINHO, J. Dic.; WYNNE, J. História.

 

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