BARROS, LUIS GONZAGA LINS DE

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Nome: BARROS, Luís Gonzaga Lins de
Nome Completo: BARROS, LUIS GONZAGA LINS DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BARROS, LUÍS GONZAGA LINS DE

BARROS, Luís Gonzaga Lins de

*diplomata; rev. 1935.

 

Luís Gonzaga Lins de Barros nasceu em Recife no dia 7 de agosto de 1903, filho do professor Joaquim Cavalcanti Leal de Barros e de Maria Carmelita Lins de Barros. Seu irmão João Alberto integrou a Coluna Prestes, foi revolucionário em 1930, interventor em São Paulo de 1930 a 1931, chefe de polícia do Distrito Federal de 1932 a 1933 e, novamente, em 1945 e constituinte em 1934.

No início de novembro de 1930 — logo após a vitória do movimento revolucionário chefiado por Getúlio Vargas — Luís Gonzaga, juntamente com Josias Leão e Plínio Melo, obteve de João Alberto — recém-nomeado delegado militar em São Paulo — permissão para que o Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), instalasse sua sede, promovesse trabalhos de organização partidária, incluindo comícios, e editasse publicações de caráter político na capital paulista. Ingressou depois na carreira diplomática como auxiliar de consulado, servindo em Trieste, Itália, entre janeiro de 1931 e agosto de 1932. Licenciado entre novembro de 1932 e junho de 1933, neste último mês voltou ao serviço ativo, ficando à disposição do Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, até fevereiro de 1934. Promovido a cônsul de terceira classe naquele mesmo mês, serviu no Ministério da Guerra entre março de 1935 e janeiro de 1936.

Nesse período foi acusado de participação na Revolta Comunista de 1935, movimento armado deflagrado no final de novembro em Natal, Recife e Rio de Janeiro, rapidamente dominado pelas forças fiéis ao governo do presidente Getúlio Vargas. A principal prova de seu envolvimento no levante foram duas cartas de sua autoria, datadas de 20 de setembro e de 14 de novembro de 1935, e apreendidas na ocasião. Endereçadas a Luís Carlos Prestes, um dos organizadores da revolta, nelas Luís Gonzaga oferecia sua colaboração ao movimento. Em fevereiro de 1936 teve sua prisão pedida — juntamente com a do coronel Filipe Moreira Lima, Maurício de Lacerda, Anísio Teixeira, Eliéser Magalhães, Odilon Batista e Pedro Ernesto Batista, prefeito do Distrito Federal — pela Comissão de Repressão ao Comunismo, órgão criado no mês anterior e ligado ao Ministério da Justiça. Detido pouco depois, foi colocado em disponibilidade inativa em setembro seguinte, o que significou virtualmente a paralisação da sua carreira diplomática. Em julho de 1937, julgado pelo Tribunal de Segurança Nacional, integrando o segundo grupo de indiciados na Revolta Comunista, foi absolvido, ao lado de Odilon Batista, Maurício de Lacerda, Raul Ryff, Valério Konder e João Batista Barreto Leite Filho.

Asilado na embaixada do México, seguiu depois para o exílio na Europa e, mais tarde, nos Estados Unidos e na Argentina. Beneficiado pela anistia decretada por Vargas em abril de 1945 — em pleno processo de desintegração do Estado Novo (1937-1945) — regressou ao Brasil. Através do Decreto nº 7.950, de 11 de novembro de 1945, foi tornada sem efeito sua disponibilidade inativa, sendo assim reiniciada sua carreira diplomática.

Pelo mesmo decreto, com efeito retroativo, foi promovido a cônsul de segunda classe, com data de 26 de julho de 1936. Cônsul de primeira classe em dezembro de 1945, serviu em Antuérpia, Bélgica, entre janeiro de 1946 e junho de 1947, e no mês seguinte foi transferido para Nova Orleans, nos Estados Unidos, onde permaneceu até julho de 1948. Em seguida, já como cônsul, serviu em Calcutá, Índia, entre setembro de 1948 e agosto de 1950, e no final desse ano foi deslocado para Berna, na Suíça. De volta ao Brasil em janeiro de 1951, ficou lotado na Secretaria do Ministério das Relações Exteriores. Nesse órgão exerceu os cargos de chefe da Divisão de Material e da Divisão do Orçamento. Nesse período foi promovido a cônsul-geral, em abril de 1953. Retornando ao serviço no exterior, serviu em Rotterdã, Holanda, entre agosto de 1953 e abril de 1956 e, nesse mesmo mês, foi transferido para Liverpool, na Inglaterra, permanecendo no posto até outubro de 1957. Sua missão seguinte foi em Assunção, no Paraguai, onde serviu de janeiro de 1958 a fevereiro de 1962, quando foi transferido para a Secretaria do Itamarati, onde ficou até abril de 1964. Ainda nesse ano, cursou a Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio.

Assumiu a chefia do consulado brasileiro em Hamburgo, na Alemanha Ocidental, em maio de 1965, e mais tarde foi designado para servir em Kobe, no Japão, onde permaneceu até outubro de 1967.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de outubro de 1967.

Foi casado com a norte-americana Margareth Lins de Barros, com quem teve dois filhos. Contraiu segundas núpcias com Mariana Aquino Lins de Barros.

 

FONTES: CARONE, E. República nova; ENTREV. BARROS, H.; MIN. REL. EXT. Anuário (1964); PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1931; SILVA, H. 1937.

 

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