Berta Maria Júlia Lutz

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Nome: LUTZ, Berta
Nome Completo: Berta Maria Júlia Lutz

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

LUTZ, Berta

*dep. fed. DF 1935-1937.

 

Berta Maria Júlia Lutz nasceu na cidade de São Paulo no dia 2 de agosto de 1894, filha de Adolfo Lutz e de Amy Fowler Lutz, de nacionalidade inglesa. Seu pai, médico e cientista, foi fundador da medicina tropical e da zoologia médica no Brasil, além de diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo, que hoje leva seu nome.

Fez os primeiros estudos na capital paulista, tendo realizado os cursos secundário e superior na França. Formou-se em botânica, ciências naturais, zoologia, embriologia, química e biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, a Sorbonne, em 1918. Durante sua permanência na Europa entrou em contato com o movimento feminista inglês.

Em 1918 ingressou como tradutora no setor de zoologia do Instituto Osvaldo Cruz no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde trabalhava seu pai, inscrevendo-se no ano seguinte num concurso para o cargo de secretária do Museu Nacional. Aprovada, foi a segunda mulher a ingressar nos quadros do serviço público brasileiro, tornando-se mais tarde naturalista da seção de botânica da mesma instituição.

Em 1919, por ocasião do movimento liderado pelo senador Justo Leite Chermont a favor do voto feminino, fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, apoiando e assumindo a liderança de sua campanha. No ano seguinte foi nomeada pelo barão de Ramiz Galvão para o cargo de inspetora do ensino secundário, atuando no Ginásio Masculino de Lorena, em São Paulo. Em 1922 representou o Brasil na assembléia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos Estados Unidos, ocasião em que foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-americana.

Ao retornar ao Brasil, fundou a Federação Brasileira para o Progresso Feminino, que substituiu a Liga de 1919, dando início à luta pelo direito de voto para as mulheres. Sob sua presidência (1922-1942), essa organização congregou as diversas associações estaduais e nacionais femininas. Ainda em 1922, como delegada do Museu Nacional ao Congresso de Educação, conseguiu a admissão de meninas no externato do Colégio Pedro II. Em 1923 participou da Conferência Internacional da Mulher, realizada em Roma, sendo nesse mesmo ano condecorada pelo governo belga pelo estudo que realizou, em comissão do Ministério da Agricultura, sobre a difusão de conhecimentos domésticos e agrícolas junto à população rural. Dois anos depois esteve na Conferência Pan-Americana da Mulher, reunida em Washington.

Apoiou o projeto do governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine de Faria (1928-1930), a favor do voto feminino, concedido nesse estado — o primeiro a fazê-lo em 1928. No ano seguinte participou da Conferência Internacional da Mulher, em Berlim, e, pouco após regressar ao país, fundou a União Universitária Feminina. Em 1932 criou a Liga EIeitoral Independente, voltando em 1933 a representar o Brasil na VII Conferência Pan-Americana da Mulher, realizada em Montevidéu. Ainda em 1933, fundou a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas, bacharelando-se também pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

No pleito de outubro de 1934 candidatou-se na legenda do Partido Autonomista do Distrito Federal à Câmara dos Deputados, representando a Liga Eleitoral Independente, ligada ao movimento feminista. Obteve a primeira suplência e, em julho de 1936, ocupou uma cadeira na Câmara em virtude da morte do titular, deputado Cândido Pessoa. Em sua atuação parlamentar lutou pela mudança da legislação referente ao trabalho da mulher e do menor, propondo a igualdade salarial, a isenção do serviço militar feminino, a licença de três meses à gestante sem prejuízo de vencimentos e a redução da jornada de trabalho, então de 13 horas. Elaborou ainda projetos para o combate à lepra e à malária no Rio de Janeiro. Permaneceu na Câmara até novembro de 1937, quando, com a implantação do Estado Novo, foram dissolvidos todos os órgãos legislativos do país.

Em dezembro do mesmo ano assumiu interinamente a chefia do setor de botânica do Museu Nacional, sendo efetivada no cargo em fevereiro de 1938. Representou o Brasil junto ao Escritório Internacional do Trabalho por ocasião de uma conferência na Filadélfia, nos Estados Unidos, tendo atuado ainda numa comissão da Liga das Nações sobre as condições de trabalho feminino. Foi aposentada compulsoriamente do Museu Nacional em 1964.

Em 1975 — Ano Internacional da Mulher — integrou a delegação brasileira à Conferência Mundial da Mulher, promovida no México pela Organização das Nações Unidas (ONU), participando como delegada titular do Brasil da Comissão Interamericana de Mulheres.

Foi membro de diversas associações, entre as quais a Sociedade Internacional das Mulheres Geógrafas, a Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino e Igualdade Política entre Sexos — cuja diretoria integrou —, a Comissão Feminina Consultiva do Trabalho da Mulher, o Escritório Internacional do Trabalho, da Sociedade das Nações, em Genebra, na Suíça, Escritório Internacional de Proteção à Natureza e o Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 16 de setembro de 1976.

Além de diversos artigos escritos para periódicos nacionais e estrangeiros e da colaboração que prestou ao Boletim da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e aos Arquivos do Museu Nacional, publicou: Índice dos Arquivos do Museu Nacional, I-XXII, 1876-1919 (1920), A nacionalidade da mulher casada (1933), Brazilian species of hyla (l973), O papel educativo dos museus modernos, O ensino doméstico nos Estados Unidos, Treze princípios básicos; sugestões ao anteprojeto da Constituição, O trabalho feminino; a mulher na ordem econômica e social, Estatuto da mulher e Estudos sobre a biologia floral da Mangifera indica L.

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; BITTENCOURT, A. Dic.; Ciência e Cultura (12/76); Diário do Congresso Nacional; Folha de S. Paulo (17/9/76); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (20/12/73 e 17/9/76): Jornal do Comércio, Rio (1/7/33); MELO, L. Dic.; SILVA, H. 1934; SILVA, H. 1937; VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

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