BEZERRA, FERNANDO

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Nome: BEZERRA, Fernando
Nome Completo: BEZERRA, FERNANDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BEZERRA, Fernando

* sen. RN 1995-  ; pres. CNI 1995-1998.

 

                Fernando Luís Gonçalves Bezerra nasceu em Santa Cruz (RN) no dia 20 de fevereiro de 1941, filho de João Bianor Bezerra e de Hermila Gonçalves Bezerra.

Cursou a Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde em 1963 foi vice-presidente do diretório acadêmico Ferro Cardoso. Em 1965 tornou-se vice-presidente do diretório central dos estudantes da UFRN, época em que se formou engenheiro civil. No ano seguinte foi para os Estados Unidos, onde fez pós-graduação em engenharia econômica e administração de negócios na Universidade de Utah.

                De volta ao Brasil, em 1966 ingressou como engenheiro no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Rio Grande do Norte. No ano seguinte, assumiu a direção-geral do DER, cargo que acumulou com a chefia da Divisão de Planejamento do órgão, onde ficaria até 1971. Ainda em 1967 tornou-se membro do Conselho Rodoviário estadual e, no ano seguinte, assumiu a presidência do Clube de Engenharia de seu estado.

                Foi responsável técnico por projetos e obras executados pela Ecocil - Empresa de Construções Civis Ltda., empresa de sua propriedade, a partir de 1971, no Rio Grande do Norte, no Distrito Federal, em Pernambuco, na Paraíba, no Ceará, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Goiás e em Alagoas.

                Em 1979 foi eleito presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, cargo que ocuparia até 1994, e que acumulou com a presidência dos conselhos regionais do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), além de participar do Conselho Superior do Instituto Euvaldo Lódi, da Confederação Nacional da Indústria. Em 1980, tornou-se diretor e primeiro-tesoureiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI), funções que desempenharia até 1995. No período 1981-1990, foi ainda membro do Conselho de Administração do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), representando as classes empresariais da região. 

                Em outubro de 1990, elegeu-se suplente de senador pelo Rio Grande do Norte na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), na chapa que teve como titular Garibaldi Alves Filho. Em janeiro de 1995 assumiu o mandato, em virtude de Garibaldi ter sido empossado no governo do estado. No Senado, foi membro titular da Comissão de Assuntos Econômicos e da Comissão de Serviços de Infra-estrutura, e suplente da Comissão de Assuntos Sociais e da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

                Entre maio de 1995 e junho de 1996 participou intensamente dos trabalhos da Comissão de Assuntos Econômicos, tendo sido relator do projeto de lei sobre propriedade industrial, a chamada Lei de Patentes. Bezerra esteve no centro dos debates sobre o assunto, por ter proposto alterações ao projeto do senador paraibano Nei Suassuna (PMDB), aprovado na Comissão de Constituição e Justiça. As alterações propostas por Bezerra no substitutivo incluíam o pipeline, um mecanismo de patenteamento retroativo para produtos farmacêuticos, alimentícios e de química fina, que, até então, não eram patenteados no Brasil. Dessa forma, evitavam-se retaliações comerciais por parte do governo norte-americano. Em contrapartida, o substitutivo foi alvo de protestos dos representantes da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac) e do representante da Associação Brasileira de Química Fina (Abifina), que advertiram que a adoção do pipeline traria prejuízos financeiros e provocaria o fechamento de indústrias do ramo. Depois de passar por todos os trâmites, o substitutivo, apoiado pelo governo, foi aprovado em votação simbólica no Senado.

                No segundo semestre de 1995 Bezerra lançou sua candidatura à presidência da CNI. Entre os compromissos assumidos na campanha, ressaltou a disposição de ampliar a participação da entidade na discussão sobre as reformas no Congresso, enfatizando a necessidade de uma reforma tributária urgente. Eleito para o período 1995-1998, tomou posse em outubro de 1995, substituindo Mário Amato. Na ocasião, assumiu o compromisso de lutar pelo aumento da representatividade da CNI, buscando tornar-se, enquanto presidente da entidade, um interlocutor junto ao governo federal na formulação de políticas ligadas à atividade industrial. Por força do cargo, assumiu também a presidência do Conselho Nacional do Senai e do Departamento Nacional do Sesi, assim como a presidência do Conselho Superior do Instituto Euvaldo Lódi.

                Em maio de 1996 reuniu cerca de 2.500 empresários em Brasília para entregar ao presidente da República o documento intitulado “Brasil indústria, competitividade para crescer”, que reunia as principais reivindicações dos empresários. Em declaração à imprensa, Bezerra posicionou-se favoravelmente ao plano de estabilização econômica do governo Fernando Henrique Cardoso - o Plano Real -, mas reclamou do governo maior empenho para promover uma queda mais vigorosa nas taxas de juros, em benefício das empresas nacionais.

                No mês de maio de 1998 afastou-se de suas atividades como presidente da CNI para dedicar-se à sua campanha para a reeleição ao Senado. Foi substituído no cargo por João Artur Donato. Em outubro de 1998, reelegeu-se senador pelo PMDB, tendo iniciado o novo mandato em fevereiro do ano seguinte.

                Empresário do setor da construção civil em Natal, tornou-se proprietário de um shopping center na capital potiguar e, também, de uma firma mineradora de xilita (tungstênio) e de outra exploradora de ouro.

                Casou-se com Cândida Maria de Araújo Bezerra, com quem teve quatro filhos.

 

Libânia Xavier

 

FONTES: Estado de São Paulo (29/5, 8/6, 1 e 10/10/95, 19/5/96, 27/5/98); Globo (30/5/95); Jornal do Brasil (1/3 e 19/10/96).

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