BLOCH, ADOLFO

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Nome: BLOCH, Adolfo
Nome Completo: BLOCH, ADOLFO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BLOCH, ADOLFO

BLOCH, Adolfo

*jornalista.

 

Adolfo Bloch nasceu em Jitomir, a 120 quilômetros de Kiev, capital da Ucrânia, no dia 8 de outubro de 1908, filho de Joseph e Ginda Bloch, de origem judaica. Seu pai era dono de uma litotipografia e orientou os três filhos homens, Adolfo, Arnaldo e Bóris, nas artes gráficas. Ainda criança, Adolfo trabalhou como auxiliar na produção de folhetos de propaganda para a Revolução Russa de 1917, além de imprimir papel-moeda para o governo provisório de Aleksandr Fedorovich Kerenski.

Em função da instabilidade política gerada pela revolução e das crescentes perseguições aos judeus em Jitomir, a família mudou-se para Kiev, onde Adolfo, além de trabalhar vendendo libretos de ópera, passou a freqüentar uma escola comercial. Lá foram novamente vítimas de pogroms, ataques de cossacos aos judeus. As dificuldades financeiras aumentaram com a desapropriação, pelo governo, da litotipografia de Joseph. Em meados de 1921, os Bloch decidiram emigrar. A partir de um contato com um tio residente na Bahia, passaram pela Itália, onde permaneceram dois meses no porto de Nápoles vivendo com grandes dificuldades, e em dezembro embarcaram na terceira classe do navio Re d’Italia rumo ao Brasil. O intuito inicial da viagem era juntar algum dinheiro e conseguir vistos para os Estados Unidos. Chegando ao Rio de Janeiro no início de 1922, a família estabeleceu-se em Aldeia Campista, na Zona Norte da cidade, e optou por permanecer no Brasil.

Com os poucos recursos que trouxe da Rússia, Joseph Bloch montou uma pequena gráfica, com máquinas impressoras manuais, para a qual Adolfo trabalhava procurando encomendas no comércio. Estudando à noite no Colégio Pedro II, já nessa época começou a freqüentar redações de jornais do Rio, onde travou contato com jornalistas e escritores. Seu primeiro grande negócio, que tornou conhecida a gráfica dos Bloch, foi a impressão de papel de seda especial para embalar laranjas para exportação. Com os lucros daí provenientes, comprou sua primeira casa, em Copacabana. Depois da morte do pai, assumiu junto com os dois irmãos o comando da gráfica. Em 1931, naturalizou-se brasileiro. Em 1939, inaugurou a primeira sede própria da gráfica, na rua Frei Caneca. Na mesma ocasião, iniciou as obras de construção de um parque gráfico em Parada de Lucas.

Em 1951, teve a idéia de criar um revista semanal ilustrada do tipo Paris-Match e para isso comprou novas máquinas, instalando a redação na sede da rua Frei Caneca. Enfrentou a resistência de todos, inclusive dos irmãos, que consideravam impossível competir com a revista O Cruzeiro, dos Diários Associados, líder absoluta do mercado editorial da época com uma tiragem semanal média de cerca de quinhentos mil exemplares. Em 26 de abril de 1952, foi para as bancas o primeiro número da revista Manchete, que, embora enfrentasse dificuldades em seus primeiros anos, reunia uma equipe de jornalistas de grande notoriedade, como Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Sérgio Porto, Oto Lara Resende, Fernando Sabino, entre outros.

Bloch foi um dos grandes incentivadores do governo do presidente Juscelino Kubitschek, defendendo especialmente a construção da nova capital. Foi graças à divulgação por ele promovida que o slogan “50 anos em cinco”, retirado de um discurso de campanha de Juscelino, se tornou famoso como símbolo do governo JK. Foi também o primeiro a abrir um escritório jornalístico no Planalto Central, para onde enviou uma dupla de repórteres. Apostando no desenvolvimentismo do programa de metas de Juscelino e publicando reportagens sobre a construção de Brasília, a Manchete aumentou sua tiragem e seu volume de publicidade e, com a decadência de O Cruzeiro, tornou-se a primeira revista brasileira. Aproveitando a situação favorável, Bloch reequipou seu parque gráfico e criou novas revistas, como Fatos e Fotos, Jóia, Pais e Filhos, Ele e Ela, Desfile, Amiga, Sétimo Céu e outras. Tornou-se amigo íntimo de Juscelino e, quando este foi cassado e exilado pelo regime militar em junho de 1964, desconsiderou a proibição de que seu nome recebesse qualquer menção na imprensa, continuando a promover publicamente a defesa do ex-presidente, de quem editaria as memórias em três volumes.

Embora mantivesse sua fidelidade a JK, Bloch apoiou a ideologia do “Brasil Grande” promovida pelo regime militar instaurado em 1964. Em novembro de 1968, inaugurou a nova sede de sua editora na praia do Russel, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, projetada por Oscar Niemeyer, onde funcionariam, além das redações do grupo, as emissoras de FM e AM, o Museu de Arte Brasileira e o Tea- tro Adolfo Bloch, inaugurado em 1973. Do saguão do prédio da Manchete sairia, em 22 de agosto de 1976, o enterro do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Durante o governo estadual do brigadeiro Faria Lima, de 1975 a 1979, Bloch foi nomeado presidente da Fundação dos Teatros do Estado do Rio de Janeiro (Funterj). No desempenho dessa função, promoveu a restauração dos teatros Municipal e João Caetano e construiu, em tempo recorde, o Teatro Vila-Lobos.

Em 1978, recebeu o título de doutor honoris causa, em cerimônia realizada pelo Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, do qual era colaborador. No mesmo ano, em homenagem aos seus 70 anos, foi publicado, por iniciativa de amigos, um livro com artigos que escrevera para a revista Manchete na década de 1970, intitulado O pilão. Um segundo volume desse livro seria editado dez anos depois.

Em 12 de setembro de 1982, data em que o ex-presidente Juscelino completaria 79 anos, inaugurou em Brasília o Memorial JK, projetado por Oscar Niemeyer e construído, sob seu comando, a partir de doações.

Em junho de 1983, inaugurou a Rede Manchete de Televisão, com estações próprias nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza, além de 40 afiliadas pelo território nacional. Menos de dez anos depois a rede estaria mergulhada em graves dificuldades financeiras, a tal ponto que, em junho de 1992, devido ao acúmulo de dívidas, 49% de suas ações foram vendidas. O comprador foi Hamílton Lucas de Oliveira, do grupo Indústria Brasileira de Formulários (IBF), que seria acusado de comprar a empresa num acerto com o esquema de corrupção que envolveu o ex-tesoureiro de campanha do presidente Fernando Collor de Melo, Paulo César Farias.

Sem receber seus salários desde dezembro de 1992, os funcionários da Manchete entraram em greve no início de 1993 e, em março, chegaram a ocupar a sede da emissora, paralisando por algumas horas a programação. Na ocasião, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) manifestou interesse na compra da rede.

Alegando que Hamílton Lucas de Oliveira não cumprira a cláusula do contrato que previa o pagamento das dívidas da empresa, Bloch requereu na justiça a anulação da venda à IBF. Em abril, obteve liminar que lhe permitiu retomar o controle da emissora, dando início a uma disputa judicial pela posse integral da rede. No mês seguinte, o Banco do Brasil começou a investigar suas contas e as acusações de que teria emitido grande número de cheques sem fundo e duplicatas frias.

Embora conseguisse normalizar a folha de pagamentos da TV Manchete, Bloch continuou a enfrentar sérias dificuldades para equilibrar receita e despesa, o que gerava constantes problemas na programação da rede. Em maio de 1995, a emissora teve equipamentos de estúdio arrestados pelo Banco do Brasil como garantia do pagamento de dívidas.

Em 19 de novembro de 1995, Adolfo Bloch faleceu de embolia pulmonar e disfunção da válvula mitral, aos 87 anos, ao submeter-se a uma cirurgia cardíaca no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

Foi casado com Luci Mendes e com a apresentadora Ana Bentes. Não teve filhos. Seu sucessor nos negócios foi o sobrinho Pedro Jaques Kapeller, que ocupava a vice-presidência das empresas Bloch.

Entre os muitos títulos honoríficos que recebeu, figuram a Legião de Honra da França, a Ordem do Mérito Militar, a Ordem do Mérito do Congresso Nacional, a Ordem Nacional do Mérito Industrial e a Ordem do Mérito Judaico. Foi agraciado com vários prêmios, como o de Benemérito da Comunicação em 1971, Prêmio Mascate em 1977, Empresário Nacional em 1983, Personalidade Brasil-Israel em 1982 e Publicitário do Ano em 1987.

Simone Kropf

 

 

FONTES: Estado de S. Paulo (20/11/95); Folha de S. Paulo (20/11/95); Jornal do Brasil (20/4/86 e 20/11/95); Manchete (25/11/95); Meio e Mensagem (10/5/93); Veja (24/3, 7/4 e 26/5/93).

 

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