BOAVENTURA, SINVAL

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Nome: BOAVENTURA, Sinval
Nome Completo: BOAVENTURA, SINVAL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BOAVENTURA, Sinval

BOAVENTURA, Sinval

* dep. fed. MG 1967-1978.

 

Sinval Boaventura nasceu em Rio Paranaíba (MG), então distrito de São Gotardo, no dia 12 de julho de 1923, filho do proprietário rural Vigilato Gonçalves Boaventura e de Maria do Amor Divino Rocha.

Realizou o curso secundário no Ginásio São Geraldo, em sua cidade natal. Em 1947, nomeado pelo governador Milton Campos (1947-1951), assumiu a prefeitura de Rio Paranaíba. Filiado à União Democrática Nacional (UDN), foi reconduzido ao cargo em outubro de 1950, desta vez eleito diretamente. Encerrou o seu mandato em 1954 e, quatro anos depois, tornou-se delegado de polícia em Arapuá (MG), função que exerceu até 1959.

Proprietário agrícola em Minas e Goiás, participou do processo de construção da nova capital do país, Brasília, montando uma firma que alugava tratores e máquinas às empreiteiras. De volta a Minas Gerais, elegeu-se deputado estadual pela UDN no pleito de outubro de 1962, assumindo o mandato em fevereiro seguinte.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional no 2 (AI-2), de outubro de 1965, e a conseqüente instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instalado após o golpe a deposição do presidente João Goulart (31/3/1964). Como deputado estadual, presidiu a Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas da Assembléia mineira e integrou as comissões de Finanças e Orçamento e Tomada de Contas, de Assuntos Municipais e Interestaduais e de Segurança Pública.

Em novembro de 1966, elegeu-se deputado federal por Minas Gerais pela legenda da Arena, iniciando o mandato em fevereiro de 1967, após deixar a Assembléia mineira. Reeleito em novembro de 1970, pela mesma legenda, integrou durante a nova legislatura as comissões de Transportes, Comunicações e Obras Públicas, Especial para Integração dos Povos da Comunidade de Língua Portuguesa e de Segurança Nacional da Câmara, tendo sido ainda suplente da Comissão de Agricultura e Política Rural. Foi delegado à I Conferência de Reforma Agrária e Colonização da América Latina, realizada em 1972 na Colômbia.

Em novembro de 1974, já no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), voltou a eleger-se deputado federal por Minas Gerais, sempre pela legenda arenista, tornando-se presidente da Comissão de Segurança Nacional e permanecendo como suplente na Comissão de Agricultura e Política Rural. Seu terceiro mandato foi marcado por pronunciamentos no plenário da Câmara que receberam grande cobertura da imprensa. Em outubro de 1976, acusou o ministro da Indústria e Comércio, Severo Gomes, de ter tendências “socialistas e estatizantes”, contrárias aos “objetivos permanentes da Revolução de 1964”, e de fazer, juntamente com o senador Roberto Saturnino Braga, do partido oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o jogo das esquerdas. Suas críticas estenderam-se ao ministro das Relações Exteriores, Antônio Azeredo da Silveira, que estaria imprimindo à política externa brasileira certa independência face aos Estados Unidos.

Em dezembro de 1976, deixou clara sua discordância em relação à orientação política do governo Geisel e da direção da Arena, fazendo pronunciamentos que o levaram a ser considerado como um dos principais porta-vozes dos grupos políticos e militares contrários ao processo de liberalização institucional em curso no país. Apesar das evidências, desmentiu manter qualquer ligação com setores militares descontentes, especialmente com o ministro do Exército, general Sílvio Frota, tido como um dos líderes da ala radical de direita das forças armadas. Como reflexo de suas críticas ao governo, foi afastado, em março de 1977, da Comissão de Segurança Nacional pelo líder da Arena na Câmara, deputado José Bonifácio, passando a integrar a Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas.

No final de maio, seu nome voltou aos jornais. Na ocasião, acusava o deputado federal Marcos Tito, do MDB mineiro, de ter lido no plenário da Câmara, no dia 24 daquele mês, um discurso que utilizava trechos de um manifesto publicado no jornal A Voz Operária, órgão do proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ainda em maio, afirmou que o país vivia um clima político semelhante ao de 1968, que levara à edição do Ato Institucional no 5 (AI-5), e acusou “uma parte do MDB” de “radicalizar posições, imaginando ter condições de derrubar o regime”. Em 14 de junho, o presidente Geisel, lançando mão do AI-5, cassou o mandato do deputado Marcos Tito e suspendeu seus direitos políticos por dez anos.

Em entrevista concedida em junho de 1977 ao semanário Isto É, Boaventura admitiu estar apoiando a candidatura do general Sílvio Frota à sucessão de Geisel, tema que vinha sendo discutido no Congresso apesar da oposição da direção nacional da Arena, que julgava o debate prematuro. Em agosto seguinte, referindo-se à questão sucessória, declarou que se sujeitaria às deliberações da Arena, mas manifestou-se contrário à aventada candidatura do general Dilermano Monteiro, comandante do II Exército, sediado em São Paulo, por julgá-lo complacente com as esquerdas. No mesmo mês, criticou a proposta da oposição de se restaurar o estado de direito no país através da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Sinval não admitia a revogação, mesmo parcial, do AI-5. Ainda em agosto, Sinval Boaventura foi objeto de denúncia apresentada à comissão parlamentar de inquérito que investigava irregularidades no sistema fundiário do país. Era acusado pelo deputado estadual Alziro Gomes, da Arena goiana, de praticar a grilagem em terras do norte de Goiás, usando de violência para expulsar cerca de duzentas famílias de posseiros.

Voltando ao tema da sucessão presidencial, Boaventura informou, em setembro, que havia na Câmara cerca de 40 deputados arenistas favoráveis à candidatura Sílvio Frota, entre os quais José Wilson Siqueira Campos, de Goiás, Alexandre Machado, do Rio Grande do Sul, Sílvio Venturoli, de São Paulo, e Carlos Alberto de Oliveira, de Pernambuco. No início de outubro, os parlamentares integrantes do chamado esquema “frotista” reuniram-se com o general da reserva Jaime Portela, ex-chefe do Gabinete Militar no governo marechal Artur da Costa e Silva (1967-1969) e encarregado de estabelecer ligações entre militares e políticos no sentido de fortalecer a candidatura Frota. Ficou estabelecido na reunião que os deputados se revezariam na tribuna da Câmara em sucessivos discursos destinados a manter vivo o nome de Frota para a sucessão presidencial. No dia 12 de outubro, culminando uma série de atritos e discordâncias entre o ministro do Exército e o presidente da República, Frota foi demitido do cargo. Boaventura acatou publicamente a decisão de Geisel e daí em diante passou a defender a antecipação da eleição presidencial indireta de 15 de outubro para 15 de março de 1978 a fim de que o futuro presidente pudesse mais rapidamente promover a reforma política e a instauração do pluripartidarismo, questões que vinham sendo debatidas no Congresso.

Após um encontro com o general Golberi do Couto e Silva, considerado o ideólogo e a “eminência parda” do regime, anunciou, em maio de 1978, que não concorreria à reeleição em novembro seguinte, esclarecendo que sua decisão de deixar a política não tinha qualquer relação com o “caso Frota” e que naquele momento apoiava o candidato oficial à sucessão de Geisel, general João Batista Figueiredo. Em outubro de 1978, renunciou ao mandato de deputado federal para tornar-se diretor da Carteira de Câmbio do Banco do Estado de Minas Gerais S. A. Secretário de Governo de Goiás nos meses de março e abril de 1983, nesse último mês, foi nomeado, pelo governador Ari Valadão, presidente da Caixa Econômica de Goiás, cargo que ocupou até março de 1983. Nesse ano, desligou-se do Partido Democrático Social (PDS), agremiação que deu continuidade à linha de atuação da Arena, após a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979.

Radicado em Goiás, afastou-se da vida pública, dedicando-se às atividades de agricultor e pecuarista desenvolvidas em fazendas de sua propriedade, localizadas nos municípios de Itapuranga e Goiás.

Em outubro de 1992, voltou ao cenário político, elegendo-se prefeito de Itapuranga pela legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Exerceu o mandato de 1993 a 1996. Nesse período, em 1993, deixou o PST e ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em 1999, mudou uma vez mais de legenda, filiando-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB).

Casou-se com Odete Maria da Conceição, com quem teve quatro filhos.

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; CURRIC. BIOG.; Folha de São Paulo (31/10/76); Isto É (8/6/77); Jornal do Brasil (9/10 e 15/12/76, 27/5, 15, 24/8, 6/9 e 14/10/77, 10/5/78).

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