CANDIDO ANTONIO JOSE FRANCISCO MENDES DE ALMEIDA

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Nome: MENDES, Cândido
Nome Completo: CANDIDO ANTONIO JOSE FRANCISCO MENDES DE ALMEIDA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MENDES, CÂNDIDO

MENDES, Cândido

*dep. fed. RJ 1990-1991, 1997-1998.

Cândido Antônio José Francisco Mendes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 3 de junho de 1928, filho de Cândido Mendes de Almeida Júnior e de Emília Melo Vieira Mendes de Almeida. Seu tataravô, o Marquês do Paraná, foi um político de destaque durante o Segundo Reinado; seu bisavô, Cândido Mendes de Almeida, foi deputado federal pelo Maranhão (1843, 1850-1860 e 1869-1872) e senador, também durante o Segundo Reinado; e seu irmão, Luciano Mendes de Almeida, tornou-se bispo, secretário-geral (1979-1987) e presidente (1987-1995) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Por sua devoção à Igreja, seu bisavô recebeu um título papal de nobreza, o único título existente no Brasil que era passado hereditariamente para o filho mais velho. Cândido Mendes herdou este título, sem nunca tê-lo utilizado.

Realizando seus estudos básicos no Rio de Janeiro, bacharelou-se em direito e filosofia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), em 1950. Durante a graduação, militou no movimento estudantil, sendo eleito, em 1948, secretário-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1951 e 1952 cursou o doutorado em direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ainda em 1951 tornou-se professor assistente da PUC, onde viria a ser professor titular e chefe de departamento.

Durante a década de 1950 participou da fundação do Departamento de História do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), entidade de estudos sobre o desenvolvimento brasileiro criada sob os auspícios do Ministério da Educação. Em 1957 tornou-se professor da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas, onde lecionaria até 1962. Em 1961 assumiu o cargo de chefe de Assessoria Técnica do presidente Jânio Quadros (1961). Ainda neste ano foi fundador e presidente do Conselho Executivo do Instituto Brasileiro de Estudos Afro-Asiáticos e em 1962 tornou-se presidente da Sociedade Brasileira de Instrução (SBI), mantenedora das então chamadas Faculdades Cândido Mendes, instituição fundada em 1902. Ainda em 1962 passou a lecionar na Faculdade de Direito Cândido Mendes e na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro, funções que exerceria até 1970.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), Cândido Mendes empenhou-se em lutar, ao lado da Igreja Católica, na defesa de presos e perseguidos políticos, buscando o fim dos crimes políticos e a manutenção do Estado de direito. No ano seguinte promoveu, em sua residência, um encontro entre Robert Kennedy, irmão do ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy, e intelectuais brasileiros para discutir a violação de direitos humanos no Brasil. Em 1966 Cândido Mendes enviou ao Tribunal Regional Eleitoral uma carta-documento renunciando à sua candidatura à Câmara dos Deputados, na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar. A carta denunciava a impossibilidade da representação política diante das regras ditatoriais.

Em 1965 iniciou uma extensa atuação, que iria até 1971, como professor visitante em diversas universidades dos Estados Unidos, entre as quais Harvard, Princeton, Stanford e Colúmbia. Em 1968 tornou-se membro do Conselho de Cooperação Educacional com a América Latina do Education and World Affairs. Por sua adesão ao nacionalismo desenvolvimentista e pelas suas atuações no ISEB — fechado em 1964 pelo regime militar — e junto ao setor progressista do clero e da intelectualidade, ainda em 1968 foi identificado pelo Departamento de Operações Políticas e Sociais (DOPS) da Guanabara como membro do “comando intelectual” do movimento estudantil. Ao longo da década de 1970 seria mencionado em mais de 20 informes militares e policiais.

Em 1969 Cândido Mendes fundou o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), instituição que abrigou alguns professores e intelectuais impedidos de trabalhar, sob acusação, pelo regime militar, de serem subversivos. Ainda neste ano tornou-se subsecretário da CNBB e em 1971 passou a integrar, como membro, a Comissão Pontifícia de Justiça e Paz do Secretariado Leigo dedicado ao estudo do tema da Justiça do Sínodo Romano; e foi vice-presidente da Pax Romana. Em 1973 tornou-se membro do Conselho Executivo da Federação Internacional de Universidades Católicas e vice-presidente da International Political Science Association (IPSA), cargo que exerceria durante dois mandatos, até 1979. Entre 1974 e 1976 foi secretário do Grupo de Estudos Políticos do Centro Latino-Americano de Ciências Sociais.

Contando com o seu prestígio e suas conexões com a elite política e os vários círculos de oposição, já no início da década de 1970 foi um dos principais proponentes da “descompressão” ou liberalização política que desembocaria na política de abertura iniciada no governo do presidente Ernesto Geisel (1974-1979). Neste período, organizou diversos encontros entre intelectuais, sobretudo cientistas políticos americanos, e alguns membros do governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), tais como o ministro do Gabinete Civil, João Leitão de Abreu, e o ministro da Fazenda, Antônio Delfim Neto, para discussões sobre a liberalização do regime.

Em 1974 Cândido Mendes assumiu a presidência do Comitê de Programas do International Social Science Council (ISSC), entidade representativa das organizações não-governamentais de ciências sociais reconhecidas pela UNESCO. Em 1976 tornou-se membro do Conselho Diretor do International Institute for Education Planning (IIEP) e no ano seguinte assumiu a vice-presidência da ISSC, órgão que presidiria em 1981 e no qual seria reeleito para sucessivos mandatos até 1992. Em 1979 tornou-se presidente da IPSA, onde permaneceu até 1982. Entre 1981 e 1982 foi presidente da Associação das Mantenedoras de Ensino Superior Privado no Rio de Janeiro, da Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior Privado e do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Superior Privado no Rio de Janeiro.

No pleito de novembro de 1986 candidatou-se a uma cadeira na Câmara dos Deputados, na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que sucedeu o MDB, alcançando apenas uma suplência. Em 1988 foi fundador do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), formado por dissidentes do PMDB. No ano seguinte assumiu a cadeira 35 da Academia Brasileira de Letras (ABL) e tornou-se membro do Conselho da Universidade das Nações Unidas, sediada em Tóquio.

Em decorrência da licença de Jorge Leite para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa fluminense, Cândido Mendes assumiu o mandato na Câmara Federal em julho de 1990. Participou do projeto de facilitação das cassações de deputados por falta de decoro e crime. No pleito de outubro deste ano tentou a reeleição, mas obteve apenas a primeira suplência. Deixou a Câmara em fevereiro de 1991, ao final da legislatura.

Em 1992 tornou-se presidente do senior board do Conselho Superior de Ciências Sociais da UNESCO.

No pleito de outubro de 1994 candidatou-se novamente a deputado federal, sempre pelo PSDB, obtendo novamente apenas uma suplência. Em setembro de 1997 assumiu o mandato na Câmara, no lugar de Aírton Xerez, participando dos trabalhos legislativos como membro titular da Comissão de Constituição e Justiça. No mês seguinte pronunciou-se favorável à quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa. Com o retorno de Xerez, Cândido Mendes deixou a Câmara em janeiro de 1998. Nas eleições de outubro deste ano foi suplente de senador na chapa encabeçada pelo deputado federal Moreira Franco, do PMDB, que não foi eleita.

Em 1999 tornou-se reitor da Universidade Cândido Mendes e membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).

Em 2005, a Université de Paris III (Sorbonne Nouvelle) lhe concedeu o título de Docteur Honoris Causa; no mesmo ano, se tornaria membro da Academia Brasileira de Economia e da Comissão de Alto Nível da Aliança das Civilizações, função essa última exercida até 2006.

Recebendo o legado intelectual de Alceu Amoroso Lima, fundou, para a propagação das idéias e guarda da memória do pensador católico, o Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade. Tornou-se colaborador regular do Jornal do Brasil, da Folha de S. Paulo e do Jornal do Comércio.

Casou-se com Maria de Lurdes Melo Coimbra Mendes de Almeida, com quem  teve quatro filhos.

Publicou diversos livros, sobretudo na área de ciências sociais, dentre eles Perspectiva atual da América Latina (1959); Nacionalismo e desenvolvimento (1963); Memento dos vivos: a esquerda católica no Brasil (1966); Justice, faim de l’eglise (1977); Contestation et développement en Amerique Latine (1979); A inconfidência brasileira (1986); A democracia desperdiçada (1992); Collor anos luz, ano zero (1993); O vinco do recado (1996); A interpelação limite (1997); A presidência afortunada — depois do real, antes da social democracia (1999); O País da Paciência - Trégua e Alternativa (2000); Lula: a Opção Mais Que o Voto (2002); Lula et l'autre Brésil – Essais (2003). Lula, entre a Impaciência e a Esperança (2004); Lula depois de Lula (2005).

Marcelo Costa

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1826-1976 e 1991-1995); CURRIC. BIOG.; Folha de S. Paulo (5/2/98); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (23/7/90, 14/9/97); IHGB; SERBIN, K. Dialogue; Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Dicionário Biográfico.

http://www.ihgb.org.br/dicbio.php?id=00024 Acesso em 18/11/09.

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