Carlos Chagas

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Nome: CHAGAS, Carlos
Nome Completo: Carlos Chagas

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CHAGAS, Carlos

*jornalista.

Carlos Chagas nasceu em Três Pontas (MG), no dia 20 de maio de 1937, filho do comerciante Jaime Chagas e da professora Balbina Veloso Meinberg Chagas.

Em 1947, após o falecimento de sua mãe, mudou-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e aí permaneceu interno no Colégio São José até 1954. Em 1956 ingressou na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e um ano depois, após breve estágio no Jornal do Brasil, começou a trabalhar na reportagem geral do jornal O Globo por indicação de um amigo de seu pai que conhecia o jornalista Roberto Marinho. Conciliou o curso de direito com o emprego na redação, embora só tenha sido efetivamente contratado em 1959. Em 1960, ainda vinculado a O Globo, sob a orientação de Alves Pinheiro, seu chefe de reportagem na época, dedicou-se exclusivamente à cobertura da campanha do candidato à presidência da República Jânio Quadros, acompanhando sua comitiva em várias cidades do país.

Após concluir o curso universitário no final de 1960, trabalhou durante um ano e meio como jornalista e também como advogado de presos que cumpriam pena no presídio da ilha Grande (RJ). Em seguida prestou concurso para promotor público e foi designado para o município de Mendes (RJ), de onde foi transferido para São João da Barra (RJ). Diante da impossibilidade de acumular as atividades de promotor e jornalista, optou pelo jornalismo e ainda em 1962 foi promovido a editor político de O Globo, onde permaneceu até 1969. Em fins da década de 1960 acumulou três empregos: além de O Globo, tinha um programa de televisão noturno na TV Rio e trabalhava no palácio Guanabara como secretário de Imprensa do então governador Negrão de Lima, que conheceu ao cobrir o Partido Social Democrático (PSD) como editor político.

De maio a agosto de 1969 foi secretário de Imprensa do presidente Artur da Costa e Silva e, de agosto a outubro, da junta militar que o substituiu. No fim do ano, incentivado por Roberto Marinho, deu início a uma série de 20 reportagens, publicadas em O Globo e em O Estado de S. Paulo, sobre os acontecimentos políticos transcorridos durante o período de doença do presidente Costa e Silva. A série ganhou um Prêmio Esso de Jornalismo e deu origem a seu primeiro livro, 113 dias de angústia. Editada em dezembro de 1970 pela agência jornalística Image, a obra teve sua circulação proibida uma semana após o início de sua distribuição.

Devido à censura que suas últimas reportagens sofreram em O Globo, passou a trabalhar também na redação da revista Manchete. Mas aí também, por força da censura, não pôde fazer reportagens explicitamente políticas. Dedicou-se então a outros assuntos, como a implantação da rodovia Transamazônica ou a posse do presidente uruguaio Juan Maria Bordaberry, e realizou reportagens de caráter histórico, como a relativa à Revolução de 1930. Nos anos de 1970 e 1971 diminuiu sua freqüência em O Globo, embora continuasse colaborando no jornal.

As reportagens que escreveu levaram-no a manter contatos com a redação de O Estado de S. Paulo. Assim, a partir de janeiro de 1972, a convite de Fernando Pedreira, passou a trabalhar na sucursal desse jornal em Brasília, voltando a escrever sobre política. Deixou então definitivamente O Globo e a revista Manchete. Colaborou também em Última Hora, do Rio de Janeiro, entre 1973 e 1976.

Em outubro de 1977, como chefe da sucursal de O Estado de S. Paulo em Brasília, foi indiciado num inquérito policial-militar (IPM), com base na Lei de Segurança Nacional e na Lei de Imprensa, por ter-se negado a denunciar o autor da nota “Um risco de febre amarela após ocupação”, publicada no dia 7 de agosto, bem como os nomes de um professor e de um assessor parlamentar citados na matéria. A nota fazia referência ao “iminente risco de febre amarela na cidade, provocado pela queda de um recipiente com grande quantidade de mosquitos portadores da doença, acidente ocorrido durante a invasão da Universidade de Brasília por policiais”, conforme noticiou o Jornal do Brasil de 3 de outubro de 1977. No entanto, o IPM foi encaminhado à Justiça Militar e arquivado.

Em abril de 1988, por discordância com a nova geração da família Mesquita, demitiu-se de O Estado de S. Paulo. Segundo entrevista que concedeu ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc), negou-se na época a atender às exigências dos novos responsáveis pelo jornal, que pretendiam fazer mudanças na empresa, com reformas abruptas no quadro de jornalistas e a demissão de alguns profissionais considerados de “tendência esquerdista”. Além de O Estado de S. Paulo, 18 outros órgãos da imprensa brasileira publicaram seus trabalhos através da agência desse jornal paulista.

Ao deixar o Estadão, foi convidado por Adolfo Bloch e Pedro Jacques Kapeller para dirigir a sucursal da Rede Manchete de Televisão na capital federal. Tornou-se então diretor-geral e responsável pelos comentários políticos da rede e da revista Manchete.

Quando do lançamento do Plano Collor — plano econômico de combate à inflação posto em prática pelo governo de Fernando Collor de Melo logo após a posse, em 15 de março de 1990 —, passou quase 48 horas inteiras no ar, promovendo amplo debate sobre o confisco da poupança popular.

Fez a primeira entrevista de televisão com o recém-empossado presidente Itamar Franco em dezembro de 1992, inaugurando o programa O jogo do poder, com uma hora de entrevistas, aos domingos, pela Rede Manchete. Dirigiu também o debate entre os candidatos à presidência da República em 1994, promovido pela mesma rede e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e transmitido para todo o país.

Além de jornalista, tornou-se professor do Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília, onde a partir de 1978 passou a lecionar as disciplinas ética e legislação nos meios de comunicação e problemas sociais e econômicos contemporâneos, na graduação do curso de comunicação, e tópicos especiais, no curso de pós-graduação.

Em 1979, seu livro 113 dias de angústia teve uma segunda edição, a cargo da editora L&PM, e pôde circular livremente. Publicou, além disso, Resistir é preciso, coletânea de artigos escritos entre 1972 e 1974, A guerra das estrelas (1985), relato das sucessões presidenciais militares, e Revolução no Planalto (1988), sobre a volta da democracia ao país. Em 1995, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Casou-se com Enila Leite de Freire Chagas, com quem teve duas filhas.

FONTES: ENTREV. BIOG. (8/8/97); Jornal do Brasil (5/10/77); Pasquim (7/1/78); Visão (26/1/76).

 

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