CARVALHO, BENEDITO DE

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Nome: CARVALHO, Benedito de
Nome Completo: CARVALHO, BENEDITO DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARVALHO, BENEDITO DE

CARVALHO, Benedito de

*militar; rev. 1935.

Benedito de Carvalho cursou a Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, tendo sido designado, em janeiro de 1932, aspirante-a-oficial da arma de aviação. Promovido a segundo-tenente em novembro desse ano e a primeiro-tenente em dezembro do ano seguinte, servia no 1º Regimento de Aviação, no Campo dos Afonsos, quando, em novembro de 1935, participou do levante organizado pelo Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL). O movimento — deflagrado em Natal e em Recife nos dias 23 e 24 e aí em pouco tempo sufocado pelas forças legalistas — eclodiu no Rio de Janeiro no dia 27 no 3º Regimento de Infantaria (3º RI), na Praia Vermelha, e na Escola de Aviação Militar.

Comprometido com o movimento insurrecional desde sua fase conspiratória, Benedito de Carvalho foi avisado pelo capitão Agliberto Vieira de Azevedo do dia e da hora do início da operação na Escola de Aviação Militar. Na madrugada de 27 de novembro, ao lado do próprio capitão Agliberto, do capitão Sócrates Gonçalves da Silva e do tenente Ivan Ramos Ribeiro, foi um dos líderes do levante, sublevando a companhia de alunos da qual era instrutor. Resistiu por algumas horas ao fogo de artilharia da Vila Militar, próxima à escola, mas ainda na manhã do dia 27 rendeu-se com seus homens às tropas do governo, sendo feitos na ocasião 254 prisioneiros. Também no 3º RI, submetidos a intenso bombardeio terrestre, marítimo e aéreo, os revoltosos em pouco tempo se renderam.

Capturado e preso, Benedito de Carvalho teve sua patente militar cassada por decreto de dezembro de 1935, o mesmo ocorrendo com outros oficiais que participaram da Revolta Comunista em todo o país. Detido na Casa de Correção, recusou-se a ser sumariado por não reconhecer a constitucionalidade do Tribunal de Segurança Nacional (TSN) — órgão de exceção criado para julgar os inimigos do regime —, atitude que também assumiram outros líderes do movimento de novembro de 1935, como Sócrates Gonçalves, Herculino Cascardo e Benjamim Cabello. Em discussão com o juiz Carlos da Costa Neto, membro daquela corte, afirmou que o intuito dos presos, em sua recusa, era caracterizar a violência que lhes fora imposta. Em maio de 1937, foi condenado pelo TSN a dez anos de prisão.

Após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, Benedito de Carvalho, juntamente com um grande número de pessoas acusadas de pertencerem ao PCB, teve seus direitos políticos cassados em 20 de maio de 1966 com base no Ato Institucional nº 2, baixado em 27 de outubro do ano anterior.

FONTES: CAMPOS, R. Tribunal; CARNEIRO, G. História; Jornal do Brasil (21/5/66); MIN. GUERRA. Almanaque (1934); PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937; WANDERLEY, N. História.

 

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