CASTRO JUNIOR, JOAO CANDIDO PEREIRA DE

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Nome: CASTRO JÚNIOR, João Cândido Pereira de
Nome Completo: CASTRO JUNIOR, JOAO CANDIDO PEREIRA DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CASTRO JÚNIOR, JOÃO CÂNDIDO PEREIRA DE

CASTRO JÚNIOR, João Cândido Pereira de

*militar; rev. 1938.

 

João Cândido Pereira de Castro Júnior nasceu em Codó (MA) no dia 13 de março de 1880, filho de João Cândido Pereira de Castro e Idalina Pereira de Castro.

Sentou praça em junho de 1898, saindo alferes-aluno em fevereiro de 1903. Foi promovido sucessivamente a segundo-tenente em janeiro de 1907, a primeiro-tenente em outubro do ano seguinte e a capitão em dezembro de 1917. Nesse posto formou-se em engenharia, obtendo o título de bacharel em matemática e ciências físicas. Chegando a major em dezembro de 1922, alcançou a patente de tenente-coronel em junho de 1925 e a de coronel em fevereiro de 1929.

Por ocasião da Revolução de 1930, comandava o 9º Regimento de Artilharia Montada (9º RAM), sediado em Curitiba, tendo ficado ao lado das forças legalistas. Em 1934 passou ao comando do 6º RAM, em Cruz Alta (RS), sendo promovido em setembro desse ano a general-de-brigada.

Em novembro de 1935, por ocasião da revolta comunista deflagrada em Natal, em Recife e no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, estava servindo na capital do país. Comparecendo a uma reunião do Estado-Maior do Exército (EME) em dezembro seguinte, onde, ao examinar a situação política do país, o ministro da Guerra, João Gomes Ribeiro Filho, defendeu a necessidade de uma legislação mais severa para punir os crimes contra a segurança nacional, Castro Júnior insistiu na utilização dos meios previstos pela legislação vigente, mas concordou com a maioria dos oficiais presentes em apoiar o ministro no sentido de agir junto aos poderes competentes para que as punições se processassem o mais rápido possível. Respaldado na cúpula do Exército, o ministro João Gomes preparou então um esboço de projeto de lei a ser encaminhado ao presidente da República, Getúlio Vargas, determinando a expulsão do Exército de todos os oficiais envolvidos no levante de novembro, sem prejuízo de outras cominações legais.

Em maio de 1937, Castro Júnior opôs-se às medidas de intervenção militar no Rio Grande do Sul, planejadas pelo governo federal para eliminar a resistência do interventor José Antônio Flores da Cunha contra a política centralizadora de Vargas. Esse episódio resultou na renúncia de Flores da Cunha, em outubro desse mesmo ano, reforçando a perspectiva de um golpe de Estado e de cancelamento das eleições presidenciais marcadas para o ano seguinte.

Depois da implantação do Estado Novo em 10 de novembro de 1937 e o conseqüente fechamento de todos os órgãos legislativos e a extinção de todos os partidos políticos existentes no país, a Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de cunho fascista fundada em 1932 por Plínio Salgado, adotou uma política de confronto com Vargas, começando a preparar um golpe de Estado, apoiado também por outras correntes de oposição. Apesar de não pertencer aos quadros da AIB, Castro Júnior aderiu a esse projeto, juntamente com o coronel Euclides Figueiredo e o capitão Severo Fournier. Por indicação de Otávio Mangabeira, os conspiradores escolheram para chefe do movimento o general Castro Júnior, que, na época, servia no Departamento de Pessoal do Exército. Tudo indica, porém, que não teve participação destacada na trama conspirativa. Depois da primeira tentativa frustrada de golpe em março de 1938, no Rio de Janeiro, teria sido preso, mas libertado pouco depois. Segundo Hélio Silva, na mesma ocasião teria sido nomeado comandante da 3ª Divisão de Cavalaria, sediada em Bajé (RS). Entretanto, segundo John Foster Dulles, “retornou a seu posto no Exército, limitando-se a algumas palavras, sussurradas na igreja, os contatos que mantinha com os conspiradores”. Severo Fournier recordaria mais tarde que “o homem era uma verdadeira esfinge. Basta dizer que a ninguém era dado conhecer por sua boca um só nome de toda sua vasta rede revolucionária estendida do Norte ao Sul do país”.

Como chefe do movimento, Castro Júnior concordou com a eclosão do levante para o dia 11 de maio de 1938 e tentou, à última hora, obter o apoio do coronel Eduardo Gomes. Na data marcada, os integralistas tentaram o golpe de Estado, desfechando uma série de operações armadas no Rio de Janeiro. Castro Júnior permaneceu em sua residência, aguardando a notícia da prisão de Vargas para tomar posse como um dos membros da junta governativa que assumiria o poder. O principal episódio do levante foi o ataque ao palácio Guanabara, residência do presidente da República, onde, apesar da precária resistência legalista, o grupo comandado por Severo Fournier foi contido após algumas horas de luta.

Castro Júnior foi processado pelo Tribunal de Segurança Nacional (TSN), órgão de exceção criado pelo governo após a Revolta Comunista de 1935. Absolvido na primeira instância, foi condenado a um ano e nove meses de reclusão ao ser julgado na segunda instância pelo mesmo tribunal. Cumpriu a pena integralmente na fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Em outubro de 1938, ainda preso, foi reformado.

Após ser libertado, dedicou-se, entre outras atividades, à elaboração do projeto elétrico do Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ) e, no governo do presidente da República, marechal Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), ocupou a presidência das empresas jornalísticas Jornal A Noite e Rádio Nacional, de propriedade da União.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 30 de outubro de 1952.

Era casado com Teresa Delamonica Pereira de Castro, com quem teve seis filhos.

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; BROXSON, E. Plínio; CARNEIRO, G. História; CARONE, E. República nova; DULLES, J. Getúlio; INF. FAM. Fernando C. Barros; LAGO, L. Relação; MIN. GUERRA. Almanaque (1934-1937 e 1938); NASSER, D. Revolução; SILVA, H. 1930; SILVA, H. 1938.

 

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