CAVALCANTI, ODON BEZERRA

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Nome: CAVALCANTI, Odon Bezerra
Nome Completo: CAVALCANTI, ODON BEZERRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CAVALCANTI, ODON BEZERRA

CAVALCANTI, Odon Bezerra

*rev. 1930; const. 1934; dep. fed. PB 1935-1937; interv. PB 1946.

 

Odon Bezerra Cavalcanti nasceu em Bananeiras (PB) em 20 de maio de 1901, filho de Leopoldo Bezerra Cavalcanti, grande proprietário rural, e de Júlia Gabino Bezerra Cavalcanti. Seu primo Clóvis Bezerra Cavalcanti foi governador da Paraíba de maio de 1982 a março de 1983.

Fez os primeiros estudos em sua cidade natal, mudando-se depois para a cidade de Paraíba, atual João Pessoa, onde cursou o Colégio Diocesano Pio X e o Liceu Paraibano. Em 1919 matriculou-se na Faculdade de Direito de Recife e começou a trabalhar como inspetor federal de estradas. Foram seus contemporâneos na faculdade nomes que se tornariam líderes políticos e intelectuais de destaque na Paraíba, como Argemiro de Figueiredo, Álvaro Gaudêncio de Queirós, Osvaldo Trigueiro de Albuquerque Melo, José Marques da Silva Mariz e José Lins do Rego. Nos dois anos seguintes foi inspetor de obras contra as secas. Em 1922 ingressou na carreira militar, incorporando-se ao 21º Batalhão de Caçadores, em Recife. Transferiu-se em seguida para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, cursando, de março de 1923 a março de 1924, a Escola Militar do Realengo, da qual foi expulso por suspeita de envolvimento nas conspirações tenentistas contra o governo do presidente Artur Bernardes (1922-1926). Ainda na capital federal, concluiu seus estudos de direito na Universidade do Rio de Janeiro em dezembro de 1924.

Retornando à Paraíba, elegeu-se prefeito de Bananeiras, cargo que exerceu de abril de 1928 a fevereiro de 1929. Nesse ano aderiu à Aliança Liberal, que lançou a candidatura de Getúlio Vargas e João Pessoa — presidente (governador) da Paraíba — à eleição para a presidência e vice-presidência da República, marcadas para março do ano seguinte. Com a derrota dos aliancistas, passou a participar da conspiração liderada pela Aliança Liberal contra o governo do presidente Washington Luís. Ao lado dos tenentes Juarez Távora, Juraci Magalhães, Agildo Barata e de outros ex-colegas da Escola Militar e da Faculdade de Direito, trabalhou como elemento de ligação do Nordeste com o Sul, mantendo-se em contato com Osvaldo Aranha, João Alberto Lins de Barros, Osvaldo Cordeiro de Farias e outros chefes revolucionários. Na Paraíba, estabeleceu a comunicação entre os batalhões federais no interior.

Ao eclodir a revolução na Paraíba, em 4 de outubro de 1930, foi comissionado no posto de capitão, participando da tomada do 22º Batalhão de Caçadores. Com a rápida vitória dos revolucionários e a ascensão de José Américo de Almeida ao posto de governador-geral da Paraíba, em 12 de outubro foi nomeado secretário de Segurança, assumindo no dia seguinte. Nessa época, teve oportunidade de retornar à carreira militar, beneficiado pela anistia concedida pelo Governo Provisório de Getúlio Vargas aos envolvidos nas rebeliões tenentistas, mas recusou-a. Em 13 de fevereiro de 1931 deixou a Secretaria de Segurança e no mês seguinte foi nomeado secretário de Interior, Justiça e Instrução Pública do governo do interventor federal Antenor Navarro, e de maio a julho desse ano assumiu interinamente a interventoria.

Quando eclodiu a Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo, Odon Bezerra Cavalcanti, apoiando o governo federal e comissionado como tenente-coronel, organizou e comandou um batalhão da polícia paraibana contra os insurgentes. Em agradecimento aos serviços prestados, o governo federal deu-lhe o posto de tenente-coronel honorário da Polícia Militar.

Em maio de 1933, elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte pelo Partido Progressista da Paraíba. Em outubro de 1934 elegeu-se deputado federal para a legislatura ordinária iniciada em maio de 1935 e tornou-se membro das comissões de Legislação Social e de Reforma Ortográfica. Foram seus companheiros de bancada o ex-interventor Gratuliano da Costa Brito, José Gomes da Silva, que viria a ser também interventor, Heretiano Zenaide, José Pereira Lira, Samuel Duarte e Rui Carneiro. Exerceu seu mandato até 10 de novembro de 1937, quando a legislatura foi interrompida com o fechamento de todos os órgãos legislativos pelo golpe que instaurou o Estado Novo (1937-1945). No início de 1938 reabriu sua banca de advogado na capital paraibana e, em 1940, tornou-se advogado do Banco do Brasil em João Pessoa, função que exerceu até a morte.

Com a desagregação do Estado Novo em 1945, colaborou na organização do Partido Social Democrático (PSD) e apoiou  a candidatura de Eurico Gaspar Dutra à sucessão presidencial. Vitorioso o candidato do PSD em dezembro de 1945, foi nomeado, em 6 de fevereiro do ano seguinte, interventor federal na Paraíba, em substituição ao desembargador Severino Montenegro. As eleições para os governos estaduais teriam lugar em janeiro de 1947. Encontrando a Paraíba em grande crise financeira, pediu empréstimo à Caixa Econômica Federal, destinado à restauração dos serviços de água e eletricidade, à açudagem, à construção de prédios públicos e ao crédito agrícola. A iniciativa foi combatida pela oposição, que questionou o destino da verba e alertou sobre as conseqüências do empréstimo para os governos futuros.

Exonerado, a pedido, em 22 de setembro de 1946, pois precisava se desincompatibilizar do cargo para concorrer a mandato eletivo, elegeu-se, em janeiro do ano seguinte, deputado à Assembléia Constituinte da Paraíba pelo PSD. Assumindo em março seguinte, liderou a bancada do partido durante os trabalhos legislativos e integrou a comissão incumbida de organizar e instrumentalizar o projeto da nova Carta da Paraíba. Promulgada a nova Constituição estadual, em 11 de junho de 1947, e com a Constituinte estadual transformada em Assembléia Legislativa, teve o mandato prorrogado até o fim da legislatura, em janeiro de 1951. Mas licenciou-se do cargo para dar lugar ao primeiro suplente, João Luís de Luna Freire. Com a eleição do deputado Osvaldo Pessoa para a prefeitura de João Pessoa, em outubro de 1947, Luna Freire foi efetivado e Odon reassumiu sua cadeira no mês seguinte. Passou a integrar a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, da qual se tornou presidente. Permaneceu no exercício regular do mandato durante o ano de 1948, mas, em 1949, acometido de grave enfermidade, licenciou-se sucessivas vezes.

Faleceu em João Pessoa em 12 de agosto de 1949, em pleno exercício do mandato. Há uma rua na capital paraibana que leva o seu nome.

Era casado com Aline Cunha Bezerra Cavalcanti, com quem teve um filho.

Alan Carneiro atualização

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. PB. História; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. dep. seus componentes; CARNEIRO, G. História; Diário do Congresso Nacional; ENTREV. PEIXOTO, A.; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; NÓBREGA, A. Chefes; PINTO, L. Fundamentos; SILVA, H. 1930; TÁVORA, J. Vida.

 

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