CELSO COELHO BARROS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BARROS, Celso
Nome Completo: CELSO COELHO BARROS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BARROS, Celso

*dep. fed. PI 1975-1979 e 1983-1987.

 

Celso Barros Coelho nasceu em Pastos Bons (MA) no dia 11 de maio de 1922, filho de Francisco Coelho de Sousa e de Alcina Barros Coelho.

Mudou-se com pouca idade para o Piauí, onde cedo ficou órfão de pai. Vivendo com poucos recursos, cursou o primário de forma irregular. Foi seminarista por algum tempo, concluindo o curso ginasial no Liceu Piauiense e o clássico no Colégio São Francisco de Sales, ambos em Teresina. Ingressou em 1949 na Faculdade de Direito do estado e por ela se formou em 1953.

Professor, funcionário autárquico e advogado, ingressou na política filiando-se ao Partido Democrata Cristão (PDC), e nessa legenda elegeu-se deputado estadual no Piauí no pleito de outubro de 1962. Assumindo sua cadeira na Assembléia Legislativa em fevereiro do ano seguinte, tornou-se membro titular e depois presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Com a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), e a promulgação do Ato Institucional nº 1 no dia 9 de abril, no dia seguinte teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos. Em 1967, tomou posse na Academia Piauiense de Letras. Em 1970, atuou como advogado do ex-deputado Ezequias Costa no “processo do mapismo”, instaurado para apurar denúncias de fraudes nas eleições daquele ano no Piauí.

 Em novembro de 1974, após recuperar seus direitos políticos e se filiar ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar criado com a extinção dos partidos políticos pelo AI-2 (27/10/1965) e a instauração do bipartidarismo, embora tivesse seu nome cotado para a candidatura ao Senado, concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados e foi o único representante do partido oposicionista a se eleger no estado. Assumindo o mandato em fevereiro de 1975, tornou-se membro titular da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão do Polígono das Secas e, a partir de maio do ano seguinte, vice-líder da bancada oposicionista. No pleito de novembro de 1978 concorreu à reeleição na legenda do MDB, mas não obteve êxito. Permaneceu na Câmara dos Deputados até o fim de janeiro de 1979, quando se encerraram seu mandato e a legislatura.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro desse ano e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação governista que sucedeu à Aliança Renovadora Nacional (Arena). Nessa legenda disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados no pleito de novembro de 1982, mas obteve apenas a primeira suplência. Com a nomeação, pelo governador Hugo Napoleão (1983-1986), do deputado Antônio de Freitas Neto para a prefeitura de Teresina em março de 1983, nesse mesmo mês assumiu uma cadeira na Câmara.

No fim desse ano, o deputado Dante de Oliveira, eleito pelo Mato Grosso na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), apresentou um projeto de emenda constitucional restabelecendo eleições diretas para a presidência da República no ano seguinte. O projeto foi encampado pela oposição e desencadeou uma campanha popular em nível nacional, mas, na sessão de 25 de abril de 1984, faltaram 22 votos para que a Câmara o aprovasse. Atendendo à orientação partidária, Celso Barros ausentou-se da votação. Diante do resultado, ficou definido que a sucessão do presidente João Figueiredo ocorreria através de eleição indireta.

No PDS havia vários postulantes à candidatura oficial. A falta de consenso quanto à forma de como seria feita a escolha acabou provocando um racha na agremiação governista e formação, pelos dissidentes, da Frente Liberal. Eram candidatos a candidato do PDS o então ministro do Interior Mário Andreazza e o deputado e ex-governador paulista Paulo Maluf. O partido decidiu a questão em convenção nacional realizada em agosto de 1984. Celso Barros votou em Andreazza, que foi derrotado por Maluf. Na mesma convenção, o deputado cearense Flávio Marcílio venceu o então governador alagoano Divaldo Suruagi e tornou-se candidato a vice. Esse resultado aumentou o contingente de dissidentes do PDS e engrossou as fileiras da Frente Liberal.

A oposição, liderada pelo PMDB, recebeu então o apoio da Frente Liberal, formando a Aliança Democrática, que lançou uma chapa composta por Tancredo Neves, então governador de Minas Gerais, e José Sarney, então senador pelo Maranhão. Na eleição pelo Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, Celso Barros votou em Tancredo Neves, que derrotou Paulo Maluf. Entretanto, Tancredo Neves adoeceu e foi internado na véspera de sua posse. O vice José Sarney assumiu interinamente a presidência da República em 15 de março e foi efetivado no mês seguinte, após a morte de Tancredo.

Com a transformação, em janeiro de 1985, da Frente Liberal no Partido da Frente Liberal (PFL), Celso Barros filiou-se a essa legenda. Em junho de 1985 foi efetivado na Câmara na vaga aberta com a morte do deputado Mílton Brandão. Após três tentativas malsucedidas de se eleger — em 1986, na legenda do PFL, em 1990, na do Partido Trabalhista Renovador (PTR), e em 1994, de volta ao PMDB, tentando uma cadeira no Senado —, deixou a política e passou a se dedicar à profissão de advogado.

Foi membro do Conselho Estadual de Cultura e procurador do então Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Integrou ainda o Instituto dos Advogados do Piauí, tendo ocupado também a presidência do conselho seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no estado.

Casou-se com Maria de Lurdes Freitas Coelho, com quem teve três filhos.

Publicou inúmeros livros, entre os quais Da poesia latina na época de Augusto (tese, 1958), O Estado e os direitos do homem (1961), O Estado brasileiro — do conteúdo político ao social (1961), Diretrizes para uma ação política (1963), Imunidades parlamentares (1964), O direito como razão histórica (tese, 1964) e Universidade em causa (1973) e Tempo e memória: pastos bons (2009).

Alan Carneiro

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1975-1979, 1983-1987, 1991-1995); CÂM. DEP. Relação nominal; Globo (5/10/94); Jornal do Brasil (14/6/76); MATOS, J. Perfis; NÉRI, S. 16; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6).

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados