Cid Feijó Sampaio

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Nome: SAMPAIO, Cid
Nome Completo: Cid Feijó Sampaio

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

SAMPAIO, Cid

*gov. PE 1959-1963; dep. fed. PE 1967-1971; sen. PE 1983-1986.

Cid Feijó Sampaio nasceu em Recife no dia 7 de dezembro de 1910, décimo e último filho de Mendo de Sá Barreto Sampaio, proprietário de três engenhos, e de Sofia Abranches Feijó Sampaio, filha de outro dono de engenhos da região de Bonito (PE). Seus irmãos Alde e Lael Sampaio tiveram longa militância política. O primeiro representou Pernambuco nas assembléias constituintes de 1934 e 1946 e foi deputado federal de 1935 a 1937 e de 1946 a 1967. O segundo foi secretário dos governos estaduais chefiados por Alexandre Barbosa Lima Sobrinho (1948-1951) e Osvaldo Cordeiro de Farias (1955-1959), e deputado à Assembléia Legislativa de Pernambuco de 1951 a 1955 e de 1959 a 1963.

Cid Sampaio realizou seus primeiros estudos em casa com professores particulares, ingressando a seguir no Ginásio de Recife, depois chamado Colégio Padre Félix, onde cursou do terceiro ano primário até o fim do secundário. Durante os estudos básicos, sempre acompanhou o pai nas suas viagens anuais ao Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde moravam no período de entressafra. Nessa cidade, freqüentou o Colégio Santo Inácio e o Instituto Burlamarqui. Ingressou em 1927 na Escola de Química de Recife e, no final do primeiro ano, decidiu cursar simultaneamente a Escola de Engenharia. Terminou seu primeiro curso superior em dezembro de 1930, quando se transferiu para o Rio a fim de se formar engenheiro civil na Escola Politécnica. Paralelamente, passou a freqüentar os cursos livres de sociologia e biologia ministrados pelo padre Leonel Franca, que o levaram a escrever uma tese intitulada A sociologia, a educação e a hereditariedade. Segundo seu depoimento posterior, a formação do seu pensamento político foi, nessa época, influenciada pelas obras de Karl Marx e Friedrich Engels.

Simpático à revolução que, em outubro de 1930, depusera o presidente Washington Luís e garantira a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, filiou-se em 1931 à ala estudantil do Partido Democrático do Rio de Janeiro. No início de 1932, foi eleito presidente do diretório acadêmico da Escola Politécnica, mas sua gestão foi interrompida meses depois em virtude de suas divergências com a maioria dos colegas sobre os rumos adotados pelo governo Vargas. Apesar de criticar o caráter do regime então implantado, que considerava ditatorial, e defender a imediata reconstitucionalização do país, Cid Sampaio não apoiou a Revolução Constitucionalista de São Paulo, deflagrada em julho de 1932. A seu ver, esse movimento representava uma disputa de poder entre as oligarquias paulistas remanescentes da República Velha e o Governo Provisório chefiado por Vargas.

Formado em engenharia civil e industrial em dezembro de 1932 pela Faculdade Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro, permaneceu no Distrito Federal a fim de supervisionar as reformas em uma fazenda de café adquirida por seu pai no estado do Rio. Retornou a Pernambuco em meados de 1937 para assumir a direção das usinas e outras empresas da família. Em novembro seguinte, foi contrário ao golpe militar que implantou o Estado Novo. Coerente com essa posição, combateu o governo do interventor federal Agamenon Magalhães, nomeado no dia 3 de dezembro em substituição ao governador Carlos de Lima Cavalcanti para consolidar o novo regime em Pernambuco.

Formação da União Democrática Nacional

O enfraquecimento do Estado Novo e o fortalecimento das pressões internas e externas pela redemocratização levaram Vargas a aplicar, no início de 1945, uma política reformista que incluía a reorganização dos partidos, a anistia e a preparação de eleições. Cid Sampaio participou da criação da União Democrática Nacional (UDN), partido que agrupou a oposição liberal ao Estado Novo, tornando-se presidente do diretório estadual de Pernambuco. Apesar dessa função, não se candidatou a nenhum cargo nas eleições marcadas para dezembro de 1945, dedicando-se à articulação da campanha do candidato udenista à presidência da República, brigadeiro Eduardo Gomes. Realizadas após a deposição de Vargas por um golpe militar, em 29 de outubro, as eleições deram a vitória ao general Eurico Gaspar Dutra, do Partido Social Democrático (PSD).

Nas eleições de outubro de 1950 para o governo pernambucano, Cid Sampaio, ainda na presidência do diretório estadual da UDN, participou da campanha do seu correligionário João Cleofas, derrotado por Agamenon Magalhães, do PSD. Em 1952, deixou seu cargo na seção pernambucana da UDN, sendo substituído por seu irmão Alde, então deputado federal. Com a morte súbita do governador Agamenon Magalhães em 24 de agosto de 1952, os diversos partidos iniciaram articulações para a eleição do seu sucessor, encarregado de completar o mandato. A UDN se integrou então na ampla coalizão formada para apoiar Etelvino Lins, lançado pelo PSD. Discordando dessa posição, Cid Sampaio apoiou o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Osório Borba, que obteve no pleito de outubro a maioria dos votos em Recife e Olinda, mas foi derrotado de forma esmagadora no interior pelo candidato pessedista vitorioso. Ainda em 1952, Cid Sampaio foi eleito primeiro presidente do recém-fundado Centro das Indústrias de Pernambuco.

Em 1954, com a aproximação das novas eleições para a chefia do governo estadual, Cid Sampaio voltou a divergir da orientação udenista, favorável a João Cleofas, formando, junto com seus irmãos Alde e Lael, uma dissidência que apoiou o candidato do PSD, Osvaldo Cordeiro de Farias. No pleito de outubro desse ano, mais uma vez o PSD foi vitorioso graças aos votos do interior do estado.

O governo de Cordeiro de Farias, iniciado em 31 de janeiro de 1955, enfrentou uma oposição ativa e forte. Comunistas, socialistas e trabalhistas organizaram a chamada Frente de Recife que, ainda em 1955, elegeu Pelópidas Silveira para a prefeitura da capital, enquanto no interior as primeiras tentativas de organização das ligas camponesas eram duramente reprimidas. As dificuldades políticas do governo se agravaram depois da adoção, em novembro de 1957, do novo Código Tributário, que acarretou considerável aumento dos impostos. Essa medida provocou um rompimento entre o governo e os empresários que, liderados pelo Centro das Indústrias de Pernambuco (ainda sob a presidência de Cid Sampaio) e pela Associação Comercial, decretaram a paralisação das atividades industriais e comerciais em todo o estado. Essa iniciativa contou com forte apoio popular e com a solidariedade pública dos sindicatos de trabalhadores com sede em Recife, ocorrendo assim uma aliança inédita no estado. Um número considerável de representantes de trabalhadores rurais também se manifestou contra o governo, que reprimiu violentamente esse setor. A partir desses episódios, as forças oposicionistas na Assembléia Legislativa estabeleceram com a Associação Comercial uma frente única, articulada, entre outros, por Miguel Arrais, concunhado de Cid Sampaio e líder da bancada oposicionista estadual.

Em 13 de março de 1958, o Centro das Indústrias de Pernambuco e a Frente de Recife decretaram nova greve, que paralisou completamente a capital e se estendeu para o interior, sofrendo mais uma vez forte repressão. Em virtude da liderança que assumiu em ambos os movimentos, Cid Sampaio começou a ser cogitado para concorrer às eleições de outubro de 1958 para o governo estadual. Essa idéia se fortaleceu, levando à formação do bloco das Oposições Unidas com a adesão da UDN, do PSB e do Partido Trabalhista Nacional (PTN), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido Social Progressista (PSP), além do apoio dos comunistas. O principal coordenador dessa frente foi Miguel Arrais, candidato à reeleição para a Assembléia Legislativa.

Inicialmente, Cid Sampaio defendia o lançamento de seu irmão Lael como candidato a governador, mas terminou aceitando esse papel, tendo como companheiro de chapa o prefeito Pelópidas Silveira. A campanha foi aberta oficialmente com um grande comício no bairro popular de Casa Amarela, em Recife, no dia 2 de junho de 1958. Um dos oradores dessa manifestação foi o ex-deputado comunista Gregório Bezerra, que se tornaria a partir daí um dos líderes da campanha das Oposições Unidas. Reagindo a essa aliança, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Almeida Morais Júnior, passou a atacar com vigor a candidatura de Cid Sampaio, favorecendo assim a chapa pessedista formada por Jarbas Maranhão e José do Rego Maciel.

A campanha oposicionista se desenvolveu com grande participação popular nos bairros proletários da capital e, através do trabalho de articulação realizado por Miguel Arrais, conseguiu estabelecer diversos acordos com chefes políticos do interior, inclusive alguns de origem pessedista. Em setembro, Cid Sampaio desaconselhou a visita do líder comunista Luís Carlos Prestes a Recife, mas ela foi realizada mesmo assim e resultou em um grande comício no bairro de Casa Amarela. Logo em seguida, João Goulart, vice-presidente da República e presidente nacional do PTB, também esteve presente em um comício a favor de Cid Sampaio.

Segundo Paulo Cavalcanti, a campanha oposicionista de 1958 foi um marco na história política de Pernambuco, conseguindo congregar diversas camadas da população. Em 29 de setembro, três dias antes do pleito, o empresariado lançou manifesto ao povo, renovando seu apoio a Cid Sampaio e repudiando a propaganda governista que o apontava como comprometido com o comunismo.

As eleições foram realizadas sob forte tensão. Chegou a haver preparação de forças federais para garantir o processo de votação em alguns municípios do interior, onde corriam boatos de que a polícia estadual iria organizar piquetes nas estradas a fim de criar dificuldades ao eleitorado oposicionista. Mesmo assim, Cid Sampaio foi amplamente vitorioso em todo o estado nas eleições de 3 de outubro, com uma vantagem de 120 mil votos sobre o seu principal opositor, Jarbas Maranhão. Considerada uma das mais devastadoras conquistas eleitorais registrada pela história de Pernambuco, sua vitória produziu uma importante mudança na situação política local, já que, pela primeira vez desde a redemocratização de 1945, o PSD perdeu o controle do governo. Logo depois do pleito, promoveu no Rio de Janeiro uma reunião com os governadores eleitos dos estados nordestinos e propôs, com êxito, uma ação coordenada junto ao presidente Juscelino Kubitschek para reivindicar a criação de um órgão capaz de planejar os investimentos na região.

No governo de Pernambuco

Cid Sampaio tomou posse em 31 de janeiro de 1959, organizando seu secretariado com representantes dos diversos grupos que o apoiavam. Criou também uma assessoria sindical que passou a funcionar no próprio palácio do governo, buscando estabelecer mediações entre patrões e empregados e ligar o movimento trabalhista ao esquema do governador. Além disso, contando com o grande prestígio de que desfrutava, começou a desmontar a máquina pessedista fortemente implantada na administração estadual, o que provocou fortes críticas. Etelvino Lins, líder da bancada do PSD na Câmara Federal, voltou a acusar o governador de ligações com os comunistas, levando Cid Sampaio a esclarecer à imprensa carioca que, embora apoiado pela esquerda, não assumira nenhum compromisso com ela sobre o programa de governo. Com efeito, segundo Paulo Cavalcanti, Cid Sampaio rapidamente se distanciou das correntes de esquerda e estreitou os vínculos com os setores mais conservadores do seu esquema de alianças, levando a Frente de Recife a se afastar do governo estadual.

Em março de 1959, o presidente Kubitschek convocou uma reunião com governadores do Nordeste para discutir, junto com o grupo de estudo presidido pelo economista Celso Furtado, o decreto de criação do organismo regional anteriormente proposto por Cid Sampaio. Além deste, compareceram ao encontro Luís Garcia (de Sergipe) e Dinarte Mariz (do Rio Grande do Norte), que representaram os demais governadores e aprovaram os pontos essenciais do projeto apresentado. Pouco depois, foi criado o Conselho de Desenvolvimento do Nordeste (Codene), que seria transformado em 15 de dezembro seguinte na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

As divergências entre Cid Sampaio e as correntes de esquerda não impediram que o nome de Miguel Arrais, lançado pela Frente de Recife, fosse aceito pelo governador para concorrer em 1959 às eleições para a prefeitura da capital. Registrado oficialmente pelo Partido Social Trabalhista (PST) mas apoiado por um sistema de alianças que incluía o Partido de Representação Popular (PRP), o Partido Trabalhista Nacional (PTN), os socialistas e os comunistas, Arrais foi vitorioso e assumiu o cargo no início de 1960, fortalecendo a presença da esquerda no cenário político estadual.

Uma das principais iniciativas tomadas por Cid Sampaio em seu primeiro ano de governo foi o envio à Assembléia Legislativa de um projeto que modificava a incidência do imposto territorial de acordo com a taxa de produtividade de cada estabelecimento rural. Pretendendo garantir a utilização das terras disponíveis para a agricultura, o projeto estabelecia para cada região do estado uma quantidade viável de produção por hectare, tomando como referência os três produtos mais importantes: a cana-de-açúcar, o milho e a mandioca. As propriedades que assegurassem essa produção mínima seriam isentas do pagamento do imposto territorial, mas, em contrapartida, haveria uma taxação crescente para as propriedades menos produtivas, chegando a um elevado valor no caso das áreas improdutivas. Entretanto, durante a tramitação do projeto na Assembléia Legislativa, o governo federal transferiu dos estados para a União a regulamentação desse imposto, impossibilitando assim a aprovação das mudanças sugeridas pelo governador.

Outra transformação tentada por Cid Sampaio no sistema tributário estadual foi a criação de um fundo de fomento à industrialização — chamado de “bônus da sorte” — a partir de recursos captados pelo imposto de vendas e consignação. Os comerciantes passaram a dar o “selo BS” aos compradores de quaisquer mercadorias, que se habilitavam a concorrer ao sorteio de um prêmio oferecido pelo governo, podendo ainda trocar os comprovantes por ações das empresas que fossem construídas com o dinheiro do fundo. A primeira fábrica implantada no estado com esses recursos foi a de borracha sintética, levando o “selo BS” a ficar conhecido com o nome desse produto. Com base no fundo assim formado, foi criado o Conselho de Industrialização do Estado, que não chegou a implantar nenhum dos projetos estudados.

Durante o governo de Cid Sampaio, ocorreu uma multiplicação de ligas camponesas em Pernambuco e um aumento do número de choques entre trabalhadores e pequenos proprietários com latifundiários. Na capital, foi constituído o Movimento de Cultura Popular (MCP), patrocinado pelo prefeito Miguel Arrais e apoiado por jovens, intelectuais e artistas. Voltado inicialmente para a criação de escolas de alfabetização de adultos e adolescentes, o movimento passou a desenvolver também trabalhos de conscientização e de aumento do nível cultural da população.

A eleição presidencial de 1960 levou Cid Sampaio e Miguel Arrais para terrenos opostos. O primeiro apoiou o candidato udenista Jânio Quadros e foi um dos articuladores da escolha de Mílton Campos para a vice-presidência nessa chapa, enquanto o segundo aderiu à chapa Henrique Lott-João Goulart, lançada pela coligação PSD-PTB, com o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Essa divergência produziu uma disputa entre o governador e o prefeito, o que ocasionou um rompimento político entre ambos. Jânio foi vitorioso por larga margem de votos nesse pleito, inclusive em Pernambuco, enquanto João Goulart conquistava a vice-presidência, também com expressiva votação. Empossado em 31 de janeiro de 1961, Jânio convocou para 26 de maio seguinte, no Rio, uma reunião com os governadores. Cid Sampaio viajou nessa época à capital federal, deixando o vice-governador Pelópidas Silveira com a responsabilidade pelo Executivo estadual. Em princípios de junho, eclodiu uma greve estudantil nas universidades Federal e Rural em Recife. O governador em exercício não autorizou a intervenção direta da polícia estadual dentro das universidades, levando Jânio a mobilizar efetivos do IV Exército, que invadiram a Faculdade de Direito e dispersaram o comando geral do movimento ali sediado.

No período seguinte, ocorreu um processo de radicalização política em Pernambuco e no conjunto do país. A crise se aprofundou com a renúncia do presidente Jânio Quadros em 25 de agosto e o veto dos ministros militares à posse do vice-presidente Goulart, considerado excessivamente próximo do movimento sindical e de correntes de esquerda. Para garantir a normalidade constitucional e a posse de Goulart, o Congresso aprovou uma emenda implantando o regime parlamentarista, que retirava grande parte dos poderes presidenciais. Agravou-se então a polarização entre as forças que defendiam as reformas de base e os setores conservadores, que reagiam contra essas medidas e enfatizavam a necessidade de contenção das reivindicações trabalhistas.

Em Pernambuco, com a aproximação das eleições estaduais de outubro de 1962, Cid Sampaio rompeu com a Frente de Recife e passou a articular a candidatura de João Cleofas, pelo Partido Republicano (PR), para o governo estadual, com o apoio da UDN. A frente lançou o nome de Miguel Arrais, que recebeu a adesão de uma dissidência do PSD, liderada pelo deputado Paulo Guerra. O terceiro candidato à sucessão estadual foi Armando Monteiro Filho, do Partido Republicano Trabalhista (PRT).

Conforme comprovação posterior, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) canalizou dinheiro norte-americano para a campanha de Cleofas, a fim de barrar o avanço das correntes de esquerda que apoiavam Arrais. Mesmo assim, o candidato da Frente de Recife foi vitorioso, com apoio da população mais pobre da capital e de núcleos de trabalhadores rurais. Em novembro, esses trabalhadores realizaram sua primeira greve, que durou quatro dias e chegou a paralisar a vida econômica do estado. Apoiados pelos sindicatos, setores de esquerda e o governador eleito, os grevistas obtiveram um aumento salarial de 80%.

Em outubro de 1962, aproveitando-se da legislação eleitoral vigente, Cid Sampaio candidatou-se a deputado federal pelo estado de Alagoas, na legenda do PSD. Nesta ocasião, obteve apenas a segunda suplência. Derrotado nas urnas, transferiu a chefia do Executivo estadual a Miguel Arrais, em 31 de janeiro de 1963, retornando às atividades empresariais. Apesar de afastado da política partidária, manifestou-se contra o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente Goulart e vários governadores — entre os quais Arrais —, e opôs-se também à edição do Ato Institucional nº 2 (AI-2), de 27 de outubro de 1965, que extinguiu os partidos existentes e preparou as condições para implantar, em 1966, o bipartidarismo. Mesmo assim, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), legenda de sustentação do regime militar, pela qual elegeu-se deputado federal por Pernambuco, nas eleições de novembro de 1966.

Assumiu o mandato na Câmara dos Deputados em fevereiro de 1967 e, no decorrer desta legislatura, presidiu a Comissão de Finanças. Como deputado federal, criticou duramente os incentivos fiscais concedidos pelo governo federal para a implantação de novos projetos na região Nordeste, especialmente no setor industrial. Segundo Cid Sampaio, as grandes empresas sediadas no Sudeste do país — quase sempre multinacionais — eram as grandes beneficiadas com esse mecanismo, que promovia a concentração de renda e a desnacionalização da incipiente estrutura industrial nordestina. Como decorrência dessas críticas, apresentou um projeto de lei que reduzia para 25% os incentivos às empresas, destinando os 75% de recursos restantes aos trabalhadores das indústrias onde os recursos haviam sido gerados, a título de participação nos lucros. O projeto tentava também generalizar essa distribuição para os empregados de uma parte do capital gerado em cada empresa. Com o fim da legislatura, em 31 de janeiro de 1971, Cid Sampaio retornou às atividades empresariais, dedicando especial atenção à direção de suas fábricas de chapas de madeira e de borracha sintética, instaladas em Pernambuco.

Nos primeiros meses de 1978, a seção pernambucana da Arena se dividiu em relação à escolha do seu candidato ao Senado nas eleições de novembro seguinte. A direção estadual optou por Nilo Coelho, mas um setor do partido formou uma dissidência, conhecida como Arena 2, e conseguiu lançar a candidatura de Cid Sampaio por uma sublegenda. Durante a campanha, Cid Sampaio defendeu uma ampla participação dos civis no processo de abertura patrocinado pelo presidente Ernesto Geisel e a concessão de anistia a todos os políticos punidos depois de 1964. Como resultado desse pleito, o candidato mais votado para a vaga de Pernambuco no Senado nas eleições de 15 de novembro foi Jarbas Vasconcelos, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), mas a soma dos votos das duas sublegendas arenistas ultrapassou o resultado obtido pela oposição, garantindo para Nilo Coelho a vaga em disputa. Cid Sampaio foi o menos votado dos três candidatos.

Em fevereiro de 1979, Cid Sampaio defendeu em conversa com o general João Batista Figueiredo, recém-eleito presidente da República, uma maior participação do empresariado nacional na formulação da política econômica do país. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, e a conseqüente reorganização partidária, ingressou no Partido Popular (PP). Com a incorporação do PP ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), em fevereiro de 1982, transferiu-se para esta última legenda, ligando-se ao grupo de Marcos Freire.

Nas eleições de novembro 1982, concorreu a uma vaga no Senado na legenda do PMDB, após enfrentar uma série de resistências de líderes peemedebistas, que temiam que a presença do ex-arenista e ex-pepista viesse descaracterizar o partido. O resultado desse pleito, entretanto, foi marcado pela derrota do PMDB em Pernambuco, sendo eleitos Roberto Magalhães para o governo do estado e Marco Maciel para o Senado; ambos pela legenda situacionista do Partido Democrático Social (PDS), que sucedeu a Arena no seu apoio ao regime militar.

Com a morte de Nilo Coelho em novembro de 1983, Cid Sampaio assumiu o mandato de senador, prometendo defender a tese das eleições diretas para a presidência da República e uma mobilização nacional para debater os problemas do país. Em face destas declarações, o político pernambucano foi questionado pela imprensa sobre o seu apoio à ditadura militar instaurada no país em abril de 1964. Em resposta afirmou ter apoiado um regime que se propunha impedir o fechamento do Congresso Nacional e realizar as eleições que estavam marcadas, compromissos que lhe foram transmitidos pelo próprio presidente Castelo Branco.

Com a derrota da emenda Dante de Oliveira — que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República já em novembro de 1984 — na sessão da Câmara dos Deputados de 25 de abril daquele ano (faltaram 22 votos para que o projeto pudesse ser apreciado pelo Senado), a escolha do sucessor do presidente João Figueiredo foi realizada através de um colégio eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985. Na ocasião, Cid Sampaio apoiou o candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma coligação do PMDB com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal, após derrotar o candidato do regime militar, Paulo Maluf. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo, desde 15 de março desse ano.

Em janeiro de 1986, embora tenha sido apontado como refratário à candidatura de Arrais ao governo de Pernambuco, Cid Sampaio afirmou que apoiaria qualquer candidato a governador que fosse escolhido pelas bases partidárias. Quatro meses depois, em maio daquele ano, temendo ser hostilizado pela esquerda do PMDB na campanha eleitoral, desligou-se do partido para ingressar no Partido Liberal (PL). Ainda em maio, o líder do PMDB no Senado, Alfredo Campos, afirmou em carta ao jornal Folha de S. Paulo que a autoria do Plano Cruzado se devia ao senador Cid Sampaio, que o apresentou ao ex-presidente Tancredo Neves como sugestão para o seu governo.

Nas eleições de outubro de 1994 apresentou-se como candidato ao governo do estado de Pernambuco pela legenda do PMDB. No entanto, em virtude de ter encampado a tese da executiva nacional peemedebista de lançar Orestes Quércia à presidência da República, teve a sua candidatura esvaziada, o que provocou inclusive a saída de Jarbas Vasconcelos do partido.

Desde então, Cid Sampaio não mais disputou nenhum cargo eletivo ou ocupou cargo público na administração estadual.

Publicou Economia do Nordeste, Estudos sobre o preço do açúcar: progresso ou ruína; Estudos sobre a borracha; A problemática açucareira no Nordeste; O último aceiro; Açúcar, cana e política para exterminá-los no Nordeste; Tratamento de choque para a crise; Pronunciamento na Assembléia Extraordinária do Parlamento Latino-Americano.

Faleceu no Recife em 30 de setembro de 2010.

Era casado com Dulce Sousa Leão, com quem teve seis filhos.

Sílvia Pantoja/Fátima Valença

 

 

 

FONTES: BARROS, A. Ascensão; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados federais. Inventário; CAVALCANTI, P. Caso; CORRESP. GOV. EST. PE; Encic. Mirador; ENTREV. BIOG.; Folha de S. Paulo (13/11/83, 17/5/86 e 30/9/10); Globo (14/3, 7 e 8/5/82 e 14/5/86); Grande encic. Delta; INF. ARMANDO MONTEIRO FILHO; Jornal do Brasil (14/10/66, 20 e 31/5/75, 10/4/77, 10/2 e 28/9/78, 21/12/80, 13, 15 e 17/9/81, 2 e 4/4/ e 14/5/82, 18/7, 12 e 17/11/83; 12/1/86); MORAIS, A. Introdução; NÉRI, S. 16; PANDOLFI, D. Novo; QUADROS, J. História; SILVA, H. 1964; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6).

 

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