Cláudio Salvador Lembo

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: LEMBO, Claudio
Nome Completo: Cláudio Salvador Lembo

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

LEMBO, Cláudio

*gov. SP 2006-2007.

 

Cláudio Salvador Lembo nasceu em São Paulo no dia 12 de outubro de 1934, filho de Leonino Lembo, mestre de obras, e de Rosa Lembo, costureira.

Cursou ciências sociais e jurídicas na Universidade de São Paulo (USP) entre 1954 e 1958, e começou a advogar em seguida. Advogado no Banco Itaú desde 1959, a partir de 1962 foi designado diretor para assuntos legislativos, cargo que ocuparia por 35 anos, tornando-se importante colaborador e amigo pessoal do proprietário do banco, Olavo Setúbal. Em 1960 tornou-se também professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ministrando cursos de direito constitucional, direito processual civil e direito judiciário civil. Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Direito Empresarial da mesma universidade a partir de 1972, foi diretor da Faculdade de Direito no biênio 1974-1975.

Após a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a instituição do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instalado no país em 1964. Em 1974, quando Olavo Setúbal foi nomeado prefeito de São Paulo pelo governador Paulo Egydio Martins, foi convidado a assumir a Secretaria de Negócios Extraordinários do município. Nesse mesmo período, presidiu a Arena em São Paulo – quando, segundo declarou, ninguém mais queria fazê-lo – e teve papel importante nas articulações do processo de abertura democrática no estado. Chegou a ser expulso do partido por ter-se encontrado com Leonel Brizola em Assunção, quando o político gaúcho estava no exílio. Depois recorreu da expulsão e acabou permanecendo no partido.

Em 1978 foi candidato da Arena ao Senado, mas foi derrotado por Franco Montoro, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1985, juntamente com Marco Maciel e Aureliano Chaves, entre outros, ajudou a fundar o Partido da Frente Liberal (PFL). No biênio 1985-1986 foi chefe de gabinete do ministro da Educação Marco Maciel. Durante a gestão de Jânio Quadros na prefeitura de São Paulo (1986-1989), foi secretário de Assuntos Jurídicos do município. Na eleição presidencial de 1989, foi candidato a vice-presidente na chapa do PFL, encabeçada por seu velho aliado Aureliano Chaves. A chapa Chaves/Lembo ficou em nono lugar no primeiro turno, com 600.730 votos, e no segundo turno o PFL apoiou a candidatura de Fernando Collor de Melo, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN).

Em 1990 concluiu seu doutorado, iniciado quatro anos antes na Universidade Mackenzie, com a apresentação da tese intitulada “Participação política e assistência simples no direito eleitoral”. Em 1993, na gestão de Paulo Maluf na prefeitura de São Paulo (1993-1997), foi nomeado secretário de Planejamento do município. No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso na presidência da República (1995-1999), foi assessor do vice-presidente Marco Maciel entre 1995-1997. Assumiu então a reitoria da Universidade Mackenzie, função que exerceu até 2002.

 

No governo de São Paulo

Em outubro de 2002 Cláudio Lembo foi eleito vice-governador do estado de São Paulo na legenda do PFL, na chapa encabeçada por Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Tomou posse em 1° de janeiro de 2003 e, em março de 2006, quando Alckmin renunciou para concorrer à presidência da República, assumiu o governo do estado. Poucos meses depois de sua posse, enfrentou uma onda de ataques do crime organizado na capital paulista liderada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Na ocasião, declarou à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo (18/5/2003), que a situação de violência era culpa da “elite branca, má e perversa”, tinha relação com a herança histórica dos tempos da escravidão e só se modificaria quando a “burguesia abrisse a própria bolsa”. Para solucionar a crise, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (2003-) ofereceu tropas federais – a Força de Segurança Nacional ou o próprio Exército –, que Lembo recusou, mesmo após a visita do ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos, que foi pessoalmente reiterar a proposta. Passada a crise, a imprensa e entidades de direitos humanos questionaram se não teriam ocorrido vinganças da parte dos policiais, em função do elevado números de mortos. Lembo negou veementemente, afirmando que as ações haviam sempre ocorrido dentro da lei e em nome da manutenção do estado de direito.  

            No final de julho de 2003 o governador voltou a usar a expressão “elite branca” ao se referir à passeata realizada no dia 29 daquele mês pelo movimento “Cansei”. O movimento, segundo afirmou em entrevista à revista on-line TerraMagazine, fora organizado por pessoas que  tinham uma visão elitista da sociedade e “cansei” era um termo próprio de “dondocas enfadadas com suas vidas enfadonhas.” Em agosto ocorreu nova onda de ataques nas ruas de São Paulo: ônibus e prédios públicos foram incendiados, e muitos hospitais, escolas, centros comerciais e unidades de transporte público deixaram de funcionar por falta de segurança. Em resposta àqueles que cobravam a presença de tropas do Exército nas ruas, Lembo reafirmou enfaticamente que a Polícia Militar de São Paulo tinha recursos suficientes para conter a crise e que a coordenação com os recursos do Exército já estava sendo feita, na forma de troca de informações e coordenação de logística e inteligência. Em meados de agosto o governo paulista e o governo federal chegaram a um acordo, estabelecendo a cooperação do Exército com a polícia paulista para o trabalho de inteligência. Lembo afirmou à imprensa que haveria uma maior coordenação entre as frentes. O acordo também incluía o envio de equipamentos federais, como helicópteros.

Após deixar o palácio dos Bandeirantes, em 1° de janeiro de 2007, o ex-governador concedeu entrevistas tecendo comentários sobre a falta de apoio de figuras importantes do PSDB durante a crise de segurança na capital paulista, sobretudo José Serra e Geraldo Alckmin. Em novembro de 2008 aceitou o convite do prefeito Gilberto Kassab para ser secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura de São Paulo. Assumiu o cargo no início de 2009.

Casou-se com Renéa de Castilho, com quem teve dois filhos.

Autor de vasta obra, publicou, entre outros livros, O jogo da coragem. O testemunho de um liberal (1979); A opção liberal (1985); Participação política simples e assistência simples no direito eleitoral (1991); O futuro da liberdade (1999); O diálogo das culturas no início do século XXI (2004); Eles temem a liberdade (2005); A pessoa e seus direitos (2006) e Discurso do valor democrático (2007).

 

Fabiane Popinigis

 

 

 

FONTES:

Bergamo, Mônica; Burguesia terá que abrir a bolsa, diz Lembo. Folha Online, 15/05/2006: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u121683.shtml>. Acessado em 18/11/2009. Delgado, Malu e Schivartche, Fabio; Lula e Lembo fazem acordo, sem tropas. Folha Online, 12/08/2006: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u124943.shtml>. Acessado em 2009. Thais Bilenky; SP: Lembo será secretário da Justiça de Kassab, Terra Magazine, 26/11/2008: <http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3353452-EI6578,00.html>. Acessado em 18/11/2009. Damiani, Marco; Entrevista – Cláudio Lembo: “O velho PFL acabou”, IstoÉ Online, 14/02/2007: <http://www.terra.com.br/istoe/1946/entrevista/1946_vermelhas_01.htm>. Acessado em18/11/2009. Currículo Lattes (Cláudio Lembo): <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4734501H2>. Cláudio Lembo, vice-governador: Da Arena aos Bandeirantes. Veja São Paulo Online, 08/02/2006. <http://veja.abril.com.br/vejasp/080206/politica_claudio_lembo.html>, acessado em 18/11/2009. Cronologia dos ataques do PCC 2006, Observatório de Segurança Pública: <http://www.observatoriodeseguranca.org/imprensa/cronologiapcc>. Acessado em 18/11/2006. Lembo revida ACM e diz que senador é “senhor de engenho”. Notícias Terra, 30/05/2006: <http://noticias.terra.com.br/eleicoes2006/interna/0,,OI1028554-EI6651,00.html>. Acesso em 18/11/2009. Alckmin toma posse amanhã em sessão solene na Assembléia. Folha Online, 31/12/2002: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u44127.shtml>, acessado em 04/12/2009.

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados