CLORADINO SOARES SEVERO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: SEVERO, Cloraldino
Nome Completo: CLORADINO SOARES SEVERO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SEVERO, CLORALDINO

SEVERO, Cloraldino

*min. Transp. 1982-1985.

 

Cloraldino Soares Severo nasceu em Uruguaiana (RS) no dia 7 de abril de 1938, filho de Cloraldino Gomes Severo e Luci Soares Severo.

Formou-se no ano de 1961 em engenharia civil pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ao longo de seus estudos, entre 1956 e 1961, estagiou na Divisão de Estudos e Projetos do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Sul. Fez ainda especialização em transportes e engenharia de tráfego naquela mesma universidade e administração profissional no Instituto de Pesquisas Rodoviárias.

Em janeiro de 1962 tornou-se engenheiro do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) chefiando, até agosto do ano seguinte, o escritório de fiscalização de construção da então rodovia BR-50, no município de Lagoa Vermelha (RS). Em seguida, trabalhou na Seção de Obras do 10º Distrito Rodoviário Federal (DRF), em Porto Alegre, de agosto a dezembro de 1963, e chefiou o Setor de Estudos e Projetos daquele DRF, de janeiro de 1964 a abril de 1968.

Entre 1963 e 1968 acumulou suas atividades no DNER com a prestação de serviços de consultoria em planejamento, custos e projetos viários para a Petrobras (Refinaria Alberto Pasqualini), Siderúrgica de Aços Finos Piratini, Distribuidora Ipiranga de Petróleo S.A, Texaco do Brasil, prefeituras de Porto Alegre e Pelotas (RS), Planisul S.A (Estudos do Porto Pesqueiro de Torres — RS), e Consórcio Asplan-Planisul (Estudo de Rodovias Alimentadoras do Rio Grande do Sul).

Paralelamente a estas atividades, Cloraldino Severo exerceu o magistério, tendo lecionado matemática no Ginásio Estadual de Lagoa Vermelha (1963); a cadeira de estradas de rodagem na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul — PUC-RS (1964); especialização em engenharia de tráfego no Instituto de Pesquisas Rodoviárias (1966, 1969-1970); cadeira de estradas de ferro e de rodagem na UFRGS (1967-1968). Em 1970, fez pós-graduação em transportes na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Cloraldino Severo foi também chefe da divisão de Planejamento do DNER no Rio de Janeiro de maio de 1968 a março de 1969. Neste último ano foi promovido a diretor de Planejamento, responsabilizando-se pelos projetos de construção das rodovias Transamazônica e Perimetral Norte e da ponte Rio-Niterói, cargo que exerceu até junho de 1972. Neste período, a partir de julho de 1970, tornou-se membro do Conselho Técnico do Instituto de Pesquisas Rodoviárias. Em junho de 1972, durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), Severo assumiu o cargo de superintendente do Grupo de Estudos para Integração da Política de Transportes (Geipot), vindo mais tarde, em novembro de 1975, a presidir a Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes, posto que ocupou até março de 1976, já no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979).

Superintendente-adjunto do Instituto de Planejamento (Iplan), do Instituto de Planejamento Econômico e Social, de junho de 1976 a junho de 1979, assumiu, nesse mesmo mês a Secretaria Executiva da Comissão de Coordenação do Dispêndio Energético em Transporte, ocupando este cargo até fevereiro de 1981. Neste período, lecionou no curso de planejamento governamental, promovido pelo Centro de Treinamento para o Desenvolvimento Econômico (1977); na pós-graduação em planejamento urbano da Universidade de Brasília (UnB); no mestrado em desenvolvimento urbano da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe); no III Curso Regional de Projetos de Transportes, promovido pelo Instituto Econômico e outros órgãos do Banco Mundial (1978).

Durante o governo do general João Batista Figueiredo (1979-1985), integrou o Conselho de Administração da Empresa Brasileira dos Transportes Urbanos (EBTU), de 1979 a 1980; o Conselho de Administração da Companhia do Metropolitano de São Paulo, de 1980 a 1981, e do Rio de Janeiro, de 1980 a 1982. Na Secretaria de Atividades Especiais do Ministério dos Transportes, de 1980 a 1981, cuidou dos assuntos referentes à energia, transportes urbanos e metrôs. Nesse mesmo período, assessorou o titular daquela pasta, Eliseu Resende. Em 1981, lecionou no mestrado em transportes aéreos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Foi diretor-geral do DNER entre 1981 a 1982, e também nesse período foi membro do Conselho Nacional de Transportes, tendo se filiado, em novembro de 1981, ao Partido Democrático Social (PDS), partido de sustentação ao regime militar.            

Em maio de 1982, substituiu Eliseu Resende no Ministério dos Transportes, que se desicompatibilizara do cargo para concorrer na convenção do PDS à candidatura do governo do estado de Minas Gerais em novembro daquele ano. Deixando interinamente o DNER, Cloraldino Severo definiu-se na ocasião como “um soldado do PDS” e prometeu manter a equipe e as diretrizes do ex-ministro. Acreditando na vitória de seu partido nas eleições de novembro de 1982, participou em junho de uma reunião do diretório do PDS na sua cidade natal, na qual destacou os feitos do governo naquele município.

Em outubro de 1982, ao participar do VI Simpósio sobre o Cerrado e o III Encontro do Centro-Oeste, Severo destacou a importância do papel dos transportes no escoamento da produção naquela região, considerando-a como “nossa grande fronteira agrícola, nosso grande potencial”. Observou, assim, que a rodovia seria “a espinha dorsal” para que o projeto de desenvolvimento rural integrado desse resultado. Referindo-se à subutilização das ferrovias, assinalou que a demanda não justificaria os altos investimentos necessários na construção daquelas.

A partir dos resultados das eleições, em janeiro de 1983 considerou como certa a realização das eleições indiretas para a presidência da República e a conseqüente escolha pelo PDS do novo presidente, já que o seu partido teria maioria no Colégio Eleitoral.

Embora admitindo que o transporte coletivo fosse ineficiente no Brasil, em julho defendeu a sua utilização em substituição ao veículo particular, chamando o automóvel de “predador”. No mês seguinte, deu prosseguimento à obra da Ferrovia do Aço, iniciada em 1976 no governo Geisel, com o objetivo de ligar o chamado quadrilátero ferrífero nas imediações de Belo Horizonte a Volta Redonda (RJ). Paralisada por mais de uma vez por falta de recursos, agora com a liberação de uma verba adicional garantiria mais cinco meses de obra.

Como ministro, inaugurou o Museu do Trem em Engenho de Dentro, no Rio, em fevereiro de 1984. Neste mesmo mês queixou-se da falta de verbas na sua pasta para a recuperação de mais de dez mil quilômetros de rodovias federais. Em agosto manifestou seu apoio a Paulo Maluf, escolhido candidato do PDS à presidência da República no Colégio Eleitoral, previsto para 15 de janeiro de 1985.

Em janeiro de 1985, após denunciar a existência de irregularidades nos empréstimos de cerca de quinhentos milhões de dólares solicitados pelos estaleiros junto à rede bancária, com o aval na maioria das vezes da Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunamam), abriu inquérito administrativo que acabou por responsabilizar alguns ex-funcionários do órgão gestor, na época, do Fundo de Marinha Mercante (FMM).

No dia 15 de janeiro, Tancredo Neves — candidato lançado pela oposicionista Aliança Democrática, coligação formada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e por dissidentes do PDS abrigados na Frente Liberal — foi vitorioso no Colégio Eleitoral. Desta forma, em 15 de março, com a saída do general Figueiredo da presidência — que acabou sendo ocupada pelo vice José Sarney, devido à enfermidade e posterior morte de Tancredo —, Severo foi substituído no cargo de ministro por José Reinaldo Tavares.

Funcionário de carreira, Severo manteve-se no Ministério dos Transportes, trabalhando como consultor técnico e pesquisador do Geipot. Depondo em abril na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investigou os negócios da Sunamam, referiu-se ao II Plano de Construção Naval desenvolvido no governo Geisel como “um programa profundamente ambicioso e dimensionado erradamente”, que teria mobilizado um conjunto de incentivos altíssimos para a indústria naval em relação a outros setores no país. Embora afirmando que a frota mercante brasileira tivesse sido aumentada e a indústria naval consolidada a partir daquele programa, questionou a legitimidade daqueles incentivos diante de outras prioridades.

No Geipot, em 1986 dedicou-se ao planejamento de transporte urbanos do Brasil para o ano 2000, acumulando esta atividade com a direção do diretório distrital do PDS, em Porto Alegre. Em maio desse mesmo ano, deixou o PDS, filiando-se ao Partido da Frente Liberal (PFL), fundado em janeiro de 1985 a partir da Frente Liberal.

“Desenvolver o sistema ferroviário não significa construir novas linhas, mas melhorar as existentes para transportar mais” — com estas palavras, em maio de 1987 criticou o projeto de construção da ferrovia Norte-Sul, argumentando que a região que seria atendida com aquela ferrovia já era servida pela rodovia Belém-Brasília. Dois meses depois, por ocasião da depredação de mais de uma centena de ônibus no centro do Rio, Cloraldino chamou a atenção para a incapacidade dos governos de “gerir o transporte de massa”, sugerindo que “com a verba prevista para a Ferrovia Norte-Sul, seria possível fazer uma revolução nos transportes urbanos do país.”

Com a reforma administrativa do governo Sarney e a conseqüente extinção do Geipot, Severo deixou este órgão em março de 1989, passando a atuar na iniciativa privada através de sua empresa de consultoria, a Cloraldino Severo e Associados. Em novembro de 1992, a Folha de S. Paulo publicou notícia denunciando que a empresa obtivera contrato, sem licitação, no valor de 145 mil dólares, para prestar serviços de consultoria ao DNER.

Apesar de ter se afastado da vida pública, Severo continuou filiado ao PFL até julho de 1997, quando, em carta datada do dia 24, comunicou seu desligamento deste partido, afirmando rejeitar “orientação ideológica ‘neoliberal’ que o Partido da Frente Liberal defende e vem praticando em governos próprios e naqueles que apóia. Creio que os custos sociais para a nação, imensamente elevados hoje, crescerão muito nos próximos meses e anos, se este projeto insensato não for interrompido”.

Casou-se com Sílvia Regina Viana Severo, com quem teve dois filhos.

Publicou diversos trabalhos apresentados em conferências, encontros e/ou congressos, referentes à área de transportes, entre os quais: Modalidade recomendada para execução de estudos de engenharia e viabilidade (1967), Ligações rodoviárias multinacionais: Argentina — Brasil — Uruguai (1970), Problemas brasileiros de transportes (1974), O problema energético e os transportes: a experiência brasileira (1980), El transporte por carretera y el consumo energético (1982).

 

Verônica Veloso/Elizabeth Dezouzart

 

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (11/5/82, 29/1/83, 26/2/84, 12/4/85, 29/6/88); Folha de S. Paulo (26/3 e 29/5/87, 19/11/92); Globo (11/5, 20/6, 6/10 e 2/12/82, 12/4/85); Jornal do Brasil (11/5/82, 23/5/86, 29/5/87); Veja (23/2, 1/6, 13/7 e 10/8/83, 13/6 e 22/8/84, 30/1, 6/2 e 20/2/85, 1/1/86, 8/7/87).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados