COUTINHO, Luciano

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Nome: COUTINHO, Luciano
Nome Completo: COUTINHO, Luciano

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Luciano Coutinho

COUTINHO, Luciano

* Pres. BNDE(S) 2007-2016

 

            Luciano Galvão Coutinho nasceu em 29 de setembro de 1946, em Recife (PE), filho do médico Amauri Coutinho e de Ana Galvão.

Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (USP) em 1968, dois anos depois obteve título de Mestre em Economia pela mesma universidade. Entre 1970 e 1974 fez seu doutorado na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, concluído com a defesa da tese intitulada The Internationalization of Oligopoly Capital. Em Cornell conheceu Fernando Henrique Cardoso (FHC), à época professor visitante da universidade.

            De volta ao Brasil, ingressou como docente no Instituto de Economia  da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde ofereceu disciplinas, orientou alunos da pós-graduação e realizou estudos acadêmicos voltados sobretudo aos temas da política industrial e sobre o lado real da economia. Entre 1974 e 1979, coordenou o programa de Pós-Graduação em Economia da UNICAMP. Em 1980 esteve novamente nos Estados Unidos, agora como professor visitante da Universidade do Texas. 

A convite de Fernando Henrique Cardoso frequentou, entre as décadas de 1970 e 1980, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), criado em 1969  por um grupo de professores – dentre os quais o próprio FHC – em sua maioria afastados das universidades pelo regime militar, com vistas à produção de conhecimento de ponta em ciências sociais. No CEBRAP, durante o contexto de redemocratização do Brasil, Luciano Coutinho participou da produção do programa de governo do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), aproximando-se sobretudo da ala nacionalista e desenvolvimentista do Partido, juntamente com outros economistas de destaque, entre os quais Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares e Luiz Gonzaga Beluzzo. 

A aproximação do economista com o MDB redundou na sua participação no primeiro governo civil do país, após mais de duas décadas de governo militar no Brasil. Em 1985, quando da nomeação do ministro Renato Archer para o recém-criado Ministério da Ciência e Tecnologia, durante o governo do peemedebista José Sarney, Coutinho foi convidado a assumir a Secretaria Executiva da pasta, que geriu até 1988, participando de sua estruturação e da concepção de políticas voltadas para áreas de alta complexidade, como biotecnologia, química fina, mecânica de precisão, novos materiais e informática.

Afastado da vida pública, voltou a se dedicar à vida acadêmica e, no final dos anos 80, com o colega Luiz Gonzaga Belluzzo, passou a atuar na área de consultoria. Como consultor em economia, trabalhou na Macrotempo e junto ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), ao Banco do Nordeste e a vários governos estaduais. Em julho de 1995, em parceria com Belluzzo e outros três economistas criou a LCA Consultores, dando suporte a empresas de diferentes setores nas áreas de macroeconomia, de economia do direito e investimentos, de inteligência de mercados e de finanças corporativas. Comandou a empresa por 12 anos, período no qual forneceu consultoria a diversos grupos empresariais privados líderes no Brasil, dentre os quais Ambev e a Vale do Rio Doce.

Em paralelo às atividades de consultor, durante o ano de 1994 deu aulas na Universidade de Paris XIII como professor visitante, mesma condição em que esteve posteriormente no Instituto Universitario de Investigación Ortega y Gasset, em Madri. Neste mesmo ano, coordenou um estudo de grande envergadura, denominado “Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira”, financiado em parte pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), articulando diversas universidades e centros de pesquisas brasileiros, e quase uma centena de especialistas. Este estudo, que seria transformado em livro coordenado por ele e por João Carlos Ferraz, mapeou o estado da arte da indústria brasileira, as necessidades de inovação e as condições de concorrência nos mercados internacionais.

            Afastou-se das atividades acadêmicas e da LCA em maio de 2007, quando foi convidado a presidir o BNDES durante a gestão do presidente da Luiz Inácio Lula da Silva.. Em seu discurso de posse, Luciano Coutinho afirmou que seguiria a orientação do presidente Lula para garantir a implantação de uma política industrial de grande envergadura, voltada para dinamizar a economia, acelerar a criação de empregos e promoção da igualdade de oportunidades. Coutinho também confirmou o apoio do Banco ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), garantindo o suporte necessário para a coordenação entre empreendedores, banca e o mercado de capitais na estruturação de um funding adequado. Além disso, apresentou entre as prioridades do BNDES o apoio à agroindústria, à microeletrônica, ao desenvolvimento de softwares e à produção de bens de capital, além de tornar mais ágil o empréstimo de recursos para a pequena e média empresa.  

            Depois do ótimo desempenho que o Banco de Desenvolvimento alcançou em 2007, ao final de 2008 o BNDES foi instado a instrumentalizar políticas anticíclicas que o governo promoveu devido à crise internacional e recebeu aporte extra de capital do Tesouro. Nesse cenário, com vistas a reagir às consequências da crise, Coutinho utilizou-se da chamada política de  “campeões nacionais”, que se tornaria um símbolo de sua gestão. Adotada por diversos países do primeiro mundo em décadas passadas, tal estratégia consistiu no investimento do BNDES em empresas nacionais visando                   torná-las gigantes em seus setores e promove-las à condição de competidoras a nível internacional.

            Bastante criticado por especialistas, esse programa de apoio foi adotado pelo Banco de Desenvolvimento até 2013. De acordo com a revista Exame, o custo dos incentivos teria chegado a 40 bilhões de reais, entre crédito subsidiado e compra de participações acionárias. Grandes grupos de frigoríficos, a Marfrig e a JBS Friboi, além da companhia de telefonia OI foram algumas das empresas contempladas. Apesar de ter sido retirada da agenda do BNDES pelo próprio Coutinho, em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, em abril de 2014, o economista justificou que a estratégia do fortalecimento internacional das empresas brasileiras era positiva, porque visava resultaria na abertura de espaços de mercado no exterior e reforçaria a capacidade do Estado brasileiro no contexto internacional.

            Durante uma audiência pública realizada em abril de 2015 no Senado Federal, Coutinho fez uma revisão de sua gestão até então, apontando o papel anticíclico em virtude da crise de 2008, a contenção do BNDES a partir de 2011 e as atuais restrições impostas ao Banco em decorrência do ajuste fiscal. Assinalou ainda o aumento de investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, visando a descentralização de recursos e o apoio à regiões tradicionalmente prejudicadas. No que dizia respeito ao futuro de sua gestão, apontou seu foco nas micro e pequenas empresas.

Luciano Coutinho permaneceu no cargo até maio de 2016, quando o Senado Federal decidiu acatar o pedido de abertura do processo de impeachment e o consequente afastamento da presidente Dilma, por até 180 dias. Nessa ocasião, foi substituído pela economista Maria Silvia Bastos Marques, empossada no BNDES em junho seguinte, após ter sido nomeada pelo então presidente interino Michel Temer para presidir o Banco. Em 31 de agosto de 2016, os senadores aprovaram, por 61 votos a favor e 20 contra, a retirada de Dilma Rousseff da presidência da República  – o que resultou na efetivação de Michel Temer no cargo de presidente do Brasil.

            Após ter saído do BNDES, Luciano Coutinho retomou suas atividades docentes. Atualmente exerce as funções de professor titular no Instituto de Economia da UNICAMP. No decorrer de sua trajetória profissional, publicou vasta obra no âmbito da economia.

            Casou-se duas vezes. De seu primeiro casamento, teve dois filhos.

                       

Luciana Pinheiro

 

 

FONTES: Curriculo Lattes Luciano Coutinho. Disponível em: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4721596H5>. Acesso em 10/02/2017; Portal Agência Brasil. Disponível em: < http://agenciabrasil.ebc.com.br/>. Acesso em 10/02/2017; Portal Estadão - Economia. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/>. Acesso em 10/02/2017; Portal IG – Ultimo segundo. Disponível em: < http://ultimosegundo.ig.com.br/>. Acesso em 10/02/2017; Portal do jornal Folha de São Paulo. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em 10/02/2017;  Portal LCA – Soluções estratégicas em economia. Disponível em: < http://www.lcaconsultores.com.br>. Acesso em 10/02/2017; Portal da revista Época Negócios. Disponível em: < http://epocanegocios.globo.com/>. Acesso em 10/02/2017; Portal da revista Exame. Disponível em: < http://exame.abril.com.br/>. Acesso em 10/02/2017; Portal da  revista GGN. Disponível em: <http://jornalggn.com.br>. Acesso em 10/02/2017; Portal do Senado Federal. Disponível em: < http://www12.senado.leg.br/> Acesso em 10/02/2017.

 

 

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