CUNHA, FRANCISCO FLORES DA

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Nome: CUNHA, Francisco Flores da
Nome Completo: CUNHA, FRANCISCO FLORES DA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CUNHA, FRANCISCO FLORES DA

CUNHA, Francisco Flores da

*dep. fed. RS 1930; sen. RS 1935-1937.

 

Francisco Flores da Cunha, também conhecido como Chico Flores, nasceu em Livramento, atual Santana do Livramento (RS), no dia 23 de maio de 1875, filho de Miguel Luís da Cunha e de Evarista Flores da Cunha. Seu irmão, José Antônio Flores da Cunha, um dos mais importantes líderes políticos gaúchos, foi deputado federal de 1912 a 1914, de 1918 a 1920, de 1924 a 1926, de 1927 a 1929 e de 1946 a 1959, interventor federal no Rio Grande do Sul de 1930 a 1935 e governador do estado de 1935 a 1937.

Fez o curso primário de 1886 a 1889 e o secundário de 1890 a 1892 em sua cidade natal e em Ouro Preto (MG), ingressando a seguir na Escola de Farmácia desta última cidade, pela qual se diplomou em 1895. Ainda estudante, alistou-se em 1893 no Batalhão Benjamim Constant, que combateu a Revolta da Armada (1893-1894) movimento de oposição ao governo de Floriano Peixoto que envolveu a esquadra fundeada na baía da Guanabara. Membro do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), juntou-se também às forças legalistas que combateram no Sul a Revolução Federalista (1893-1895).

Depois de ter ocupado a prefeitura de Quaraí (RS) de 1900 a 1904, elegeu-se deputado estadual no pleito de 1906, renovando o mandato até 1924. Tornou-se então prefeito de sua cidade natal e, no pleito de março de 1930, elegeu-se deputado federal. Exerceu o mandato até a revolução de outubro desse ano, da qual participou ao lado do irmão, tendo sido baleado em combate.

Filiando-se ao Partido Republicano Liberal (PRL), criado em novembro de 1932 por seu irmão — então interventor —, integrou a primeira comissão diretora da agremiação. Durante os trabalhos da Assembléia Constituinte gaúcha em 1935, enquanto seu irmão era eleito governador, elegeu-se, por via indireta, senador por seu estado. Assumindo o mandato ainda em 1935, assistiu, a partir de então, ao crescente afastamento entre o presidente Getúlio Vargas e Flores da Cunha, que resultou na destituição deste em outubro de 1937, pouco antes do golpe do Estado Novo. Nesse momento, com a supressão dos órgãos legislativos do país, teve o mandato interrompido.

Pouco depois do golpe, foi preso sob a acusação de cumplicidade no assassinato do jornalista Valdemar Rippoll, ocorrido quatro anos antes. Esse episódio teve duas versões: segundo uma delas, Rippoll fora assassinado pelo uruguaio Pedro Borges, e a guarida a ele oferecida na casa de Chico Flores não constituiria prova da participação deste e de seu irmão no crime; a outra versão dizia que o assassino seria um oficial brasileiro que, coincidentemente, era capataz na fazenda de Chico Flores. O processo, porém, não chegou a nenhuma conclusão clara sobre o caso.

Retirando-se da vida pública, não mais concorreu a cargos eletivos. Co-proprietário da Fazenda São Miguel, Chico Flores passou a dedicar-se à pecuária em Santana do Livramento, tendo sido um dos maiores criadores de gado do Rio Grande do Sul. Fazia, também, parte da firma Flores da Cunha Irmãos, possuindo ainda fazendas nas quais se praticava a agricultura.

Pertenceu ao Instituto Genealógico Brasileiro de São Paulo e ao Instituto de Estudos Genealógicos do Rio Grande do Sul.

Faleceu em Santana do Livramento no dia 10 de maio de 1964.

Era casado com Francisca Chaves Flores da Cunha, filha do senador Antônio Gonçalves Chaves (1894-1903), que era também industrial e estancieiro. Desse matrimônio nasceram duas filhas.

 

FONTES: Álbum; Boletim Min. Trab.; CAGGIANI, I. Município; Diário do Congresso Nacional; ENTREV. PEIXOTO, A.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INF. FAM.; LEVINE, R. Vargas; RACIOPPI, V. Estudantes; SENADO. Anais (1935); SILVA, H. 1930; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937.

 

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