CURY, JORGE

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Nome: CURY, Jorge
Nome Completo: CURY, JORGE

Tipo: BIOGRAFICO


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CURY, JORGE

CURY, Jorge

*dep. fed. RJ 1963, 1964-1966, 1967-1969, 1979 e 1982-1987.

Jorge Said Cury nasceu em Niterói (RJ) no dia 6 de maio de 1927, filho de Said Cury e de Adélia Cury.

Advogado, iniciou sua carreira política nas eleições de outubro de 1962, obtendo a terceira suplência de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Exerceu o mandato de setembro a outubro de 1963 e de junho de 1964 a novembro de 1966, deixando a Câmara já filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), agremiação política de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, criada com a decretação do bipartidarismo (27/10/1965), que extinguiu os partidos até então existentes. Ainda em novembro de 1966, concorreu mais uma vez à Câmara dos Deputados na legenda do MDB, obtendo apenas uma suplência. Exerceu o mandato de agosto de 1967 a janeiro de 1968 e de abril de 1968 a fevereiro de 1969, tornando-se mais uma vez, nas eleições de novembro de 1970, suplente de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro na mesma legenda. Transferindo-se para a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido governista, candidatou-se no pleito de outubro de 1974 à Assembléia Legislativa fluminense, elegendo-se suplente de deputado estadual.

Nas eleições de novembro de 1978, vinculado ao ex-governador Antônio Chagas Freitas, elegeu-se deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro na legenda do MDB. Durante o exercício de seu mandato, iniciado em fevereiro do ano seguinte, participou da Comissão de Constituição e Justiça. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), liderado pela ex-deputada Ivete Vargas. Após tornar-se líder do PTB na Câmara e um dos três representantes da legenda em nível nacional, em março de 1981 pediu seu desligamento do partido alegando não ter sido consultado sobre a composição do diretório regional do Rio de Janeiro. Em poucos dias, entretanto, depois de negociar com algumas lideranças do PTB, reformulou a decisão tomada. Em maio de 1981, sugeriu aos partidos de oposição que prestassem “solidariedade e apoio irrestrito” ao presidente da República, general João Batista Figueiredo, no combate ao terrorismo, para que fosse esclarecido o episódio da explosão de bomba no Riocentro, no Rio de Janeiro.

Nas eleições de novembro de 1982, elegeu-se à Câmara dos Deputados pelo estado do Rio de Janeiro, na legenda do PTB, tornando-se líder da bancada do partido após ser empossado em fevereiro do ano seguinte. Ainda em 1983, entrou em choque com a deputada Ivete Vargas por não concordar com o pedido de apoio ao governo que ela havia feito ao partido, chamando-a de “fisiológica” e considerando sua conduta uma humilhação. Nesse mesmo ano, a comissão executiva do PTB decidiu requerer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação de Cury, por infidelidade partidária ao ter votado contra a aprovação do Decreto-Lei nº 2.065, que alterava a legislação salarial.

Em 25 de abril de 1984, votou favoravelmente à emenda Dante de Oliveira, que defendia o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a proposta não obteve a votação necessária para ser encaminhada ao Senado — faltaram 22 votos —, a sucessão do general Figueiredo ficou para ser decidida pela via indireta, através de um Colégio Eleitoral a ser reunido em 15 de janeiro de 1985.

Em decorrência de seus desentendimentos com a cúpula do PTB, ainda em 1984 Cury formalizou o seu ingresso no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) — que sucedeu o MDB. Com sua mudança de partido legitimada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, e absolvido pelo TSE das acusações de infidelidade partidária, votou, no Colégio Eleitoral, em Tancredo Neves, candidato oposicionista lançado pela Aliança Democrática, coligação do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) reunida na Frente Liberal. Eleito com uma expressiva votação sobre o candidato governista Paulo Maluf, do PDS, Tancredo, no entanto, não chegou a assumir o cargo em 15 de março de 1985, data marcada para sua posse. Acometido por uma grave doença, veio a falecer em 21 de abril seguinte, sendo substituído na presidência por seu vice José Sarney, que já vinha ocupando interinamente a chefia do Executivo federal desde o dia 15 de março.

Ainda em 1985, Cury solicitou a instauração de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar denúncias de corrupção na direção da Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal), envolvendo membros do PTB. Em novembro de 1986, tentou reeleger-se ainda no PMDB, mas não foi bem-sucedido. Deixou a Câmara em janeiro de 1987, ao fim de seu mandato.

Em abril de 1989, foi condenado a um ano e quatro meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por crime de calúnia contra o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Barata Silva, chamado de assaltante por Cury por ter votado contra os interesses do então deputado num processo trabalhista em junho de 1985. Beneficiado por ser réu primário, Cury não chegou a cumprir pena de detenção. Afastado da vida pública, voltou a exercer a advocacia.

Casou-se com Judite Pacheco Cury, com quem teve quatro filhos, entre os quais Sérgio Cury, que foi deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na legislatura 1991-1995.

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971); Estado de S. Paulo (18, 20/3 e 6/5/81); Folha de S. Paulo (18/3/81); Globo (18/3/81, 22/4/89); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (18/3/81); Perfil (1980); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6 e 8).

 

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