DECIO PALMEIRO DE ESCOBAR

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Nome: ESCOBAR, Décio
Nome Completo: DECIO PALMEIRO DE ESCOBAR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ESCOBAR, DÉCIO

ESCOBAR, Décio

*militar; ch. Depto. Prov. Ger. Ex. 1963-1964; ch. EME 1964-1966.

 

Décio Palmeiro de Escobar nasceu no Rio Grande do Sul no dia 9 de abril de 1902, filho de Afonso Marques de Escobar.

Sentou praça em fevereiro de 1919 ao ingressar na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, sendo declarado aspirante-a-oficial da arma de engenharia em janeiro de 1922. Promovido a segundo-tenente em abril do mesmo ano e a primeiro-tenente em junho de 1923, entre janeiro e agosto do ano seguinte cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, também no Rio de Janeiro.

Transferido em fevereiro de 1925 para o 3º Batalhão de Engenharia, sediado em Porto Alegre, recebeu em maio a patente de capitão, deixando essa unidade em março de 1926, quando foi designado para a 3ª Região Militar (3ª RM), também sediada na capital gaúcha. Auxiliar do Serviço de Engenharia e Comunicações desse comando, em fevereiro de 1928 deixou a 3ª RM e iniciou o curso da Escola de Estado-Maior (EEM), no Rio de Janeiro, concluindo-o em novembro de 1930, pouco depois da vitória do movimento revolucionário que depôs o presidente Washington Luís (24/10/1930) e colocou Getúlio Vargas na chefia do Governo Provisório (3/11/1930).

Depois de servir no Departamento de Pessoal da Guerra entre novembro de 1930 e maio de 1932, foi destacado neste último mês para o Estado-Maior do Exército (EME). Em setembro do mesmo ano, assumiu a chefia da 1ª Subseção da 4ª Seção do EME. Subcomandante do 1º Batalhão de Engenharia de abril de 1934 a janeiro de 1935, integrou nesse período a comissão que elaborou a nova Lei do Serviço Militar. Ainda em janeiro de 1935 foi designado adjunto do subdiretor da EEM, tornando-se mais tarde subdiretor de ensino e instrutor do curso de engenharia da escola. Exerceu esta última função a partir de fevereiro de 1936, sendo promovido a major em maio seguinte. Em junho deixou a EEM.

Em outubro de 1936 assumiu o cargo de adido militar junto à missão diplomática brasileira em Lima, no Peru. Membro da delegação do Brasil à Conferência Técnica Interamericana de Aviação, realizada na capital peruana em setembro de 1938, no mês seguinte foi nomeado, em caráter cumulativo, adido militar em Quito, no Equador. De volta ao Brasil em junho de 1939, foi comandante interino do 1º Batalhão Ferroviário, sediado em Santiago do Boqueirão (RS), entre julho e dezembro daquele ano. Em janeiro seguinte passou a comandar a 3ª Companhia daquele batalhão. Promovido a tenente-coronel em março, em abril tornou-se instrutor de história militar do curso de preparação à EEM, lecionando aquela disciplina até dezembro de 1940. No decorrer desse ano desempenhou várias funções na EEM.

Transferido em junho seguinte para o 2º Batalhão de Pontoneiros, sediado em Cachoeira do Sul (RS), comandou a unidade de agosto de 1941 a agosto de 1942. Retornando à EEM no mês seguinte, permaneceu na escola até julho de 1944, quando foi nomeado adjunto de gabinete do ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra. Promovido a coronel em dezembro do mesmo ano, de janeiro a maio de 1946 realizou viagem de serviço à América do Norte. Em novembro seguinte deixou o Ministério da Guerra para assumir a chefia do gabinete da secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional, função que exerceu até abril de 1950. Comandante do 1º Batalhão Ferroviário, sediado em Bento Gonçalves (RS), entre julho desse ano e novembro de 1951, em dezembro tomou posse na chefia da Divisão de Assistência Social do Ministério da Guerra. Em setembro do ano seguinte deixou aquele órgão, recebendo nesse mesmo mês a patente de general-de-brigada. Em outubro foi nomeado subchefe do Planejamento do EME, onde permaneceu até dezembro de 1954. Nesse período foi designado, em maio de 1953, para a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos.

Em agosto de 1955 assumiu o comando da 8ª RM, sediada em Belém, cargo que exerceu até março de 1957. Durante esse espaço de tempo desempenhou cumulativamente, em caráter temporário, a função de comandante militar da Amazônia. Diretor de Motomecanização do Exército de março de 1957 a dezembro do ano seguinte, neste último mês foi promovido a general-de-divisão, tornando-se ainda em dezembro comandante da 3ª RM, à frente da qual permaneceu até junho de 1960.

Segundo Muniz Bandeira, ao tomar conhecimento da renúncia do presidente Jânio Quadros, ocorrida em 25 de agosto de 1961, Décio Escobar, ao lado dos generais Floriano Peixoto Kelly e Nicanor Guimarães, protestou contra a solução dada pelos ministros militares — Odílio Denis, da Guerra, Sílvio Heck, da Marinha, e Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica — à sucessão presidencial, considerando-a uma violação à Constituição. Aproveitando a ausência do vice-presidente João Goulart, substituto legal de Quadros, em viagem oficial à China Popular, os ministros militares assumiram o poder de fato, embora o poder formal tivesse passado para Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. No entanto, o veto militar à posse de Goulart foi combatido por Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul e por amplos setores do Congresso. O impasse só foi superado com a aprovação da Emenda Constitucional nº 4, datada de 2 de setembro, que implicou a adoção do parlamentarismo no Brasil, permitindo que Goulart fosse afinal empossado na presidência da República cinco dias depois.

Em dezembro de 1963, Décio Escobar assumiu a chefia do Departamento de Provisão Geral do Exército em substituição ao general João de Segadas Viana. Promovido a general-de-exército no início de 1964, participou do movimento político-militar que depôs Goulart. Em 1º de abril, quando a situação já estava virtualmente sob o controle dos rebeldes, foi signatário de um manifesto — também assinado pelos generais Humberto Castelo Branco e Artur da Costa e Silva — divulgado por emissoras de rádio de Minas Gerais e São Paulo, que concitava todos os militares a apoiarem as forças contrárias a Goulart, visando “evitar a luta fratricida que... vem sendo preparada, irresponsável e criminosamente, pelo presidente da República e seus aliados comunistas”.

Deixou o Departamento de Provisão Geral em junho de 1964, passando o cargo para o general Valdemar Levi Cardoso. Nesse mesmo mês assumiu a chefia do EME em substituição a Emílio Maurell Filho. No exercício dessa função foi interinamente titular do Ministério da Guerra em janeiro de 1966, em virtude da viagem do marechal Artur da Costa e Silva ao exterior. Em dezembro daquele ano foi substituído na chefia do EME pelo general Orlando Geisel. Passando para a reserva — ocasião em que foi promovido a marechal —, dedicou-se à iniciativa privada, integrando no início da década de 1970 a diretoria do grupo Ultra, de São Paulo.

Faleceu no Rio de janeiro no dia 27 de fevereiro de 1983.

Era casado com Diva Braga da Silva Escobar, com quem teve quatro filhos.

 

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; BANDEIRA, L. 24; CORRESP. SECRET. GER. EXÉRC.; Globo (28/2/83); Jornal do Comércio, Rio (5/1/66); MIN. GUERRA. Almanaque (1958); VÍTOR, M. Cinco.

 

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