DERMEVAL JOSE PIMENTA

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Nome: PIMENTA, Dermeval
Nome Completo: DERMEVAL JOSE PIMENTA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PIMENTA, DERMEVAL

PIMENTA, Dermeval

*pres. CVRD 1946-1951.

 

Dermeval José Pimenta nasceu em São João Evangelista (MG) em 6 de fevereiro de 1893, filho de Cornélio José Pimenta e Josefina Carvalho Pimenta.

Fez seus estudos elementares no grupo escolar da cidade natal entre 1902 e 1906 e o curso secundário no Colégio Diocesano de Diamantina, onde ficou até 1911. No ano seguinte iniciou seus estudos superiores na Escola de Minas de Ouro Preto, tendo obtido o diploma de engenheiro de minas e civil em 1918.

Foi prefeito de seu município de origem de 1927 a 1928 e em 1934 tornou-se presidente da Companhia Cerâmica João Pinheiro, em Caeté (MG), cargo que ocuparia até 1961. Alguns anos depois, em 1937, foi nomeado diretor-superintendente da Rede Mineira de Viação, cargo no qual permaneceu até 1943. Nesse ano, foi nomeado secretário de Viação e Obras Públicas de Minas Gerais, cargo que ocupou até 1945.

No ano seguinte, tornou-se o segundo presidente da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), substituindo a Israel Pinheiro num momento de séria crise financeira e política. A CVRD foi criada em 1943, quando os governos dos Estados Unidos e da Inglaterra, motivados pelas necessidades da Segunda Guerra Mundial, financiaram a sua implantação. A companhia deveria produzir 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro a fim de suprir a demanda dos Aliados. No entanto, nesse mesmo ano, Hitler sofreu sua primeira derrota contundente e o conflito começou a caminhar para o fim. A partir de então, o interesse dos Aliados na CVRD decresceu, e, além disso, em virtude da própria guerra, os equipamentos que seriam fornecidos pelos Estados Unidos só chegaram ao Brasil em 1944. A CVRD iniciou seu funcionamento com uma infra-estrutura insuficiente: a exploração das minas era feita sob condições precárias, sem aparelhagem mecânica, o transporte era deficiente e havia falta de pessoal para trabalhar, os recursos disponíveis não eram suficientes para saldar seus empréstimos e débitos com fornecedores, empregados e até varejistas, as vendas eram escassas e caíram ainda mais com o fim do conflito.

A situação da empresa só começou a melhorar em 1947, ainda durante a gestão de Dermeval Pimenta, em virtude da progressiva recuperação da economia mundial. As exportações quadruplicaram (175 mil contra 40 mil no ano anterior), o governo federal injetou capital e obteve um novo empréstimo do Eximbank que permitiu o reinício de obras de mecanização das minas e reconstrução de uma ferrovia capacitada a escoar a produção. Em 1948, houve a primeira reestruturação administrativa, criando-se o cargo de superintendente-geral, responsável por todas as atividades executivas da empresa, e instituindo-se o conselho técnico, para elaborar planos e acompanhar sua execução. Nesse mesmo ano, a exportação dobrou, passando a 385 mil toneladas.

Dermeval Pimenta deixou a presidência da companhia em 1951, após ter terminado o trabalho de implantação definitiva da CVRD iniciado por Israel Pinheiro, sendo substituído por Juraci Magalhães. Assumiu mais uma vez a superintendência da Rede Mineira de Viação, que ocuparia até 1960.

Um dos fundadores das Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. (Usiminas) — empresa que contou com a participação de capitais japoneses — em 1952, no ano seguinte tornou-se presidente dos conselhos Consultivo e Deliberativo da Sociedade Mineira de Engenheiros, cargos nos quais permaneceria até 1960.

Membro da delegação brasileira ao IX Congresso Panamericano de Estradas de Ferro, realizado em Buenos Aires, em 1957, nesse mesmo ano tornou-se membro do conselho fiscal da Companhia Belgo-Mineira. Em 1960, obteve o título de economista, concedido pelo Conselho Federal de Economistas.

No ano seguinte assumiu a presidência da Companhia de Aços Especiais Itabira (Acesita), onde ficou até 1964. Nesse mesmo ano, tornou-se tabelião do Cartório do 6º Ofício de Notas, em Belo Horizonte. Em 1967, deixou de trabalhar no cartório para ocupar a diretoria financeira da Companhia Giustina do Brasil (até 1969). Em 1968, tornou-se diretor da Companhia Mineira de Alumínios (Alcominas) e do Departamento de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias de Minas Gerais e presidente do Conselho Estadual de Cultura, ocupando estes dois últimos cargos até 1975.

Membro da Academia Municipalista de Letras de Belo Horizonte, entre 1969 e 1973, e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, entre 1970 e 1976, tornou-se membro, em 1972, do Conselho de Administração e do Conselho Deliberativo do Banco do Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, nos quais permaneceu até 1985.

Morreu em Belo Horizonte em 8 de novembro de 1991.

Era casado com Lúcia Pinheiro Pimenta, com quem teve dez filhos. Seu filho Dermeval José Pimenta Filho, foi deputado estadual em Minas Gerais de 1959 a 1971. Sua filha Déia Lúcia Pimenta Felício dos Santos, casou-se com Carlos Murilo Felício dos Santos, deputado federal por Minas Gerais entre 1959 e 1967.

Publicou Angra dos Reis (1933), Os mineiros no Sul Fluminense (1934), O minério de ferro na economia nacional (1950), Aspectos econômicos de Minas Gerais (1955), A mata do Peçanha: sua história e sua gente (1966), Implantação da grande siderurgia em Minas Gerais (1967), Caminhos de Minas Gerais (1971) e A Vale do Rio Doce e sua história (1981), além de numerosos artigos em revistas especializadas.

Alexandra Toste

 

FONTES: CVRD. Vale; CURRIC. BIOG.; Jornal da Vale (8/91).

 

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