DEVISATE, ANTONIO

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Nome: DEVISATE, Antônio
Nome Completo: DEVISATE, ANTONIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
DEVISATE, ANTÔNIO

DEVISATE, Antônio

*pres. CIESP/FIESP 1952-1962.

 

Antônio Devisate nasceu na cidade de São Paulo em 20 de novembro de 1893, filho de Leone Devisate e de Maria Rafaela Ventimiglia Devisate, de origem italiana.

Diplomou-se pela Escola de Farmácia de Pindamonhangaba (SP) em 1917. Dedicando-se à indústria de sapatos na capital paulista, Devisate, definido pela revista Exame como “pequeno industrial”, foi um dos fundadores e integrante da primeira diretoria do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), surgido em 1928 de uma dissidência da Associação Comercial de São Paulo, que até então agrupava empresários de diversos setores. A cisão ocorreu depois dos industriais apresentarem chapa própria, liderada por Jorge Street, para a direção da Associação Comercial. Essa chapa influiu na formação da primeira diretoria do CIESP, composta por Francisco Matarazzo (presidente), Roberto Simonsen (vice-presidente), Antônio Devisate, Horácio Lafer, José Ermírio de Morais e Jorge Street.

Em 1931, os industriais paulistas foram encarregados pelo ministro do Trabalho, Lindolfo Collor, de transformarem o CIESP em federação, em virtude do decreto que regulou a sindicalização do país. Surgiu assim a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), da qual Devisate também foi fundador e membro da diretoria durante 31 anos consecutivos. A fundação da nova entidade, entretanto, não acarretou a extinção do CIESP.

Junto com Roberto Simonsen (então presidente da FIESP), Euvaldo Lodi, Morvan Dias de Figueiredo e Armando de Arruda Pereira, Devisate foi um dos fundadores, em novembro de 1942, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), cuja criação já havia sido proposta ao governo federal por líderes industriais desde o ano anterior. Em junho de 1946, foi também um dos organizadores do Serviço Social da Indústria (Sesi), entidade de direito privado dirigida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Assumindo a presidência da FIESP em 1952, deu amplo destaque ao problema da escassez de energia elétrica que na época preocupava o setor industrial. No último biênio em que Euvaldo Lodi esteve à frente da CNI (1952-1954), Devisate ocupou a vice-presidência da entidade, a cuja diretoria retornou em outras oportunidades. Em outubro de 1953 a sede do CIESP-FIESP foi visitada por uma comitiva da Escola Superior de Guerra, da qual participava o general Juarez Távora. Na ocasião, Devisate, na qualidade de presidente dessas entidades, alertou aqueles oficiais para o problema da escassez de insumos importados que poderia conduzir o Brasil de volta “ao regime colonial de produtor de matérias-primas”.

Membro do Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda no período 1954-1960, diretor regional do Sesi e presidente regional do Senai em São Paulo a partir de 1955, em novembro desse ano Devisate chefiou a delegação da FIESP à II Reunião Plenária da Indústria Nacional, promovida pela CNI e encerrada antes do prazo previsto em virtude da grave situação política que o país atravessava naquele momento, que culminou com o movimento militar de 11 de novembro, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott para garantir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.

Durante o governo de Kubitschek foi criado o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), cujo trabalho de difusão de concepções desenvolvimentistas e nacionalistas foi elogiado por Devisate em 1958. Segundo ele, a ausência de academicismo e a objetividade das suas pesquisas faziam do ISEB “um verdadeiro laboratório de meditação e prática da realidade brasileira” e “um centro de irradiação de cultura”.

No seu discurso de posse para mais um período à frente do CIESP, em fevereiro de 1961, Devisate, que permanecia no ramo de calçados, elogiou o programa do presidente Jânio Quadros em relação à indústria, considerando oportuna a revisão proposta pelo governo na política de crédito e os estímulos fiscais adotados, especialmente a possibilidade de isenção dos impostos aduaneiros (para importação de equipamentos sem similar nacional) e de renda (no caso de lucros reinvestidos nos setores considerados prioritários da economia). Referindo-se à Instrução nº 113 da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), vigente desde 1955 e que versava sobre a adoção de uma taxa de câmbio mais favorável aos capitais estrangeiros investidos em setores de especial interesse para a economia nacional, Devisate sugeriu ao novo governo “um estudo mais atento e aprofundado sobre medidas prejudiciais à nação”, dando continuidade assim ao combate que o CIESP já vinha travando há algum tempo pela revisão desse dispositivo. Além disso, afirmou que o progresso do país deveria ter por base uma “política de desenvolvimento fundada na conquista de uma taxa de formação interna de capital”, capaz de proporcionar ritmo satisfatório de crescimento, acompanhada do reforço da pauta de exportação para atender às “necessidades de divisas requeridas pela nossa incessante expansão”. Defendeu também a adoção de uma política de estabilização monetária, de equilíbrio do balanço de pagamentos e principalmente, a necessidade de uma política nacional de desenvolvimento baseada no estímulo à iniciativa privada e no aproveitamento do potencial de cada região do país. Devisate defendia a intervenção direta do Estado na economia em situações “acentuadamente especiais”, em empreendimentos que não oferecessem atrativos para a iniciativa privada ou nas áreas onde ela não estivesse presente.

Antônio Devisate permaneceu à frente do CIESP-FIESP até 1962. Em sua longa atividade ligada às associações patronais, foi fundador e presidente durante mais de 15 anos do Sindicato da Indústria de Calçados do Estado de São Paulo, fundador do Sindicato da Indústria do Solado e Palmilhado do Estado de São Paulo, do qual foi delegado junto ao Conselho de Representantes da Federação das Indústrias, além de fundador e, durante muitos anos presidente do Fórum (hoje Instituto) Roberto Simonsen. Representando os empregadores, foi por duas vezes membro da delegação brasileira à Conferência Internacional do Trabalho em Genebra, onde divulgou a legislação trabalhista e o sistema previdenciário adotados no Brasil. Em 1960, recebeu o título de Cidadão Emérito da Cidade de São Paulo.

Presidente de honra do CIESP-FIESP após o fim de seus mandatos à frente desses órgãos, Antônio Devisate dirigia a Companhia de Calçados Devisate e a firma Calçados Rocha, integrando também a diretoria da Companhia Bandeirantes de Seguros.

Segundo a revista Exame, Devisate morreu pobre num hospital do Sesi em São Paulo no dia 2 de fevereiro de 1970. Foi casado com Anita Devisate.

Sônia Dias

 

 

FONTES: Brasil-Calçados (5/61); CONF. NAC. IND.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COUTINHO, A. Brasil (1); DEP. PESQ. ESTADO DE SÃO PAULO; Estado de S. Paulo (14/2/61 e 3/2/70); FED. IND. EST. SP. FIESP; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Folha de S. Paulo (11/2/61); INST. ROBERTO SIMONSEN. Aspectos; LEME, M. Ideologia; OLIVEIRA, C. CIESP; Última Hora (17/10/53).

 

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