DJALMA DE SOUSA BOM

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BOM, Djalma
Nome Completo: DJALMA DE SOUSA BOM

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BOM, Djalma

BOM, Djalma

* dep. fed. SP 1983-1987.

 

Djalma de Sousa Bom nasceu em Medina (MG) no dia 29 de março de 1929, filho de Benigno de Sousa Bom e de Idalina Rodrigues de Sousa.

Iniciou suas atividades políticas no movimento operário da região do ABC em São Paulo, onde foi diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP) entre 1975 e 1980. Nesse último ano, também participou da organização e fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), agremiação política formada pelas novas lideranças sindicais surgidas nas greves de 1978-1979 contra a ditadura militar e por intelectuais e grupos de esquerda não alinhados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Por sua militância sindical, em novembro de 1981, ainda na vigência da Lei de Segurança Nacional (LSN), foi condenado em primeira instância por incitamento à greve pela 2a Auditoria Militar de São Paulo. A sentença, no entanto, não teve maiores conseqüências, pois o Superior Tribunal Militar (STM) declarou-se incompetente para julgar o caso.

Presidente regional do PT em São Paulo desde o início dos anos 1980, foi o deputado federal mais votado do partido, com 164.398 votos, nas eleições de novembro de 1982. Empossado em fevereiro do ano seguinte, dois meses depois tornou-se o primeiro operário a assumir a presidência da Comissão de Trabalho e Legislação Social da Câmara dos Deputados. Em agosto de 1983, com a eleição de um novo Diretório, deixou a presidência do PT paulista.

Na Câmara dos Deputados, em 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha a eleição direta para a Presidência da República em novembro daquele ano. Como a emenda das diretas não obteve a votação necessária à sua aprovação – faltaram 22 votos para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal – Djalma Bom, seguindo a orientação do PT, ausentou-se do Colégio Eleitoral que, a 15 de janeiro de 1985, deu a vitória ao candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Contudo, por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março deste ano.

Em agosto de 1985, Djalma Bom voltou a ocupar o cargo de presidente do PT paulista, contando com o apoio de Luís Inácio Lula da Silva, da Articulação, uma das tendências do partido. Como dirigente, Djalma Bom defendeu a necessidade de o PT apresentar propostas concretas de atuação no movimento popular, tornando-se um crítico das lutas internas entre os diversos grupos e da falta de unidade partidária.

Em setembro de 1985, na função de líder da bancada petista na Câmara, recusou convite do presidente José Sarney para participar de uma missão à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em protesto contra o que considerava uma postura subserviente do governo brasileiro frente ao Fundo Monetário Internacional (FMI) na questão da dívida externa e sustentando que não poderia “reforçar uma posição contrária aos interesses nacionais, aos interesses da classe trabalhadora e do próprio partido”.

No final de dezembro de 1985, criticando uma entrevista de Lula à Folha de São Paulo, Djalma Bom recusou a luta armada como estratégia de defesa de um eventual governo dos trabalhadores e defendeu a mobilização popular e a via eleitoral como os únicos caminhos legítimos de ascensão da esquerda ao poder. Na mesma oportunidade, também discordando de Lula, negou o caráter marxista do PT, por entender que o partido ainda buscava uma ideologia própria. Em novembro de 1986 tentou se eleger deputado federal constituinte, mas obteve apenas uma suplência. Deixou a Câmara em janeiro de 1987, ao final da legislatura.

Em julho daquele ano, Djalma Bom foi mais uma vez indiciado na LSN, por ofensas à honra do presidente Sarney durante um comício pela antecipação das eleições diretas para a presidência da República. Um mês depois, foi enquadrado em novo inquérito da Polícia Federal (PF), desta feita por incitamento aos saques a supermercados ocorridos em São Paulo após a decretação do Plano Bresser. Defendendo-se das acusações, Bom afirmou que a Constituição lhe garantia o exercício da livre manifestação do pensamento.

Nas eleições de novembro de 1988, elegeu-se vice-prefeito de São Bernardo do Campo na chapa do PT encabeçada por Maurício Soares. Empossado em janeiro de 1989, Djalma Bom tornou-se, também, secretário de Governo do município, função que exerceu durante dois anos. Em 1992, desincompatibilizou-se do cargo para ser o candidato do PT à prefeitura de São Bernardo do Campo. Derrotado, em 1994 se elegeu deputado estadual. Foi reeleito em outubro de 1998.

Ao longo de sua vida política, foi ainda coordenador do PT no ABCD paulista, presidente do partido em São Bernardo e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema.

Casou-se com Idalina Rodrigues de Sousa, com quem teve dois filhos.

 

Luís Otávio de Souza/Marcelo Costa

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Estado de São Paulo (16/7/87); Folha de São Paulo (13/4 e 19/6/83, 26/8 e 30/12/85, 16/7/87, 14/3/95); Globo (26/4/84, 16/1 e 25/8/85, 16/7 e 1/8/87); Jornal do Brasil (7/4/83, 19/9/85); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1998).

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados