EDIR BEZERRA MACEDO

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Nome: MACEDO, Edir
Nome Completo: EDIR BEZERRA MACEDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MACEDO, EDIR

MACEDO, Edir

*religioso

Edir Bezerra Macedo, o bispo Macedo, nasceu em Rio das Flores (RJ) em fevereiro de 1945, filho do alagoano Henrique Francisco Bezerra e da mineira Eugênia Macedo Bezerra. Foi o quarto dos sete filhos do casal.

Aos 17 anos de idade começou a trabalhar como servente na Loteria do Rio de Janeiro (Loterj), empresa ligada à Secretaria de Fazenda do Estado do Rio. Em 1963 foi convertido à religião professada pela Igreja de Nova Vida por uma irmã, que acreditava ter se curado de bronquite asmática nessa igreja pentecostal. Antes disso, Macedo passara pelo catolicismo e pela umbanda.

No início dos anos 1970, começou a estudar matemática na Universidade Federal Fluminense e estatística na Escola Nacional de Ciências Estatísticas, mas não concluiu nenhum dos cursos.

Em 1975, ao lado do cunhado Romildo Ribeiro Soares, de Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, Macedo fundou a Cruzada do Caminho Eterno, também conhecida como Salão da Fé. Antes disso, Macedo e Soares haviam sido consagrados pastores na denominação Casa da Bênção. Rompendo com os irmãos Coutinho, Edir Macedo e os outros dois pastores saíram da Igreja Caminho Eterno e fundaram, em 9 de julho de 1977, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), numa ex-funerária no subúrbio carioca da Abolição. Com a fundação da Igreja Universal, Edir Macedo licenciou-se da função de agente administrativo da Loterj, da qual se desligaria definitivamente em 1981.

Nos primeiros anos, a principal liderança da Universal era o missionário Romildo Soares, mas, com o tempo, essa posição foi sendo ameaçada pelo dinamismo de Macedo. A tensão entre os dois se acentuou até que os líderes da Igreja, por votação, decidiram que Macedo seria o chefe. Soares desligou-se então da Universal e, em 1980, fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, muito semelhante à sua predecessora. Nesse ano, a Universal adotou o chamado governo eclesiástico episcopal (ou dos bispos), cuja instância máxima é o Conselho Mundial de Bispos, presidido por Edir Macedo. Abaixo está o Conselho de Bispos do Brasil e, situado na base da hierarquia, o Conselho de Pastores. Os pastores locais são escolhidos pela hierarquia e não pelos fiéis, como ocorre com outras denominações evangélicas.

Lopes permaneceu ao lado de Macedo e foi peça fundamental na implantação da Igreja Universal em São Paulo entre 1981 e 1984. Entretanto, desentendendo-se com o já consagrado bispo Macedo, acabou saindo da Universal em 1987. Isso centralizou ainda mais o poder da Igreja nas mãos de Macedo, já que não havia mais necessidade de compartilhar a imagem de líder-fundador com outros bispos.

Com o poder eclesiástico centralizado, Macedo mudou-se para Nova Iorque, ainda em 1986, para divulgar a doutrina da Igreja Universal para o mundo. Desde meados dos anos 1980 a Igreja Universal passou a enviar pastores missionários para o exterior, encontrando maior receptividade nos países latino-americanos, principalmente os do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile), e nos africanos de língua portuguesa. Com o afastamento de Edir Macedo, o pastor Carlos Magno tornou-se o líder no Brasil e, posteriormente, uma ameaça ao bispo. A ascensão de Carlos Magno, no entanto, foi interrompida com o retorno de Macedo ao Brasil em 1989. No ano seguinte, Carlos Magno romperia com a Universal e formaria uma nova denominação: a Igreja do Espírito Santo.

A compra da Rede Record

O ano de 1989 foi muito importante na história da Universal. Obedecendo a uma calculada estratégia de expansão, a sede nacional e mundial foi transferida do Rio de Janeiro para São Paulo, após a Igreja ter fincado profundas raízes na capital paulista. O retorno do bispo Macedo coincidiu com o ousado investimento da Universal nos meios de comunicação de massa. Até aquele momento, havia adquirido algumas rádios e alugava horários na televisão, mas em novembro de 1989 comprou a Rede Record de Rádio e Televisão por 45 milhões de dólares. A estratégia utilizada por Macedo foi a de manter a programação comercial durante a maior parte do dia, concentrando a religiosa no começo da manhã e no final da noite. O principal cliente da Record tornou-se a própria Igreja, que assim pôde capitalizar o canal de televisão e viabilizar o investimento.

Um escândalo envolvendo a transação foi veiculado na grande imprensa em 1991, quando o pastor Carlos Magno acusou o bispo Macedo, através do programa de televisão Globo repórter, de ter recebido um milhão de dólares do narcotráfico colombiano para comprar a Record. As acusações, no entanto, não tiveram maiores conseqüências na época. Em maio do ano seguinte, porém, Edir Macedo foi preso por charlatanismo, curandeirismo e estelionato, sendo libertado 12 dias depois, mediante habeas-corpus. Como resposta, Macedo e a Universal adotaram discurso e postura de religiosos perseguidos pelo catolicismo e pela Rede Globo.

No segundo semestre de 1995, após outros menores mas não menos importantes casos religiosos-policiais, acusações de exploração da fé voltaram a ser divulgadas, acompanhadas de dois episódios em outubro e dezembro. O primeiro iniciou-se com a exibição da minissérie Decadência, de Dias Gomes, na Rede Globo, que contava a história da ascensão de um líder religioso corrupto de perfil evangélico. A Universal, através da Rede Record e do apresentador de televisão pastor Ronaldo Didini, acusou a Rede Globo de difamação e de ter exercido influência nefasta na recente história do Brasil.

O contragolpe da Globo ocorreu em 12 de outubro, com a exibição de um vídeo mostrando o pastor Von Helde, da Universal, chutando uma imagem de Nossa Senhora da Aparecida. A cena fora levada ao ar na Record. O pastor alegava que uma estátua de gesso não era capaz de produzir milagre algum. A seqüência foi exibida exaustivamente pela Rede Globo, que, como contraponto, mostrava as manifestações de desagravo dos católicos por todo o país. Como conseqüência, o bispo Macedo transferiu o pastor Von Helde e Ronaldo Didini para fora do Brasil e pediu desculpas publicamente.

Em dezembro foi divulgada uma fita de vídeo na qual o bispo Macedo ensinava aos seus pastores como pedir dízimos e ofertas. Era uma edição de cenas que ainda mostrava Macedo pilotando uma lancha em Angra dos Reis e pastores da Universal com brincadeiras maliciosas num corredor de hotel. O constrangimento atingiu diretamente Macedo, que passou a se apresentar ora arrependido ora vítima de um conluio entre Igreja Católica, a Rede Globo e o Partido dos Trabalhadores (PT).

Logo outra dissidência foi formada. Após a saída de Magno, o bispo Renato Suhett monopolizou a atenção da Igreja devido ao seu grande carisma, principalmente com os jovens. Foi o responsável pela estruturação de um outro importante investimento da Igreja Universal: a entrada no setor fonográfico. Devido a sua ascendência no cenário nacional, Suhett acabou sendo transferido para Los Angeles em 1992, distanciando-se do foco das atenções dos fiéis. Entretanto, com os escândalos envolvendo a Igreja Universal no segundo semestre de 1995, Suhett decidiu retornar ao Brasil e fundou uma nova denominação pentecostal: a Igreja do Senhor Jesus Cristo.

Posteriormente, a Universal adquiriu um canal em UHF para criar a Rede Família, que se incumbiria totalmente da programação religiosa. Assim, a Record seria dedicada à programação comercial, mantendo inclusive propagandas de cigarro e bebida alcoólica. A única restrição seria feita às outras religiões, principalmente às notícias sobre o catolicismo ou o anúncio de produtos dirigidos ao segmento católico, como os CDs do padre Marcelo Rossi ou livros de Leonardo Boff.

A Rede Record seguiu investindo nessa linha comercial, e nos últimos anos vem consolidando um público massivo e mantendo a segunda posição na audiência, atrás apenas da Rede Globo. Em 2007 criou o canal de notícias Record News, e em 2009 o portal de notícias na internet R7.   

A Universal e o mundo político

Paralelamente à entrada da Universal na mídia, Edir Macedo preocupou-se em marcar presença no cenário político. O pastor Roberto Lopes foi um precursor, elegendo-se deputado federal constituinte na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) do Rio de Janeiro em novembro de 1986. Obteve votação expressiva, mais de 54 mil votos, a maior da legenda trabalhista. A partir daí, a Universal não parou de crescer. Em outubro de 1990, elegeu quatro deputados federais e três estaduais e quatro anos depois, seis federais e seis estaduais. Entre os parlamentares estaduais, dois eram irmãos do bispo Macedo: Edna Macedo, eleita em São Paulo na legenda do Partido Progressista Reformador (PPR), e Eraldo Macedo, eleito no Rio de Janeiro na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB-RJ). Em 1998, a Igreja Universal elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais.

Em 2002 a Universal teve seu auge eleitoral. Estimativas apontaram para a eleição de 21 deputados federais, além de seu primeiro senador, Marcelo Crivella (sobrinho de Macedo), eleito representante do estado do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados pela legenda do Partido Liberal (PL). Naquele momento esse partido concentrava boa parte dos políticos ligados à Igreja. A Universal também viu bastante ampliada sua representação nas assembléias legislativas de diferentes estados, em especial no Rio de Janeiro.  

Os escândalos políticos ocorridos em 2005 em torno de denúncias de compra e venda de votos envolvendo parlamentares e o governo federal e do recebimento de doações ilegais de campanha afetaram diversos integrantes do PL, entre eles o deputado federal e bispo Carlos Rodrigues, ligado à Universal. O Bispo Rodrigues terminou renunciando ao mandato e se afastando da Igreja.

Na ocasião, a maioria dos políticos ligados à Universal deixou o PL para integrar o Partido Municipalista Renovador (PMR). O partido vinha sendo organizado pela Universal desde 2003, devido aos seus bons resultados nas eleições do ano anterior, mas foi legalizado apenas dois anos mais tarde. Em 2006, foi renomeado como Partido Republicano Brasileiro (PRB). Esse partido, se não foi organizado de forma a ser oficialmente da Igreja (sendo integrado inclusive pelo vicepresidente da República José Alencar, sem relação com a Universal), passou a reunir a maioria dos políticos ligados a ela.

Em 2006, estourou o escândalo que ficou conhecido como “máfia dos sanguessugas”, e que envolveu dezenas de deputados federais acusados de participação no desvio de verbas destinadas à compra de ambulâncias pelos municípios. Entre os envolvidos, muitos deles tinham ligação com a Universal.

Nas eleições de 2006, possivelmente devido à repercussão negativa dos referidos episódios de corrupção envolvendo representantes da Universal durante a legislatura anterior, a Igreja viu reduzida sua representação parlamentar a quatro deputados federais, apenas um deles eleito pela legenda do PRB. De modo geral, a representação das igrejas evangélicas se viu reduzida na ocasião. Com isso, o interesse da direção da Universal pelo partido parece ter se reduzido desde então.

Nas eleições majoritárias, a Universal apoiou abertamente Fernando Collor de Melo, que em dezembro de 1989 derrotou o candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva, e a Paulo Maluf, que, também no segundo turno do pleito de 1992, superou a candidata petista, Luísa Erundina, na disputa pela prefeitura de São Paulo. Em 1994, apoiou inicialmente o peemedebista Orestes Quércia, cuja candidata à vice-presidência, Íris Resende, esposa e homônima do político goiano Íris Resende, era evangélica. No desenrolar da campanha, passou a apoiar discretamente o candidato vitorioso, Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Seu maior adversário era o Partido dos Trabalhadores que, como as religiões afro-brasileiras, era “demonizado” por defender uma ideologia de esquerda. No entanto, mais recentemente a relação da Universal com o PT sofreu uma distensão. As críticas de ambas as partes se viram reduzidas. Tanto o PL quanto o PRB (que em momentos distintos foram as legendas concentradoras de representantes da Universal) integraram a base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, eleito em 2002 e reeleito em 2006.

De modo geral, a Universal não obteve resultados expressivos em eleições majoritárias, provavelmente pela rejeição a ela nutrida por parcela importante do eleitorado, fator decisivo em eleições dessa natureza. Por exemplo, Crivella, que se elegeu senador em 2002, foi derrotado em 2004 e 2008 para a Prefeitura do Rio de Janeiro, e em 2006 para o governo do estado do Rio de Janeiro.

Tendo seus maiores redutos eleitorais no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, a Universal caracteriza-se por um discurso político conservador e moralizador. Seus parlamentares opõem-se ao aborto, ao casamento civil entre homossexuais e à descriminalização da maconha e agem em favor de sua Igreja e de outros evangélicos garantindo isenções de impostos, viabilizando a construção de templos nas áreas urbanas.

Atividades recentes da Universal

Além dos investimentos na ampliação da Rede Record, a Universal criou nos últimos anos a gravadora Line Records, a Rede Aleluia (integrada por dezenas de rádios em todo o país) e a editora Universal Produções.  

Em 1999, Macedo e outras lideranças da Universal idealizaram o programa assistencial denominado Projeto Nordeste. Foi construída naquele mesmo ano a sua unidade piloto, a Fazenda Nova Canaã, localizada no município sertanejo de Irecê (BA). Funcionando com base no modelo de irrigação de um kibutz israelense, Nova Canaã se dedicou ao cultivo de diversas culturas, criação de animais e oferecimento de saúde, educação, esporte e lazer aos moradores da região.

Essa iniciativa teve participação direta do sobrinho de Macedo, Crivella, que havia retornado recentemente de longa estada na África a serviço da expansão da Universal no continente. Nesse período, chegou a ser apontado como eventual sucessor do tio na liderança da Universal. Por sua origem social mais abastada e sua atividade como cantor de sucesso, seria uma aposta da Igreja para renovar sua imagem e aproximar-se de setores de classe média – em contraposição à imagem reservada e mais popular de Macedo.                              

Nesse período, Macedo liderou diversos cultos multitudinários por todo o país. Mas logo novas denúncias surgiram envolvendo a Universal. A Receita Federal encontrou irregularidades na contabilidade de empresas ligadas à Igreja, acusadas de crimes de evasão de divisas, manutenção de contas ilegais no exterior e sonegação fiscal.

Em 2005, a Polícia Federal apreendeu sete malas com cerca de 10 milhões de reais em espécie. A quantia estava em poder de João Batista Ramos da Silva, então deputado federal pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e presidente da Igreja Universal, que viajava em um jato fretado pela Igreja. A investigação segue tramitando, e uma das linhas de investigação adotadas é de que o dinheiro pudesse ser destinado para fins políticos. A Universal alegou que ele constituía doações de fiéis.

Em 2009, Macedo recebeu nova acusação pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ele e outros líderes da Universal teriam desviado dinheiro de doações de fiéis, que pelas leis brasileiras são isentos de taxação. Num esquema envolvendo empresas de fachada, o dinheiro seria enviado para o exterior e retornaria ao país na forma de empréstimos feitos por participantes da ação. Finalmente, ele seria utilizado para a compra de diversas empresas ligadas à Universal. Diversas emissoras de televisão deram destaque ao ocorrido, em especial a Rede Globo, o que abriu nova batalha entre essa emissora e a Rede Record, que realizou uma série de reportagens atacando a emissora concorrente. O caso segue sendo investigado.  

Assim como alguns líderes-fundadores de igrejas pentecostais, o bispo Macedo concentra o poder da organização que ajudou a criar. Sua imagem, associada à Igreja Universal, oscila entre o explorador da boa-fé da população pobre e o de líder de uma parcela significativa do crescente segmento evangélico, que tem grande fidelidade econômica e eleitoral. Peça central dessa estrutura, que envolve empreendimentos religioso, comercial e político, Macedo destacou-se como uma das principais lideranças religiosas no Brasil desde os anos 1980. Algumas estimativas calculam que a denominação religiosa fundada por Macedo teria cerca de 15 milhões de fiéis no Brasil, e atividades em cerca de 170 países.

Publicou dezenas de livros. Entre eles, o que atraiu maior atenção e causou maior polêmica foi Orixás, caboclos e guias – deuses ou demônios? (1997). Em 2005, após vender mais de 3 milhões de exemplares em diversas edições, uma decisão judicial retirou o livro de circulação, por críticas e ofensas às religiões afro-brasileiras e ao espiritismo. Sobre Macedo, foi publicada a biografia O bispo – a história revelada de Edir Macedo (2007), de Douglas Tavolaro.

Casou-se com Ester Eunice Rangel Macedo, com quem teve duas filhas. O casal adotou um filho.

Ronaldo de Almeida colaboração especial/Fabricio Pereira da Silva atualização

FONTES: ALMEIDA, R. Universalização; Folha Universal (7/6/92); FRESTON, P. Protestantes; Globo (16/10 e 23 e 24/12/95); IstoÉ (18/10 e 13/12/95); Jornal do Brasil (2/9, 14 e 22/10 e 23/12/95); MARIANO, R. Neopentecostalismo; Veja (25/10/95); Época (4/9/09).

 

 

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