EUGENIO DE ARAUJO SALES

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Nome: SALES, Eugênio
Nome Completo: EUGENIO DE ARAUJO SALES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SALES, EUGÊNIO

SALES, Eugênio

*religioso; arceb. Salvador 1968-1971; arceb. RJ 1971-2001.

 

Eugênio de Araújo Sales nasceu em Acari (RN) no dia 8 de novembro de 1920, filho de Celso Dantas Sales e de Josefa de Araújo Sales.

Concluindo os estudos secundários no Colégio Marista de Natal, fez o curso de filosofia e teologia no Seminário de Fortaleza. Após ordenar-se sacerdote em novembro de 1943, aos 23 anos — mediante uma autorização especial do Vaticano, pois a idade mínima era 24 anos — foi nomeado vigário-cooperador da paróquia de Nova Cruz, em Natal, e posteriormente capelão do Colégio Nossa Senhora do Carmo, na mesma cidade, exercendo essas funções durante seis meses. Em 1944, tornou-se capelão do Colégio Marista, no qual havia estudado, e diretor das obras das vocações sacerdotais da arquidiocese de Natal. Entre aquele ano e 1945, foi professor de apologética do Seminário de São Pedro, em Natal, e organizou o movimento da Juventude Masculina Católica (JMC), na mesma arquidiocese. Em 1945, deixou o cargo de capelão do Colégio Marista.

Fundou em 1948 o Serviço de Assistência Rural (SAR), difundindo em Natal e no interior do estado os Centros Sociais da Comunidade, destinados a prestar serviços de assistência religiosa e social. Fundou também, na periferia de Natal, escolas-ambulatório ligadas aos centros comunitários, assim como a Obra do Bom Pastor e o Lar das Mães. Quando dirigia as obras sociais da arquidiocese da capital de seu estado, fundou dois patronatos para menores carentes, um instituto para menores infratores e o Centro de Treinamento de Líderes do Nordeste. Foi também o fundador da Assistência Social Penitenciária, formada por voluntários dedicados à assistência religiosa e ao amparo moral aos presos.

Tornou-se, em 1950, professor de teologia da Escola de Serviço Social de Natal, sendo designado em julho de 1954 bispo-auxiliar de dom Marcolino de Sousa Dantas, arcebispo da cidade. Sua sagração como bispo foi feita em agosto do mesmo ano, por dom José de Medeiros Delgado, arcebispo do Maranhão; dom Eliseu Simões Mendes, bispo de Mossoró (RN); e dom José Adelino Dantas, bispo de Caicó (RN). Em março de 1959, esteve presente, com outros clérigos e políticos nordestinos, numa reunião convocada pelo presidente da República, Juscelino Kubitschek (1956-1961), para debater problemas crônicos do Nordeste e encontrar caminhos para o combate à seca e a necessidade de se fixar o homem à terra. Na reunião, foram encampadas as ideias básicas do I Encontro de Bispos do Nordeste e foi criado o Conselho do Desenvolvimento do Nordeste (Codeno), transformado meses depois na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Ainda em 1959, dom Eugênio criou no Rio Grande do Norte a Emissora de Educação Rural — responsável pelo lançamento de um programa de alfabetização rural no qual foram utilizados três mil rádios transistores, doados pelo governo federal — e a Fundação Pio XII, visando à colonização agrícola. Foi eleito em 1961 secretário da regional nordeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No ano seguinte, passou a administrador apostólico sede plena da arquidiocese de Natal, e exerceu as funções de arcebispo em virtude da idade avançada de dom Marcolino de Sousa Dantas, arcebispo titular. Ainda em 1962, iniciou em Natal a experiência piloto de religiosas assumirem paróquias, posteriormente estendida a todo o país. Também em 1962, participou do Congresso Internacional de Serviço Social. Em 1963, criou cursos de aperfeiçoamento para bispos e participou do Concílio Vaticano II, realizado em Roma, tendo integrado as comissões de elaboração do documento sobre o apostolado leigo e da encíclica Gaudium et spes, concluídos em 1965.

 

Na arquidiocese de Salvador

Em 1964, dom Eugênio Sales transferiu-se para Salvador para assumir a função de administrador sede plena da arquidiocese, como auxiliar do arcebispo titular, dom Augusto Álvaro da Silva. Daquele ano até 1966, presidiu o Secretariado de Ação Social da CNBB, em substituição a dom Avelar Brandão. Em 1965, reformulou o processo de planejamento das pastorais em Salvador, promovendo, com as bases da comunidade, debates sobre seus problemas básicos, como saúde e educação, dos quais participaram cerca de 40 mil pessoas, entre religiosos, párocos e leigos. Em junho do mesmo ano, participou da reunião dos bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), realizada na Venezuela. Fundou, ainda em 1965, o Instituto de Desenvolvimento Integral (IDI), com o objetivo de integrar a religião e a participação comunitária, criando, desse ano até 1971, 20 paróquias na periferia de Salvador, dirigidas por religiosas. Eleito presidente do Departamento de Ação Social do Celam em 1965, visitou todos os países da América Latina, inclusive Cuba, àquela altura já socialista, para estudar as realidades locais em conferências com os respectivos arcebispados.

Dom Eugênio foi o coordenador dos encontros latino-americanos de bispos, realizados em Mar del Plata, na Argentina, em 1966, e em Salvador, em 1967. De 1966 a 1970, presidiu o Comitê de Promoção Humana da Comissão Pontifícia de Justiça e Paz, sediada em Roma. Ainda em 1966, em articulação com a Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), promoveu em Salvador um encontro nacional de empresários cristãos. Participou da Conferência Internacional dos Bispos Nigerianos, realizada na Nigéria, e coordenou a comissão de justiça do Encontro de Medellín, na Colômbia.

Em 1968, sucedeu ao cardeal Augusto Álvaro da Silva como arcebispo de Salvador e, no ano seguinte, passou a presidir a Comissão para o Desenvolvimento Humano, que planejou, coordenou e administrou o movimento católico para a alfabetização de adultos em todo o mundo. Em abril de 1969, na aula inaugural do IDI, declarou que “tanto os regimes socialistas como os liberais fazem parte da civilização moderna”, e que “devemos aproveitar benefícios e verdades que cada um tenha, eliminando seus erros”. Em maio seguinte, por nomeação do papa Paulo VI, recebeu as insígnias de cardeal, e em 1970, foi delegado papal ao VIII Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Brasília. Como cardeal-arcebispo de Salvador, tornou-se o primaz do Brasil. Nesse período, teria se recusado a celebrar a missa de aniversário do Ato Institucional n. 5, a pedido do general Abdon Sena, de Salvador.

 

Na arquidiocese do Rio de Janeiro

Em março de 1971, dom Eugênio Sales foi nomeado cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, substituindo dom Jaime de Barros Câmara, recém-falecido. Na ocasião, devido à sua fama de conservador, 67 padres do Rio declararam-se contrários à sua indicação para o cargo. Ainda em 1971, foi designado representante do episcopado brasileiro no Sínodo dos Bispos, em Roma.

Desde o início de sua administração episcopal no Rio de Janeiro — inaugurada no governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), período marcado por grande cerceamento das liberdades públicas — dom Eugênio se caracterizou por uma atitude política moderada e cautelosa, o que não o impediu de se manifestar algumas vezes em defesa dos direitos humanos, ao mesmo tempo em que mantinha permanente polêmica contra as ideias socialistas, que exerciam então forte influência em setores do clero.

Participou de alguns dos encontros da chamada Comissão Bipartite, fórum de discussão secreto que se reuniu entre 1970 e 1974 com o objetivo de impedir a deterioração das relações Igreja-Estado e que era integrado por importantes líderes da Igreja Católica, como dom Aluísio Lorscheider, secretário-geral e depois presidente da CNBB; dom Ivo Lorscheiter; dom Avelar Brandão, vice-presidente da CNBB; dom Lucas Moreira Neves, bispo-auxiliar de São Paulo; e por altos oficiais das forças armadas e integrantes do Serviço Nacional de Informações (SNI) e do Centro de Informações do Exército (CIE). Nessas reuniões, o primeiro escalão do clero cobrou da cúpula militar a investigação de casos de violação de direitos humanos, o fim do cerceamento da liberdade de expressão e das perseguições políticas. Dom Eugênio deixaria de integrar a Comissão Bipartite em 1972, depois que as autoridades violaram a promessa de que não prenderiam um sacerdote suspeito de subversão.

Ainda em 1971, dom Eugênio elaborou o primeiro plano conjunto da pastoral no Rio de Janeiro, com a participação de paróquias e comunidades de base, dinamizou as pastorais da família, da juventude e a missionária, criou a pastoral vocacional, com o objetivo de, através de cursos de discernimento vocacional, preparar os jovens decididos a serem seminaristas, e criou uma assessoria de imprensa para a arquidiocese. Em 1972, criou a Pastoral do Trabalhador e o Vicariato Episcopal para Religiosas, coordenado por uma religiosa e assistido por um bispo.

Em 1975, criou as missões populares voltadas para a evangelização e a Pastoral das Favelas. Esta última, auxiliada por uma assessoria jurídica, visava a dar assistência a favelados e moradores de conjuntos habitacionais populares, tentando evitar, no caso dos primeiros, as remoções. Ainda em 1975, promoveu a peregrinação oficial do Ano Santo em Jerusalém (Israel) e criou a Pastoral do Sistema Penal, estendida a todos os presídios da cidade; a Pastoral do Anônimo, para atender ao problema da solidão; uma assessoria leiga, de caráter técnico, para consultas sobre posições a serem tomadas pela Igreja diante dos problemas nacionais e locais; e uma assessoria teológico-pastoral. No ano seguinte, criou um serviço permanente de assistência a refugiados políticos latino-americanos, no Rio de Janeiro, objeto de um convênio firmado mais tarde com a representação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Após o fechamento do Congresso, em abril de 1977, pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979), como parte do conjunto de medidas conhecidas como o “pacote de abril”, dom Eugênio Sales tornou-se um dos interlocutores do presidente do Senado, Petrônio Portela, em suas negociações com o que então se chamava de “representantes da sociedade civil”, visando a encontrar pontos de convergência que tornassem possível o encaminhamento do projeto de abertura política do presidente da República e do chefe do Gabinete Civil, general Golberi do Couto e Silva.

Em dezembro de 1977, dom Eugênio Sales negou, através da imprensa, a existência de freiras, padres ou bispos “vermelhos” no seio do clero. Perguntado sobre a posição da Igreja em relação à campanha em prol da anistia política em fevereiro de 1978, ele declarou ao Jornal do Brasil: “Essas campanhas muitas vezes apresentam um rumo e depois tomam outro”. Disse ainda que, pessoalmente, sempre se inclinava para a misericórdia e o perdão, mas acrescentou: “O perdão está condicionado a vários fatores. Assim, quem foi condenado por julgamento injusto tem direito à anistia; quem cometeu crime, dentro dos padrões normais que regem a sociedade, pode merecer essa mercê, mas não tem o direito de exigi-la”.

No fim de março de 1978, o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, visitou o Brasil, ocasião em que se encontrou com dom Eugênio e dom Paulo Evaristo Arns, cardeal-arcebispo de São Paulo. A propósito do encontro, em que foi discutida a situação dos direitos humanos no Brasil, o Jornal do Brasil afirmou: “O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro é considerado um moderado. Foi graças a ele que se manteve o entendimento entre a Igreja e o Estado durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici”. Em dezembro de 1978, pronunciando-se a respeito do projeto de anistia que vinha sendo preparado pelo presidente Ernesto Geisel, dom Eugênio Sales declarou: “A anistia, independentemente da justiça ou injustiça, é uma forma de misericórdia e pode ser uma forma de sabedoria política”. Em agosto de 1979, já no governo do presidente João Batista Figueiredo, quando o projeto da anistia tramitava no Congresso, dom Eugênio declarou que desejava que a anistia fosse a mais ampla possível. Em outubro seguinte, numa palestra de encerramento do IV Seminário Regional Latino-Americano de Teologia e Pastoral do Culto do Coração de Jesus, realizado no Centro de Estudos Teológicos do Sumaré, no Rio de Janeiro, criticou o que chamou de “desvios doutrinários de uma corrente meramente sociopolítica da teologia latino-americana e o uso da análise marxista para a reflexão teológica”.

Em abril de 1980, a CNBB analisou as críticas feitas pelo presidente João Figueiredo e por alguns de seus ministros à atuação da Igreja no campo social. No dia 25 do mesmo mês, foi publicado um documento, aprovado pelos bispos, que afirmava: “A cada bispo em sua diocese cabe cumprir a tríplice e grave tarefa de ensinar e interpretar a verdade, presidir e promover a liturgia e discernir e coordenar as formas de presença e ação de sua igreja particular. Essa missão, o bispo a exerce em nome do próprio Cristo, subordinado ao papa e em comunhão com os demais pastores”. Esse documento foi também uma reação às críticas dirigidas especificamente a dom Ivo Lorscheiter, presidente da CNBB, pelo governo e até por alguns bispos, como dom Vicente Scherer, cardeal-arcebispo de Porto Alegre, em face da atuação de dom Ivo durante as greves operárias no ABC paulista. Pronunciando-se sobre a questão, dom Eugênio Sales afirmou que a reabertura do diálogo entre patrões e empregados era o único caminho, acrescentando esperar que, na solução da crise, os operários não fossem injustiçados. Quanto ao presidente da CNBB e a dom Vicente Scherer, disse não querer julgar nem um, nem outro: “Depende das circunstâncias locais a avaliação de cada fato”, afirmou.

Em junho de 1980, o papa João Paulo II iniciou uma visita de 12 dias ao Brasil, o que se transformou no maior acontecimento religioso da história do país. No Rio de Janeiro, onde foi recebido por dom Eugênio Sales e cumpriu extensa agenda, sua santidade visitou a favela do Vidigal, preparada pela Cúria Metropolitana para recebê-lo. Na ocasião, dirigindo-se aos bispos brasileiros, João Paulo II afirmou: “A Igreja em todo o mundo quer ser a Igreja dos pobres. A Igreja em terras brasileiras quer ser também a Igreja dos pobres, isto é, quer extrair toda a verdade contida nas bem-aventuranças de Cristo”. Comentando a preferência pelos pobres indicada pelo papa, dom Eugênio Sales afirmou ser ela “um sinal da autenticidade do trabalho evangélico dos bispos e do conjunto dos católicos”, mas observou: “A Igreja, porém, não se identifica com uma classe social, ela é essencialmente mediadora”.

No início de setembro de 1980, dom Eugênio celebrou na igreja da Candelária a missa de sétimo dia pela alma de Lida Monteiro da Silva, secretária do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), morta num atentado terrorista da extrema direita à sede da entidade. Em novembro seguinte, recusou-se a receber a Medalha do Pacificador, que lhe fora conferida pelo Exército, declarando que, embora tivesse apreço pela condecoração, “quanto à recepção da mesma, deixo o assunto para posterior apreciação”. Em dezembro do mesmo ano, manifestou-se preocupado com “a infiltração de ideologias contrárias ao cristianismo” nas comunidades eclesiais de base, declarando, em janeiro do ano seguinte, que na Nicarágua a Igreja vinha sendo “utilizada de forma astuciosa pelos sandinistas para disfarçar seus verdadeiros objetivos políticos e, dessa forma, impedir que haja oposição ao estabelecimento de um regime marxista no país”.

Em abril de 1981, realizou-se em Itaici (SP) o IV Encontro Intereclesial das Comunidades de Base, com a presença de cerca de trezentos participantes, que debateram a atuação das comunidades nos bairros. Argumentando que não se tratava de uma reunião oficial da Igreja e que a atuação das comunidades eclesiais de base ainda não havia sido regulamentada pela CNBB, dom Eugênio não compareceu, nem enviou representante de sua arquidiocese ao encontro.

Em julho seguinte, integrou um grupo de 15 cardeais chamados a Roma para resolver problemas administrativos da Santa Sé, principalmente um déficit de milhões de dólares. Em setembro do mesmo ano celebrou, a missa pelo Dia da Independência na catedral metropolitana, no Rio de Janeiro, defendendo em seu sermão o uso da força “contanto que baseada no direito e visando à manutenção da ordem pública”.

No início de outubro do mesmo ano, visitou, em Brasília, o presidente da República em exercício, Antônio Aureliano Chaves de Mendonça, que assumira o governo durante a viagem do presidente João Figueiredo aos Estados Unidos para se submeter a exames médicos. Aureliano se recusara a decretar a expulsão do país de dois padres franceses — Aristides Camio e François Gouriou — acusados de incitar posseiros a cometerem crimes contra agentes policiais no limite norte de Goiás com o Pará. A expulsão era exigida por setores radicais das Forças Armadas, mas Aureliano fez questão de que os padres fossem submetidos a julgamento. À saída desse encontro, dom Eugênio Sales declarou que “mais importante do que os dois padres franceses são as milhares de pessoas expulsas de suas terras”.

Em meados de 1985, numa conjuntura de escândalos financeiros e políticos, defendeu em seu programa radiofônico semanal a necessidade de uma cruzada pela moralidade pública, “a exemplo do imenso clamor que se fazia ouvir pelos quadrantes de nossa pátria quando da campanha política das Diretas Já”. Segundo dom Eugênio, no âmago de todos os problemas que então abalavam o país estava a crise de autoridade, esterilizando todo e qualquer esforço de reconstrução de uma nova sociedade. “Estamos pagando um preço incalculável por essa falta de pudor que encobre uma imensa injustiça social”, disse o arcebispo.

À frente da Arquidiocese do Rio de Janeiro, dom Eugênio manifestou em muitas ocasiões sua discordância com a linha progressista, assumida pela CNBB, que considerava “excessivamente voltada para as coisas do mundo”. Foi um crítico contumaz da Teologia da Libertação, cujos ensinamentos, “de corte marxista”, seriam, segundo ele, “contrários à santidade da família”, entrando em conflito direto com seus adeptos. Sua disputa com o frade franciscano Leonardo Boff, um dos expoentes da Teologia da Libertação, teria levado ao desligamento do frade da Igreja Católica, por decisão da Comissão de Doutrina e Fé do Vaticano.

Em dezembro de 1985, dom Eugênio participou do Sínodo Extraordinário dos Bispos, convocado pelo papa João Paulo II, para celebrar, verificar e promover o Concílio Vaticano II no seu 20º aniversário e, em março do ano seguinte, integrou um encontro dos bispos brasileiros com João Paulo II e cardeais da Cúria Romana, em que se buscou dirimir as divergências reinantes no episcopado brasileiro e conclamá-lo a seguir os rumos indicados pelo Vaticano.

Em maio de 1986, solidarizou-se com o arcebispo de Manágua, cardeal Obando y Bravo, no protesto contra as restrições impostas à Igreja e a outros setores da sociedade nicaraguense pelo governo sandinista, que expulsara do país vários sacerdotes e invadira e ocupara os escritórios da arquidiocese local.

Dom Eugênio foi também o primeiro signatário da mensagem pastoral do episcopado fluminense, que definiu a posição da Igreja acerca das eleições de novembro de 1986. Embora salientando que a Igreja não tem partido, nem apoia candidatos, os bispos das dioceses do estado do Rio ponderaram: “Ninguém pode ignorar que a elaboração de uma nova Constituição para o Brasil torna este momento verdadeiramente crucial para o presente e o futuro do país. Daí a necessidade premente de escolher, com grande senso crítico, com acerto, os candidatos [...] Antes de ser uma simples questão de política partidária, é uma questão de respeito e apreço pela dignidade fundamental da pessoa humana e preservação dos princípios cristãos”.

Criador da Campanha da Fraternidade, em 1964, dom Eugênio foi responsável também pela sua primeira dissidência, em 1987, ao promover em sua arquidiocese uma campanha própria, com uma mensagem diferente do texto-base nacional preparado pela CNBB para discutir a questão dos negros no Brasil. O tema da campanha de 1988 foi uma homenagem ao centenário da Abolição, fundada no slogan “Ouvi o clamor deste povo”. Enquanto o texto da CNBB, assumindo de forma mais radical as teses e reivindicações dos movimentos de luta contra o racismo, fazia uma autocrítica quanto à responsabilidade da Igreja na legitimação da escravatura no Brasil e falava em “organização da população em vista da transformação do sistema vigente a partir das experiências comunitárias concretas”, a campanha da Arquidiocese do Rio, que teve como lema a mensagem “Várias raças, um só povo”, buscou relativizar o papel da Igreja no processo escravocrata e priorizou a tese da miscigenação e da integração racial, defendendo que a discriminação sofrida pelo negro no Brasil era mais social e econômica do que racial. Em seu texto-base, afirmava também que “a promoção social do negro dificilmente se dará através da exacerbação do sentimento de classe, do uso de sua condição social para acirrar conflitos”. Dom Eugênio posicionou-se também contrário à organização de encontros ou de entidades de seminaristas ou de padres negros, assim como à criação da Pastoral do Negro, reivindicada por alguns religiosos.

Ainda em 1987, no mês de abril, dom Eugênio foi homenageado pelo Exército com a Medalha do Pacificador, “pelos relevantes serviços prestados ao país”.

Amigo do papa João Paulo II, grande defensor de suas ideias e considerado por muitos o homem forte do Vaticano no país, influenciou, direta ou indiretamente, a maior parte das decisões que afetaram a Igreja no Brasil no período. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, dom Eugênio era tão prestigiado no Vaticano que chegou a ser chamado nos bastidores eclesiásticos de vice-rei de Roma. Ao longo dos anos 1980, ele integrou simultaneamente mais de dez congregações, comissões e conselhos que assessoraram o papa e dirigiram, de fato, o mundo católico: foi membro da Sagrada Congregação para o Culto Divino; copresidente das sagradas congregações para os Bispos, para o Clero, para a Igreja Oriental, para a Evangelização dos Pobres e para a Educação Católica; copresidente do Pontifício Conselho para a Cultura e da Pontifícia Comissão para os Meios de Comunicação Social; além de integrar o Conselho Permanente dos 15 Cardeais, que trata dos assuntos financeiros do Vaticano, e o Conselho dos Negócios Públicos da Igreja, órgão da Secretaria de Estado do Vaticano.

Favorável à obediência estrita ao Vaticano, justificou a excomunhão pelo papa João Paulo II, em julho de 1988, do arcebispo tradicionalista francês Marcel Lefebvre, líder do Movimento Integrista, dos quatro bispos da comunidade de Écone (Suíça) por ele consagrados, e do então bispo de Campos (RJ), monsenhor Antônio de Castro Mayer, que participara da sagração proibida. Segundo ele, alguns padres e bispos vinham de fato cometendo abusos com relação às determinações do Concílio Vaticano II, devendo, a partir de então, repensar suas ideias. Mas lembrou que dom Antônio “não foi o único a errar, pois na Igreja Católica existem grupos que não querem mudar e outros que andam depressa demais, ambos agindo incorretamente”.

Apoiou também a repreensão do papa ao bispo de São Félix do Araguaia (GO), dom Pedro Casaldáliga, um dos líderes da ala progressista da Igreja Católica no Brasil, em setembro de 1988. Para o cardeal, a punição teve um objetivo construtivo e só surpreendeu “aqueles que confundem a Igreja com uma sociedade temporal, republicana e democrática [...] A Igreja é uma sociedade religiosa que tem uma autoridade suprema, o papa, [...] que não é eleito pelo povo. Um dos erros é a afirmação de que a Igreja nasce do povo, quando ela nasce de Jesus Cristo”.

Durante os debates constituintes, dom Eugênio se posicionou contrariamente à diminuição do prazo para a concessão do divórcio após a separação do casal e condenou, sob qualquer ponto de vista, a prática do aborto, considerando-a “um ato cruel e homicida”. Para o cardeal, além de tímida na defesa da família, a Carta Constitucional de 1988 exorbitou no direito de greve e errou ao proibir a censura. Dom Eugênio criticou também o tratamento dado pelos constituintes à reforma agrária, que, segundo ele, ficou muito aquém do que se desejava. Coerente com seu pensamento conservador — “somos nós que devemos nos adaptar à Igreja, e não nós que vamos adaptar a Igreja ao nosso gosto, à nossa mentalidade, às correntes de pensamento em voga” —, manifestou-se contrariamente a experiências como a do bebê de proveta, o uso de preservativos e qualquer tipo de esterilização. Em 1990, condenou a campanha de prevenção da Aids que estimulava o uso de preservativos nas relações sexuais, que, segundo ele, além de “infringir a moral cristã”, favorecia “o relacionamento sexual com indivíduos diversos, estimulando a promiscuidade e multiplicando uma das fontes de propagação da doença. [...] Devemos evitar o contágio modificando o comportamento sexual”.

Dom Eugênio se posicionou contrariamente à legalização do jogo do bicho, à abertura de casas de bingo e à volta dos cassinos, que classificou de “excelentes aliados do narcotráfico, por facilitarem a lavagem de dinheiro sujo”.

Em novembro de 1990, juntamente com mais 13 bispos do estado do Rio de Janeiro, lançou um comunicado criticando o que classificou de abusos dos meios de comunicação social na divulgação da violência, da pornografia, do roubo e da mentira. Em julho de 1992, cobrou em nota pastoral dirigida aos fiéis a apuração das denúncias de corrupção que atingiam o então presidente da República, Fernando Collor de Melo, o tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias, e altos círculos da política nacional, pedindo a punição dos culpados. A nota advertia: “Não se pode mais abafar, no meio do povo, um grito de verdadeira indignação que nasce do menosprezo à ética na vida pública”. E pedia a erradicação urgente de toda forma de corrupção. O documento condenava, porém, as posições alarmistas e os revanchismos e conclamava que a ordem jurídica fosse preservada em qualquer hipótese.

Em março de 1995, em seu programa semanal de rádio, avaliou positivamente o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), pediu apoio à abertura da economia por ele proposta e criticou o sectarismo de alguns opositores. “Indubitavelmente a nação brasileira, a partir do semestre passado, vive um capítulo novo [...]. O desemprego diminuiu, o crescimento industrial é sensível, ampliou-se o comércio. Mesmo entre os pobres se verifica alteração favorável [...]. A fase em que vivemos, favorável ao Brasil, se for mantida e ampliada, certamente nos levará a um extraordinário status no concerto das nações [...]. Uma oposição inteligente e corajosa é necessária. [Mas] isso não se identifica com o combate sistemático à nova vida nacional [...]. Não há lugar para pessimismos”.

A escolha da cidade do Rio de Janeiro para sediar a terceira visita do papa João Paulo II ao Brasil, em outubro de 1997, foi interpretada como um reforço à ala conservadora do clero brasileiro, defensora da Igreja centrada na hierarquia e distante da vida política, ala da qual dom Eugênio era um dos principais expoentes. Um dos organizadores da visita, o cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro vetou o encontro do pontífice com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), solicitado pelo líder João Pedro Stédile ao presidente da CNBB, dom Lucas Moreira Neves.

A despeito de sua ortodoxia — dom Eugênio sempre deixou claro que considera faltar à missa dominical sem razão imperativa um pecado grave — ele se revelou um administrador moderno e dinâmico, preocupado em colocar a serviço da Igreja e de seu trabalho pastoral o que havia de mais eficiente em termos administrativos. Com o apoio da PUC-Rio, informatizou toda a estrutura administrativa da Arquidiocese do Rio e organizou as paróquias com filiais da Mitra, garantindo-lhes uma assessoria melhor e um controle mais centralizado.

Na área social, no trabalho das pastorais que se estendem por toda a cidade, dos presídios às favelas, dom Eugênio também teve uma atuação nada conservadora, recorrendo muitas vezes a convênios financeiros com instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras. Em sua administração episcopal no Rio de Janeiro, ele tomou iniciativas como a introdução de computadores no sistema de centralização contábil das finanças de todas as paróquias; a criação do Secretariado Arquidiocesano da Pastoral, responsável pela implantação e o acompanhamento dos planos pastorais de conjunto; a organização das pastorais de turismo — com a construção de capelas nos aeroportos —, das empregadas domésticas, de saúde e dos meios culturais; e a catequese diferencial para deficientes psicológicos, surdos e paralíticos; além da realização, em colaboração com a Sagrada Congregação para a Evangelização dos Povos, sediada no Vaticano, de um encontro de bispos africanos, no Rio de Janeiro, para o estudo da repercussão das religiões de origem africana nessa cidade e em Salvador.

Dom Eugênio fez palestras radiofônicas semanais desde o tempo de sua administração pastoral em Natal na Emissora de Educação Rural, posteriormente transcritas no jornal A Ordem. Durante sua administração em Salvador, continuou a fazer palestras nas rádios Cultura e Sociedade da Bahia, mais tarde publicadas nos jornais A Ordem e A Semana. Transferindo-se para a Arquidiocese do Rio de Janeiro, manteve essa forma de comunicação com a opinião pública, dando-lhe maior amplitude. Inicialmente, fazia palestras semanais no programa A voz do pastor, na Rádio Vera Cruz, transmitidas ao vivo pela TV Tupi e transcritas, em seguida, pelo Jornal do Brasil, O Dia e O Globo. Mais tarde o programa passou a ser transmitido pela Rádio Jornal do Brasil e apresentado ao vivo pela TV Globo, sendo em seguida transcrito pelo jornal O Globo. Realizou também palestras que integraram os programas Evangelho na vida, da Rádio Nacional, e Palavras de vida, da TV Educativa, e assinou colunas semanais no Jornal do Brasil, na Última Hora e em O Dia.

Criou na arquidiocese do Rio de Janeiro os jornais A Missa e O Bip, com o propósito de alcançar maior unidade litúrgica na diocese, e o folheto Reflexões bíblicas, com subsídios para as homilias sacerdotais dos domingos, enviado a todos os bispos do Brasil. Foi ainda responsável pela edição brasileira da revista Comunio; pela dinamização do Centro Dom Vital de estudos católicos; pela reativação de sua revista, A Ordem; e pela criação da Faculdade Eclesiástica de Filosofia João Paulo II.

Além de integrar o Conselho Permanente da CNBB, dom Eugênio foi membro da Sagrada Congregação dos Bispos, da Sagrada Congregação para o Clero, da Sagrada Congregação para a Evangelização dos Povos, da Comissão Pontifícia para as Comunicações Sociais, da Comissão para a Revisão do Código de Direito Canônico e do Conselho Permanente de Cardeais para o Estudo dos Problemas Organizativos e Econômicos da Santa Sé, todas essas entidades sediadas em Roma. Foi ainda presidente do Departamento de Ação Social do Celam e da Comissão Pontifícia Justiça e Paz — criada pelo papa Paulo VI com sede em Roma e copresidente do Conselho Pontifício para a Cultura, na mesma cidade. Representou o episcopado brasileiro nos sínodos dos bispos de 1971 e 1980.

Pertenceu, como membro honorário, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos e, como membro efetivo, da Ordem dos Velhos Jornalistas.

Sua renúncia ao cargo de arcebispo do Rio de Janeiro foi solicitada em 1997, quando já completara 75 anos. Mas por indulto especial do papa João Paulo II, foi autorizado a permanecer à frente da arquidiocese até completar 80 anos. Sua sucessão foi um processo demorado, em que não fez o sucessor, tendo sido escolhido dom Eusébio Oscar Scheid, então arcebispo de Florianópolis. Entretanto, dom Eugênio manteve sua influência na arquidiocese. Sua aposentadoria foi finalmente aceita no dia 25 de julho de 2001, tendo sido nomeado pelo papa administrador apostólico do Rio até a posse de Dom Eusébio, em 22 de setembro. Nesse período, recebeu o título de arcebispo emérito da cidade do Rio de Janeiro.

Em 2005, quando da morte do papa João Paulo II, foi um dos três cardeais em todo o mundo presentes na cerimônia privada em que o corpo do pontífice foi posto no caixão. Ele foi também o primeiro cardeal latino-americano a celebrar uma missa por João Paulo II no Vaticano, depois de seu funeral.

Em março de 2008, uma reportagem do jornal O Globo revelou, mais especificamente, o trabalho realizado pelo cardeal dom Eugênio Sales durante os anos em que a América do Sul viveu sob o signo de diversas ditaduras militares. Dom Eugênio teria oferecido proteção a cerca de quatro mil pessoas entre 1976 e 1982, em sua maioria, argentinos. O cardeal teria avisado pessoalmente aos militares que estava “protegendo comunistas” no Palácio São Joaquim – escritório e residência do religioso. Ainda de acordo com a reportagem do jornalista José Casado, dom Eugênio teria autorizado a abertura dos cofres da arquidiocese para tal auxílio. Visto como expoente da ala conservadora da Igreja Católica no Brasil, a notícia gerou reações entusiasmadas de críticos como o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) e de amigos como o senador José Sarney (PMDB-AP). Bispos também ouvidos pelo jornal O Globo ressaltaram que a ação silenciosa de dom Eugênio foi fundamental para manter a unidade da Igreja brasileira, mesmo diante das divergências de opção pastoral daqueles tempos, entre progressistas e conservadores.

Em junho de 2008, em artigo publicado no Jornal do Brasil, dom Eugênio se pronunciou mais uma vez contra o uso da camisinha, defendendo a abstinência sexual e a fidelidade no casamento como formas de prevenção a doenças como a Aids.

Nos últimos anos, manteve colunas permanentes nos jornais O Dia, O Globo e Jornal do Brasil, que são também publicadas em seu blog (http://cardealsales.blogspot.com/). Em 2009, residia no Rio de Janeiro, no palácio Apostólico do Sumaré, e permanecia com funções no Vaticano.

Sobre sua vida, foi publicado o livro Homenagem ao pastor (1995), uma biografia “não autorizada, mas consentida” do arcebispo, de autoria do monsenhor Raimundo Meneses Brasil, seu ex-aluno.

Dom Eugênio Sales publicou os livros A voz do pastor e Viver a fé em um mundo a construir.

 

Patrícia Campos/Bruno Marques atualização

 

 

FONTES: CONFERÊNCIA NAC. BISPOS DO BRASIL; Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (24/1, 23/4, 21/7 e 5/9/81, 13/7 e 7/9/85, 8/5/86, 31/7/87, 4/7/92, 5/11/95 e 3/3/96); Folha de S. Paulo (1/10/81, 3/10/87, 9/11/90, 11/3 e 6/12/95, 25 e 26/9/97); GARDEL, L. Armoiries; Globo (21/2, 11/4 e 15/8/81, 30/1/85, 18/3 e 4/11/86, 22/4, 16/5 e 11/7/87, 4 e 9/7, 24/9 e 2/10/88, 11/3, 9 e 10/12/95); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (13/4, 14, 21 e 25/5 e 21/9/69, 19/10/76, 1/3 e 10/12/77, 11/2, 28/3, 1/4 e 9/12/78, 8/4, 12 e 22/8 e 18/10/79, 25/4, 3/9 e 8/12/80, 5/10/81, 14/4/82, 9/1/83, 28/9/87, 4/7/92 e 26/10/94); KUBITSCHEK, J. Meu (3); MAGALHÃES, I. Segundo; Novo dic. de história; Veja (20/4/83); <www.arquidiocese.org.br>. Acesso em: 10 set. 2009;

<http://sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=57937>. Acesso em: 10 set. 2009; <www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=10017> Acesso em: 10 set. 2009; <http://cardealsales.blogspot.com/search?updated-max=2009-09-04T23%3A06%3A00-03%3A00&max-results=1>. Acesso em: 10 set. 2009;

<www.cardinalrating.com/cardinal_42__article_1239.htm>. Acesso em: 10 set. 2009;

<www.correiodesergipe.com/lernoticia.php?noticia=4544>. Acesso em: 10 set. 2009;

<http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/03/01/dom_eugenio_sales_abrigou_no_rio_mais_de_quatro_mil_pessoas_perseguidas_por_regimes_militares-426042127.asp>. Acesso em: 10 set. 2009; <www.direito2.com.br/asen/2008/mar/4/sarney-registra-acao-de-dom-eugenio-sales-na-epoca-da-ditadura>. Acesso em: 10 set. 2009;

<www.entreredes.org.br/index.php?op=noticia&wcodigo=20318>. Acesso em: 10 set. 2009; <www.terra.com.br/cartacapital/174/especial.htm>. Acesso em: 10 set. 2009.

 

 

 

 

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