EVANDRO DAS NEVES CARREIRA

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Nome: CARREIRA, Evandro
Nome Completo: EVANDRO DAS NEVES CARREIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CARREIRA, Evandro                   

*sen. AM 1975-1983.

Evandro das Neves Carreira nasceu em Manaus no dia 24 de agosto de 1927, filho de Tocandira Baltu Carreira e de Inácia das Neves Carreira.

Estudou em seu estado natal, cursando o primário em Boca do Acre, na ilha de Fonte Boa e em Humaitá. Iniciando o secundário no Ginásio Dom Bosco, veio completá-lo no Instituto Juruena, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, para onde se mudou após a morte do pai, o que o deixou aos cuidados do avô. Em 1954 ingressou na Faculdade de Direito do Amazonas, cujo diretório acadêmico presidiu em 1957. Bacharelou-se no ano seguinte.

Ingressou na política partidária filiando-se ao Partido Social Trabalhista (PST), em cuja legenda concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas nas eleições de outubro de 1958 e obteve uma suplência. No ano seguinte elegeu-se vereador em Manaus. Desligando-se do PST e filiando-se em seguida ao Partido Libertador (PL), voltou a se candidatar a deputado estadual no pleito de outubro de 1962 e, mais uma vez, ficou como suplente. No ano seguinte, reelegeu-se para a Câmara Municipal.

Após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar. Nessa legenda obteve novas suplências nas eleições realizadas em novembro de 1966 para a Câmara dos Deputados e em 1968 para a Câmara Municipal de Manaus. Transferindo-se para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime, voltou a obter uma suplência na disputa de uma cadeira na Assembleia Legislativa amazonense em novembro de 1970.

Defendendo um programa que chamou de “recado amazonense”, baseado em seis pontos — respeito absoluto à selva, racionalização da fauna ictiológica, valorização da produção regional, respeito absoluto à lei da Zona Franca, mudança do centro de decisão da política amazônica de Belém para Manaus e defesa de uma política hidroviária articulada com a rodoviária —, no pleito de novembro de 1974 conseguiu afinal uma vitória significativa, elegendo-se senador pelo Amazonas na legenda do MDB. Assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte, tornou-se vice-líder de seu partido de 1975 a 1976, membro titular da Comissão de Transportes Coletivos e Obras Públicas e suplente da Comissão do Distrito Federal e da Comissão de Saúde do Senado. Caracterizou sua atuação parlamentar por grande combatividade na defesa de sua região e por discursos incisivos, um dos quais, em setembro de 1978, tido como ofensivo ao Exército por denunciar torturas a presos políticos, quase levou a uma crise entre o Legislativo e o Executivo. Em 1979 tornou-se presidente da Comissão de Serviços Públicos do Senado.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro desse ano e a consequente reformulação partidária, em 1980 filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB na oposição ao regime militar. Discordando da ampliação do diretório de seu partido no Amazonas, contudo, em junho de 1980 ameaçou deixar o PMDB, atitude que não chegou a se concretizar naquele momento. Ainda em dezembro de 1980 rompeu com a liderança do PMDB no Senado, exercida por Paulo Brossard, exigindo da oposição “um comportamento mais ativo e mais contundente”. Incompatibilizado com o PMDB, desligou-se dessa agremiação, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), e nessa legenda candidatou-se mais uma vez ao Senado nas eleições de novembro de 1982, mas não conseguiu se reeleger. Assim sendo, permaneceu no Senado até o fim de janeiro de 1983, quando se encerraram seu mandato e a legislatura.

Transferindo-se para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), no pleito de novembro de 1986 disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Amazonas, e obteve uma suplência. Voltou a concorrer ao Senado no pleito de outubro de 1998 na legenda do Partido Verde (PV), porém, mais uma vez, não conseguiu se eleger.

Casou-se com Nelma Bentes Carreira, com quem teve cinco filhos.

Publicou poemas em diversos jornais. Em torno de sua pessoa e da região amazônica, os cineastas Jorge Bodanski e Wolf Gauer realizaram em 1980 o filme O terceiro milênio.

 

FONTES: Estado de S. Paulo (10/8/82); Jornal do Brasil (14 e 27/3 e 14/9/78; 13/2/79; 10/6 e 4/12/80); NÉRI, S. 16; Perfil (1980); SENADO. Dados biográficos (8); SENADO. Relação dos líderes; TRIB. REG. ELEIT. AM. Relação (1998); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4, 6 e 8).

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