FERREIRA, PANTALEAO TELES

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Nome: FERREIRA, Pantaleão Teles
Nome Completo: FERREIRA, PANTALEAO TELES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FERREIRA, PANTALEÃO TELES

FERREIRA, Pantaleão Teles

*militar; rev. 1932; ch. Depto. Ger. Pess. Ex. 1935.

 

Pantaleão Teles Ferreira nasceu em Porto Alegre no dia 28 de setembro de 1876, filho de Joaquim da Cruz Ferreira Soares e de Gertrudes Luísa Teles Ferreira.

Sentou praça como voluntário em julho de 1892, participando a partir do ano seguinte do combate à Revolução Federalista (1893-1895), no sul do país. O conflito, que opunha os insurretos federalistas ao governo estadual de Júlio de Castilhos e ao governo federal de Floriano Peixoto, que apoiava o Executivo gaúcho, terminou com a vitória dos legalistas republicanos. Comissionado em 1893 no posto de segundo-tenente por atos de bravura, foi efetivado no posto em novembro do ano seguinte.

Promovido a primeiro-tenente em dezembro de 1903 e a capitão em abril de 1909, exerceu, nesse posto, o mandato de deputado na Assembléia Legislativa do Ceará. Atingindo o posto de major em fevereiro de 1918, assumiu no ano seguinte o comando do 1º Regimento de Infantaria (1º RI) no Rio de Janeiro. Em seguida colaborou com a Missão Militar Francesa que, enviada ao Brasil em 1920 sob a chefia do general Maurice Gamelin, foi responsável pela remodelação do Exército brasileiro, sendo colocado a serviço dessa missão na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Promovido a tenente-coronel em junho de 1922, passou a servir no 2º RI no Rio de Janeiro, alcançando o posto de coronel em setembro do ano seguinte.

Em julho de 1924, foi designado para combater em São Paulo o movimento rebelde irrompido nesse estado, em Sergipe e no Amazonas. Dominados rapidamente nesses dois últimos estados, os rebeldes, comandados em São Paulo por Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital por três semanas, abandonando então a cidade e deslocando-se para o interior. Participando das operações de guerra até o mês de agosto, comandou a 4ª Brigada de Infantaria (4ª BI), sediada em São Paulo, a Brigada Teles e, a seguir, o Destacamento Teles, incumbido de fazer a perseguição aos rebeldes que haviam deixado a capital paulista. Deixando a frente de combate, passou a servir no Departamento de Pessoal do Exército. Promovido a general-de-brigada em dezembro de 1924, assumiu o comando da 3ª BI, com sede em São Paulo, em janeiro de 1925, voltando a participar das operações de guerra em julho desse ano. Como comandante das forças em operações no estado de Goiás, combateu a Coluna Prestes, formada pelos revoltosos paulistas e gaúchos, permanecendo nessa função até outubro seguinte. Liderada por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, a coluna percorreu o interior do país, através de 13 estados, dando combate às tropas legais até internar-se em 1927 na Bolívia (fevereiro) e no Paraguai (março).

De volta ao Departamento de Pessoal do Exército em janeiro de 1926, apoiou a Revolução de Outubro de 1930, participando do movimento de deposição do presidente Washington Luís, no comando das forças constituídas pelas tropas da Vila Militar, da Escola Militar e da Escola de Aviação Militar. Articulado por militares de alta patente lotados no Distrito Federal, esse movimento terminou em 24 de outubro com a substituição do presidente pela junta governativa provisória composta pelos generais Augusto Tasso Fragoso, João de Deus Mena Barreto e o almirante José Isaías de Noronha. Representando a junta, recepcionou no dia 28 de outubro, no aeroporto do Galeão, os representantes do estado-maior revolucionário — Osvaldo Aranha, Lindolfo Collor e Herculino Cascardo —, que vinham negociar as condições da transferência do poder a Getúlio Vargas. Em 3 de novembro, o líder da vitoriosa Revolução de 1930 passou a ocupar a chefia do Governo Provisório.

Assumindo no dia 4 daquele mês o comando da Polícia Militar do Distrito Federal, Pantaleão Teles Ferreira, foi promovido a general-de-divisão em abril de 1931, permanecendo no cargo até dezembro desse ano. Em 1932 participou da conspiração que levaria à eclosão do movimento constitucionalista em São Paulo, encontrando-se presente à reunião realizada no Distrito Federal por convocação de Isidoro Dias Lopes. Nessa reunião, Isidoro teria apresentado propostas de passagem da direção do levante no Distrito Federal do general João Gomes para o general Pantaleão Teles Ferreira e do comando da 2ª Região Militar, sediada em São Paulo, a um outro militar que, pactuando com o levante, pudesse dirigi-lo em seu lugar. Essas propostas não foram aceitas. Por sua participação na Revolução Constitucionalista, Pantaleão foi reformado e deportado para Lisboa, seguindo em companhia de outros proscritos a bordo do navio Siqueira Campos.

Com a decretação da anistia em maio de 1934, voltou ao Brasil, assumindo em julho do ano seguinte a chefia do Departamento de Pessoal do Exército. Em dezembro de 1935 participou, no Rio de Janeiro, da reunião dos generais realizada em decorrência do levante comunista ocorrido no país em novembro, com o objetivo de discutir a situação política brasileira e a repressão dos revoltosos. Como os demais participantes da reunião, manifestou seu apoio ao ministro da Guerra, João Gomes, que, ao final do encontro, encaminhou ao presidente Getúlio Vargas o esboço de um projeto de lei determinando a expulsão do Exército dos oficiais envolvidos no levante, sem prejuízo das outras penalidades legais, projeto esse que foi mais tarde aprovado pelo Congresso.

Assumiu a seguir a presidência da Comissão de Orçamento e Fiscalização Financeira do Exército, permanecendo no cargo até setembro de 1937. Opôs-se ao golpe que, deflagrado em 10 de novembro do mesmo ano, instaurou o regime do Estado Novo, sendo reformado no dia 30 desse mês.

Faleceu no dia 13 de outubro de 1948.

Era casado com Irene Carneiro Teles Ferreira, com quem teve quatro filhos.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. MIN. EXÉRC.; FIGUEIREDO, E. Contribuição; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; LAGO, L. Generais; SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937.

 

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