FONTANA, VITOR

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Nome: FONTANA, Vitor
Nome Completo: FONTANA, VITOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FONTANA, VÍTOR

FONTANA, Vítor

*dep. fed. SC 1979-1983 e 1987-1991; const. 1987-1988.

 

Vítor Fontana nasceu em Santa Maria (RS) no dia 1º de agosto de 1916, filho de Domingos Fontana e de Anita Gracioli Fontana. Seu tio Atílio Fontana foi um dos fundadores do Partido Social Democrático (PSD) em Santa Catarina, senador de 1963 a 1971 e vice-governador na gestão de Colombo Sales (1971-1975).

Ainda menino começou a trabalhar na agricultura e aos 14 anos tornou-se telegrafista da Viação Férrea do Rio Grande do Sul, função que exerceu até 1945. Dois anos depois, formou-se em engenharia química pela Escola de Engenharia do Estado do Rio Grande do Sul e, em seguida, assumiu o cargo de superintendente da fábrica da Indústria e Comércio Concórdia (atual Sadia), empresa fundada em 1943 por seu tio Atílio. A partir de então ocupou cargos de destaque nas empresas da família: foi diretor industrial da Sadia (1953-1964); diretor do Moinho da Lapa (1963-1964 e 1969-1973); diretor-executivo da Frigobrás — Companhia Brasileira de Frigoríficos (1969-1971); diretor-gerente da Sadia Comércio e Agricultura (1970-1972); e diretor industrial da Sadia Oeste (1971-1973). Fora do grupo Sadia, dirigiu a Eucatex, empresa paulista do ramo madeireiro de propriedade da família Maluf, de 1973 a 1975.

Na segunda metade da década de 1960, vivendo em São Paulo, prestou assessoria ao secretário de Agricultura Herbert Levy (1967-1969) e integrou o Grupo de Assessoria da Prefeitura de São Paulo (GAP), instituído na gestão de Paulo Maluf (1969-1971). Transferindo-se para Florianópolis, em março de 1975 foi nomeado secretário da Agricultura e Abastecimento de Santa Catarina no governo de Antônio Carlos Konder Reis (1975-1979). Nesse ano, participou de uma reunião, juntamente com os secretários da Agricultura dos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia, com o ministro Alysson Paulinelli (1974-1979) para avaliar problemas de safras. Na época, denunciou as perdas sofridas pelos suinocultores, cuja atividade ocupava o segundo lugar na receita de Santa Catarina e dava sustento a milhares de pessoas.

Em maio de 1978 desincompatibilizou-se do cargo para disputar, em novembro, uma vaga na Câmara dos Deputados na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar vigente no país desde abril de 1964. Eleito, assumiu seu mandato em fevereiro de 1979. Com a extinção do bipartidarismo em novembro desse ano e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), que reuniu a maioria dos ex-arenistas. Durante essa legislatura, foi vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou atos de corrupção praticados na esfera da administração direta e indireta da União, e da CPI do Banco Econômico da Bahia. Foi também membro da Comissão de Agricultura e Política Rural e suplente da Comissão de Finanças.

Em 1982 elegeu-se vice-governador de Santa Catarina na chapa encabeçada por Esperidião Amin (1983-1987). Deixou a Câmara em janeiro de 1983, e no mês seguinte começou a participar do governo do estado. No entanto, na sucessão presidencial de 1985, rompeu com Amin e aderiu ao Partido da Frente Liberal (PFL). Licenciou-se do cargo para concorrer a uma vaga de deputado federal constituinte no pleito de novembro de 1986. Durante a campanha, apresentou-se como “defensor do direito à propriedade privada”. Eleito, tomou posse no dia 1º de fevereiro de 1987, quando foram abertos os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte.

Membro titular da Subcomissão da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária, da Comissão da Ordem Econômica, e suplente da Subcomissão do Sistema Financeiro, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças, durante as principais votações da Constituinte foi contra o rompimento diplomático com países que adotassem política de discriminação racial, a limitação do direito de propriedade privada, o mandado de segurança coletivo, a estabilidade no emprego, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a jornada semanal de 40 horas, o turno ininterrupto de seis horas, o aviso prévio proporcional, a soberania popular, o voto aos 16 anos, o presidencialismo, a nacionalização do subsolo, a estatização do sistema financeiro, o limite de 12% ao ano para os juros reais, a proibição do comércio de sangue, a limitação dos encargos da dívida externa, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária e a desapropriação da propriedade produtiva. Votou a favor da pena de morte, da legalização do aborto, da pluralidade sindical, do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney (1985-1990), da anistia aos micro e pequenos empresários e da legalização do jogo do bicho.

Com a promulgação da Constituição em 5 de outubro de 1988, voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários da Câmara, como membro titular das comissões de Orçamento e de Agricultura. Em 1989, foi eleito pela Câmara dos Deputados membro do Conselho da República, órgão superior de consulta do presidente da República. Não tentou a reeleição em 1990 e deixou a Câmara em janeiro de 1991.

Em 1994 foi presidente das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). No mesmo ano deixou o setor público e passou a dedicar-se à administração de seus negócios sem, contudo, abandonar a política. Nas eleições presidenciais de 1998, coordenou em Santa Catarina, como representante do PFL, a campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1999) à reeleição. Em 1999, assumiu a presidência do Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), função que exerceu até 2000.

Casou-se com Noemi Hasson, com quem teve três filhos.

A seu respeito foi publicado Victor Fontana – percorrendo caminhos (2006).

Rejane Araújo

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1979-1983); ENTREV. BIOG.; Folha de S. Paulo (19/1 e 31/3/87); MOSER, M.D. ; BORGET, A. As mudanças no BESC com o evento da federalização; Veja (8/10/75).

 

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