FRANCISCO SERGIO TURRA

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Nome: TURRA, Francisco
Nome Completo: FRANCISCO SERGIO TURRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TURRA, FRANCISCO

TURRA, Francisco

*min. Agric. 1998-1999; dep.fed. RS 2003-2007.

 

Francisco Sérgio Turra nasceu em Marau (RS) no dia 16 de setembro de 1942, filho de Abel Turra e de Maria Valiatti Turra.

Bacharelou-se em direito pela Universidade de Passo Fundo (RS) em 1968, e em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, no ano de 1974.

Iniciou sua carreira política no pleito de novembro de 1976, como candidato a vereador em Marau. Eleito na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instaurado no país a partir de abril de 1964, assumiu sua cadeira em fevereiro de 1977. Dois anos depois, tornou-se diretor-presidente da Fundação Gaúcha de Lazer e Recreação (Funlar) e, após a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação que sucedeu a Arena. Em setembro de 1980, por deliberação do Congresso Nacional, teve o mandato municipal prorrogado por dois anos, juntamente com todos os vereadores e prefeitos do país.

No pleito de novembro de 1982, com cerca de 68% do total de votos, elegeu-se prefeito da cidade natal na legenda do PDS. Deixando o cargo de vereador em janeiro do ano seguinte, em março assumiu a prefeitura de Marau. Como prefeito, foi por duas vezes presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste e ocupou — também por dois mandatos — a vice-presidência da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).

Em meados de 1986, desincompatibilizou-se da prefeitura a fim de disputar, no PDS, uma indicação à Assembléia Estadual Constituinte do Rio Grande do Sul. No pleito de novembro do mesmo ano foi o deputado mais votado de seu partido, tendo recebido 30 mil votos. Assumindo sua cadeira em fevereiro de 1987, foi eleito no ano seguinte presidente da comissão especial do Legislativo gaúcho, encarregada de analisar as políticas de desenvolvimento industrial do estado. Em 1990, assumiu a liderança do PDS na Assembléia, sendo reeleito para mais um mandato no pleito de outubro desse ano.

Em abril de 1993, ajudou a fundar o Partido Progressista Reformador (PPR), nascido da fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão (PDC). Até então líder da bancada pedessista, continuou exercendo a função na nova legenda. No ano seguinte, ocupou o cargo de relator-geral da Comissão Externa de Representação, cujo objetivo era a instalação de uma fábrica da General Motors no Rio Grande do Sul. Nas eleições de outubro de 1994, candidatou-se a deputado federal no PPR gaúcho, mas não conseguiu se eleger. Deixou o Legislativo estadual em janeiro do ano posterior, ao fim de seu mandato.

Ainda em 1995, durante o governo de Antônio Brito (1995-1998), foi indicado para a diretoria de desenvolvimento e investimentos do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Em agosto do mesmo ano, filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB), agremiação nascida da fusão do PPR com o Partido Progressista (PP). Ocupou o cargo de diretor do Banrisul durante cerca de um ano, assumindo, em março de 1996, a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em sua passagem pela Conab, promoveu uma política de “enxugamento” dos quadros da empresa, conseguindo evitar o fechamento da estatal. Por conta disso, a companhia foi agraciada, em 1997, com um prêmio conferido pelo Ministério da Administração e Reforma do Estado. Em abril de 1998, indicado pelo presidente nacional do PPB, Paulo Maluf, deixou a Conab para assumir o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, em substituição a Arlindo Porto.

Durante sua gestão como ministro, defendeu a diminuição da carga tributária do setor rural, bem como a redução das taxas de juros agrícolas. Baseado num estudo realizado pela área técnica do ministério e a Fundação Getulio Vargas (FGV), em maio de 1998 enviou uma proposta ao presidente Fernando Henrique Cardoso prevendo a isenção total de impostos para os produtos da cesta básica. Apresentada num contexto de alta dos preços do arroz e do feijão, a medida, segundo Turra, além de gerar um “salário adicional para a população”, serviria para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros.

Em relação à política de juros, sustentou a aprovação de um plano para a safra 1998/1999, que previa a redução das taxas cobradas aos agricultores. De acordo com o projeto apresentado em junho de 1998 pelo governo, as taxas de juros para os médios e grandes produtores seriam reduzidas de 9,5% para 8,75% ao ano, enquanto para os micro e pequenos, a queda seria de 6,5% para 5,75%. Além da diminuição dos juros, o governo anunciou um aumento nos financiamentos de custeio e de investimento para a agricultura.

A redução dos juros e o aumento do crédito não foram, contudo, suficientes para satisfazer os representantes do setor. Após o anúncio das medidas, os técnicos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) criticaram o pacote por ainda considerarem elevada a taxa de 8,75%, em comparação com os índices adotados por outros países. Para Turra, ao contrário, o plano ajudaria a reduzir os custos da cesta básica e serviria para combater o desemprego, especialmente entre os produtores vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Como ministro, Turra defendeu ainda a revisão das multas dos agricultores inadimplentes e a renegociação dos débitos do setor. Seu apoio aos produtores foi, contudo, posto em xeque durante as eleições de outubro de 1998 para o governo do Rio Grande do Sul. Na ocasião, o Partido dos Trabalhadores (PT) o acusou de tentar favorecer o governador Antônio Brito, candidato à reeleição numa ampla coligação encabeçada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e integrada, entre outros, pelo próprio PPB. A denúncia fora precipitada pela decisão de Turra de antecipar cerca de cem milhões de reais em verbas de custeio para produtores gaúchos. Segundo o PT, a medida — que também incluía a prorrogação das dívidas de 30 mil agricultores do estado — era uma tentativa de reverter a inesperada derrota do candidato peemedebista em importantes municípios de base agrícola logo no primeiro turno. Apesar do apoio do governo federal, Brito não conseguiu conter o crescimento de Olívio Dutra no segundo turno, sendo derrotado pelo candidato petista.

Mantido no cargo pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, reeleito em outubro de 1998 e empossado em seu segundo mandato em 1º de janeiro de 1999, Francisco Turra deixou o Ministério da Agricultura em julho, sendo substituído no cargo por Pratini de Morais. Após deixar o governo, passou a atuar como consultor de empresas privadas e tornou-se diretor de relações institucionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). Foi fundador da Turra e Associados Consultoria Estratégica.

Entre 2001 e 2002, foi superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). No pleito de 2002, foi eleito deputado federal pelo estado do Rio Grande do Sul na legenda do Partido Progressista Brasileiro (PPB). Assumiu o mandato em fevereiro de 2003 e foi segundo-vice-presidente e terceiro vice-presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimentos Rural e titular da Comissão de Agricultura e Política Rural.

Em 2006 foi eleito membro do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), coordenado pelo Instituto Roberto Simonsen. Em outubro desse ano, não disputou a reeleição. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 2007, ao final da legislatura.

Com a posse de Yeda Crussius no governo do Rio Grande do Sul, Francisco Turra foi nomeado diretor do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Permaneceu no cargo até abril de 2008. Ainda nesse ano, tornou-se presidente Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (ABEF).

Casou-se com Glaci Maria Bergonsi Turra, com quem teve quatro filhos.

Publicou Agrocenários: desafio e oportunidades (2006).

 

Luís Otávio de Sousa

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (16/6 e 12/10/98); Folha de S. Paulo (7 e 9/4, 17 e 23/6 e 11/10/98); Globo (6/4, 16 e 18/6/98); Jornal do Brasil (29/8/98); Câmara dos Deputados. BIOG; Jusbrasil Notícias (29/12/2008)

 

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