GASTAO DE MATOS MULLER

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Nome: MULLER, Gastão
Nome Completo: GASTAO DE MATOS MULLER

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MÜLLER, GASTÃO

MÜLLER, Gastão

*sen. MT 1963 e 1965; dep. fed. MT 1969-1979; sen. MT 1979-1987.

 

Gastão de Matos Müller nasceu em Três Lagoas (MS), no então estado de Mato Grosso, no dia 4 de maio de 1924, filho de Fenelon Müller e de Alzita de Matos Müller. Seu pai foi interventor federal em Mato Grosso em 1935, e seu tio, Filinto Müller, chefe de polícia do Distrito Federal, na cidade do Rio de Janeiro, de 1933 a 1942, e senador pelo estado de Mato Grosso de 1947 a 1951 e de 1954 a 1973. Seu outro tio, Júlio Müller, foi governador de Mato Grosso em 1937 e interventor federal no estado de 1937 a 1945.

Durante o governo de José Marcelo Moreira (1948), Gastão Müller foi oficial de gabinete das secretarias do Interior e Justiça e de Finanças do seu estado natal.

Em 1956, participou do XVIII Congresso Internacional de Geografia, tornando-se delegado e chefe da 2ª Divisão da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), função que desempenhou até 1961. Nesse mesmo ano, bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Cuiabá. Posteriormente, licenciou-se em geografia e história pela Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio de Janeiro, então estado da Guanabara.

Assistente jurídico da SPVEA em 1962, foi presidente do diretório municipal de Cuiabá e secretário-geral do Partido Social Democrático (PSD) de Mato Grosso. Em outubro de 1962, integrou como suplente a chapa encabeçada pelo senador Vicente Bezerra Neto, pelo estado de Mato Grosso, na legenda da Aliança Democrática Social Trabalhista, integrada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e pelo PSD. Assumiu uma cadeira no Senado de julho a agosto de 1963, e de julho a outubro de 1965.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, em cuja legenda se elegeu, em novembro de 1966, suplente de deputado federal por Mato Grosso.

Em Brasília participou, em 1967, do I Seminário de Educação Comunitária promovido pela Divisão Técnica do Serviço Social da Indústria. Em outubro de 1969, assumiu uma cadeira na Câmara, tornando-se, no mesmo ano, vice-presidente da comissão executiva estadual da Arena de Mato Grosso. Tornou-se também membro do conselho deliberativo da Fundação Zoobotânica do Distrito Federal. Ainda em 1969 concluiu o curso de parapsicologia da Escola Superior de Ciências de São Paulo.

Em novembro de 1970, elegeu-se deputado federal por Mato Grosso, na legenda da Arena. Nesse ano concluiu em Brasília o curso da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Durante a legislatura 1971-1975 participou das comissões de Educação e Cultura, de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste e de Saúde Pública, e foi suplente da Comissão de Orçamento da Câmara. Reeleito em novembro de 1974, nessa nova legislatura foi vice-presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas e suplente da Comissão de Minas e Energia da Câmara.

Em setembro de 1978 foi eleito pelo colégio eleitoral senador indireto por Mato Grosso. Em novembro, tornou-se relator do projeto de reforma da Lei de Segurança Nacional e da comissão mista encarregada de examiná-lo. Aprovada no Congresso por decurso de prazo, a nova lei foi promulgada em 17 de dezembro de 1978 pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979).

Encerrando seu mandato na Câmara em janeiro de 1979, assumiu no mês seguinte sua cadeira no Senado, onde passou a ocupar o cargo de quarto-secretário da mesa. Em setembro, diante da intenção manifesta do presidente João Figueiredo de extinguir o bipartidarismo e empreender a reformulação partidária, opôs-se à criação de um partido único de apoio ao governo, que, segundo ele, significaria o risco de o chefe do governo se transformar em simples joguete desse partido e “até ser coagido a certas decisões, sem poder contar com outra alternativa partidária”. No Senado, coordenou o movimento dos “não-alinhados” da Arena e propôs a formação de um partido independente, não necessariamente oposicionista, que, segundo ele, poderia apoiar ou não o governo, embora considerasse que a forma de consolidar o processo de abertura democrática seria apoiar o governo do presidente Figueiredo.

Favorável à coligação partidária nos estados, criticou a posição assumida pelo presidente Figueiredo em Caracas, na Venezuela, em novembro de 1979, contrária às eleições diretas para a presidência da República. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Popular (PP). Após a incorporação deste ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em fevereiro de 1982, filiou-se à nova agremiação.

Em 25 de abril de 1984, foi apresentada na Câmara dos Deputados a emenda Dante de Oliveira, que propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Porém, a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação, pois faltaram 22 votos para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado. As eleições para a presidência da República, foram, portanto, segundo as regras em vigor, ou seja indiretas. Assim, foi reunido em 15 de janeiro de 1985 o Colégio Eleitoral. Gastão Müller votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal, que derrotou o candidato do regime militar Paulo Maluf. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência porque faleceu em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já exercia interinamente o cargo, desde 15 de março deste ano.

No pleito de novembro de 1986, Gastão Müller disputou a reeleição na legenda do PMDB, mas não se elegeu. Deixou o Senado em janeiro de 1987, ao final da legislatura.

Durante o governo de Carlos Bezerra (1987-1991), do PMDB, Gastão Müller ocupou a Secretaria de Justiça e, posteriormente foi secretário-chefe da Casa Civil.

Em 1992, transferindo-se para Brasília, assumiu a representação do estado de Mato Grosso. Deixou esse cargo em 1995, quando retornou para Cuiabá e se dedicou ao jornalismo, com uma coluna no jornal A Gazeta.

Participou também da Associação de Imprensa Mato-Grossense. Foi membro e relator da Comissão Estadual de Livros Didáticos, membro do Conselho Regional de Geografia e Estatística de Mato Grosso e do Instituto Histórico de seu estado. Professor da Faculdade de Direito de Mato Grosso, lecionou história geral no Colégio Estadual de Mato Grosso e no Ginásio Brasil, do qual foi também diretor. Foi ainda diretor de administração do Banco Regional de Brasília.

Faleceu em Cuiabá no dia 7 de maio de 1996.

Era casado com Maria da Glória de Moura Müller, com quem teve três filhos, dois dos quais seguiram carreira política: Guilherme Frederico Müller e Frederico Guilherme Müller tornaram-se, respectivamente, secretários de Planejamento e de Meio Ambiente, em 1999, no segundo governo de Dante de Oliveira (1999-).

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1971-1975, 1975-1979 e 1979-1983); Estado de S. Paulo (26/9/80); Globo (16/1/85); INF. Frederico Guilherme; IPC. Relação de parlamentares (1/1/92 a 18/8/98); Jornal do Brasil (1/9 e 7/11/78, 17, 19, 20 e 26/9, 2/10 e 20/11/79 e 23/2/80); MENDONÇA, R. Dic.; NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); SENADO. Relação; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6, 8 e 9); Veja (31/5/78).

 

 

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