GERALDO REIS FLEMING

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Nome: FLEMING, Geraldo
Nome Completo: GERALDO REIS FLEMING

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FLEMING, GERALDO

FLEMING, Geraldo

*militar; dep. fed. AC 1979-1991; const. 1987-1988.

 

Geraldo Reis Fleming nasceu em Campanha (MG) no dia 25 de julho de 1929, filho de Antônio Fleming e de Conceição Reis Fleming.

Militar e médico veterinário, graduou-se pela Escola Fluminense de Medicina Veterinária, no Rio de Janeiro, além de realizar o curso de oficial-médico veterinário do Exército.

Começou sua carreira política em 1962, quando foi eleito deputado estadual constituinte pelo Acre na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Assumiu seu mandato na Assembléia Legislativa em fevereiro do ano seguinte, quando foi eleito primeiro-secretário da mesa diretora. Após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), iniciou-se o processo de edição de atos institucionais e de cassações de mandatos daqueles considerados inimigos do novo regime. Em maio seguinte, o governador José Augusto de Araújo foi deposto e teve os seus direitos políticos suspensos por dez anos. Com a eleição, pela Assembléia Legislativa, do capitão Edgar Pedreira de Cerqueira Filho para o governo do estado, Geraldo Fleming licenciou-se de seu mandato de deputado estadual e assumiu, no dia 15 desse mesmo mês, a Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio. Uma semana depois passou a ocupar, cumulativamente, a Secretaria de Justiça, Interior e Segurança Pública. Permaneceu nesses cargos até 5 de março de 1965, reassumindo, em seguida, sua cadeira na Assembléia. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instituído no país em abril do ano anterior.

Reelegeu-se em 1966, 1970 e 1974. Em novembro de 1978 ganhou a eleição para deputado federal. Concluindo seu mandato no Legislativo acreano em janeiro de 1979, no mês seguinte tomou posse na Câmara dos Deputados. Tornou-se membro titular da Comissão de Agricultura e Política Rural e suplente das comissões do Interior e de Segurança Nacional. Com o fim do bipartidarismo em novembro desse ano e a conseqüente reorganização partidária, filiou-se no ano seguinte ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB. Ainda em 1980, tornou-se titular das comissões de Transportes e de Defesa do Consumidor e suplente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados.

Apoiado pela ala moderada do PMDB de seu estado e por um grupo político composto principalmente por membros de sua família, nas eleições de novembro de 1982 reelegeu-se deputado federal em sua nova legenda, iniciando seu segundo mandato em fevereiro de 1983. Nesse mesmo pleito, sua mulher, Iolanda Fleming, foi eleita vice-governadora do estado na chapa do PMDB encabeçada por Nabor Júnior. Na Câmara, permaneceu como membro titular da Comissão de Agricultura e Política Rural, da qual seria vice-presidente nos dois anos subseqüentes e suplente da Comissão de Transportes.

No início da legislatura, o deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) apresentou na Câmara um projeto de emenda constitucional restabelecendo eleições diretas para a presidência da República já no ano seguinte. Esse projeto proporcionou o desencadeamento de uma campanha nacional nesse sentido, que ficou conhecida como Diretas Já. Mas essa emenda, que teve o voto favorável do deputado Geraldo Fleming, não foi aprovada na Câmara dos Deputados na sessão de 25 de abril de 1984, pois lhe faltaram 22 votos para atingir a necessária maioria de 2/3 (320 votos). Com isso, ficou impedida de ser enviada para apreciação do Senado.

Esse fato determinou que o substituto do presidente João Figueiredo (1979-1985) seria mesmo eleito através de pleito indireto. Para concorrer com o deputado paulista Paulo Maluf, candidato oficial, os partidos de oposição reuniram-se na Aliança Democrática e lançaram as candidaturas de Tancredo Neves e de José Sarney, para presidente e vice-presidente da República. Na reunião do Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, o deputado Geraldo Fleming votou em Tancredo Neves, que derrotou Maluf.

Com a doença do presidente eleito que o impediu de tomar posse, o vice-presidente José Sarney assumiu interinamente a presidência da República no dia 15 de março desse ano. Após a morte do titular em abril seguinte e a sua efetivação, Sarney convocou a Assembléia Nacional Constituinte. No pleito de novembro de 1986, Geraldo Fleming voltou a se eleger deputado federal, desta feita como constituinte, pelo PMDB, com o apoio de setores ligados aos transportes rodoviários, pela defesa que fez da pavimentação da BR-364.

Auto-intitulando-se “nacionalista privatizante”, Fleming iniciou seu terceiro mandato em 1º de fevereiro de 1987. Nesse mesmo dia foi instalada a Constituinte, na qual passou a integrar, como titular, a Subcomissão de Tributos, Participação e Distribuição das Receitas, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças; e, como suplente, a Subcomissão de Defesa do Estado, da Sociedade e de sua Segurança, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e Garantia das Instituições. Nesse ano, desquitou-se de Iolanda Fleming.

Durante os trabalhos de elaboração da Constituição, Geraldo Fleming votou a favor do mandado de segurança coletivo, da proteção ao emprego contra a demissão sem justa causa, do turno ininterrupto de seis horas, da unicidade sindical, da soberania popular, do presidencialismo, da nacionalização do subsolo, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da proibição do comércio de sangue e do mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney (1985-1990). Votou contra a estatização do sistema financeiro, a pena de morte, a proteção à empresa nacional, o voto aos 16 anos e a jornada semanal de 40 horas. Após a promulgação da Constituição em 5 de outubro de 1988, passou a exercer somente o seu mandato ordinário de deputado federal.

No pleito de outubro de 1990 tentou nova reeleição, sempre pelo PMDB, mas obteve apenas uma suplência. Permaneceu na Câmara dos Deputados até o fim de janeiro de 1991, ao término do seu mandato e da legislatura.

Faleceu em Rio Branco no dia 13 de junho de 1991.

Teve quatro filhos.

Eduardo Junqueira/Alan Carneiro

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório. (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1979-1983 e 1983-1987); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Correio Brasiliense (19/1/87); Folha de S. Paulo (19/1/87); INF. FAM. Iolanda Ferreira Lima.

 

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