GERVASIO DUNCAN DE LIMA RODRIGUES

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Nome: DUNCAN, Gervásio
Nome Completo: GERVASIO DUNCAN DE LIMA RODRIGUES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
DUNCAN, GERVÁSIO

DUNCAN, Gervásio

*militar; comte. IV ZA 1942-1943; comte. III ZA 1943-1945; ch. Emaer 1945-1948 e 1954-1955.

 

Gervásio Duncan de Lima Rodrigues nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 19 de junho de 1896, filho de Antônio Olavo de Lima Rodrigues e de Adalcina Duncan de Lima Rodrigues.

Concluiu os estudos primários em 1903, e de 1905 a 1911 estudou no Colégio Paula Freitas, no Rio de Janeiro. Ingressou na carreira militar em setembro de 1914, quando sentou praça na Escola Militar do Realengo, na mesma cidade. Declarado aspirante-a-oficial da arma de artilharia em abril de 1918, foi promovido a segundo-tenente em dezembro desse ano e a primeiro-tenente em janeiro de 1920. No ano seguinte fez cursos de aperfeiçoamento na Escola de Aviação Militar, também no Rio, integrando a primeira turma de observadores aéreos. Com a criação, ainda em 1921, dos campos de aviação gaúchos de Santa Maria e de Alegrete, destinados a dar apoio aéreo às unidades do Exército estacionadas no Rio Grande do Sul, foi dos primeiros oficiais para lá transferidos.

Promovido a capitão em novembro de 1922, em novembro de 1927 deixou definitivamente a arma de artilharia, sendo transferido para a de aviação. Em fevereiro do ano seguinte alcançou a patente de major e em junho de 1933 foi promovido a tenente-coronel. Desse ano até 1935 cursou a Escola de Estado-Maior do Exército.

Assumiu, em junho de 1940, o comando do 1º Regimento Aéreo, sediado no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, exercendo a função até dezembro de 1941, já vinculado ao Ministério da Aeronáutica, criado em janeiro desse ano. Quando da instalação provisória da IV Zona Aérea (IV ZA) — atual IV Comando Aéreo Regional (IV Comar) — no Campo de Marte, em São Paulo, já na patente de brigadeiro-do-ar, foi nomeado em abril de 1942 para o seu comando, que transmitiu em junho de 1943 ao coronel-aviador Antônio Appel Neto. Ainda nesse mês substituiu o coronel-aviador Heitor Varady no comando da III ZA, sediada na capital federal, tendo trabalhado em conjunto com a 4ª Esquadra norte-americana encarregada da defesa do Atlântico Sul durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Substituído em janeiro de 1945 no comando da III ZA pelo brigadeiro Ivo Borges, assumiu, ainda nesse mês, a Diretoria de Pessoal da Aeronáutica, que deixou em abril para assumir a Diretoria de Rotas Aéreas.

Após a extinção do Estado Novo (1937-1945), foi nomeado, em novembro de 1945, já na patente de major-brigadeiro, chefe do Estado-Maior da Aeronaútica (Emaer), em substituição ao major-brigadeiro Armando Figueira Trompowsky de Almeida, e nessa condição passou a integrar o Conselho de Segurança Nacional (CSN). Transferiu o cargo para o major-brigadeiro Ajalmar Vieira Mascarenhas em agosto de 1948 e assumiu ainda nesse mês a função de adido aeronáutico às embaixadas brasileiras nos Estados Unidos e no Canadá, que deixou em setembro de 1950.

Durante a crise política desencadeada pelo assassinato do major-aviador Rubens Vaz no episódio conhecido como atentado da Toneleros (5/8/1954), que visava o jornalista e político Carlos Lacerda, Gervásio Duncan — já na patente de tenente-brigadeiro — participou de uma reunião no Clube de Aeronáutica que aprovou por unanimidade uma nota exigindo a renúncia do presidente Getúlio Vargas, cuja guarda pessoal fora apontada como envolvida na morte do oficial. O presidente, contudo, recusou-se a deixar o governo, resistindo a essas e a outras pressões da oposição civil e militar, até que, no dia 24 de agosto de 1954, em decorrência do acirramento da campanha contra seu governo, suicidou-se. Dois dias depois da morte de Vargas e da posse do vice-presidente João Café Filho, Gervásio Duncan voltou à chefia do Emaer, em substituição ao brigadeiro Ivan Carpenter Ferreira. No mês seguinte foi um dos signatários do Manifesto das forças armadas, documento que procurava recuperar historicamente os acontecimentos que culminaram com o suicídio de Vargas. Afirmando que as forças armadas haviam objetivado sempre a manutenção da ordem e da Constituição, o manifesto justificava a tentativa de deposição do presidente Vargas como a única forma viável encontrada para assegurar a coesão das forças armadas e evitar derramamento de sangue.

Em novembro do mesmo ano, Gervásio Duncan, o almirante Salalino Coelho, chefe do Estado-Maior da Armada (EMA), e o general Álvaro Fiúza de Castro, chefe do Estado-Maior do Exército (EME), foram consultados pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), general Canrobert Pereira da Costa, a pedido de Café Filho, sobre a reformulação da legislação petrolífera, que era alvo de acirrada campanha, principalmente no que se referia ao monopólio estatal do produto. Os consultados redigiram então um documento anunciando a posição oficial das forças armadas frente à Petrobras e à eventual alteração da lei que a instituíra. Os militares julgavam prematura e inconveniente qualquer alteração da política do petróleo antes de um período mínimo de experiência concreta de funcionamento da companhia. No que se referia aos transportes e ao refino, consideravam que a Petrobras poderia concorrer com as empresas estrangeiras, sobretudo na América do Sul, onde novas fontes produtoras de óleo bruto estavam sendo abertas. No tocante à prospecção, a própria experiência determinaria as reformulações necessárias. Não houve, nessa ocasião, reformulação da legislação.

Em janeiro de 1955, o presidente Café Filho — em viagem à Bolívia para inaugurar, com o presidente boliviano Vitor Paz Estensoro, o último trecho da estrada de ferro Corumbá (Brasil)-Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) — recebeu de Estensoro a proposta de uma completa revisão do Tratado de 25 de fevereiro de 1938 sobre o petróleo boliviano. O acordo fora assinado há 17 anos e o Brasil não honrara nenhum de seus compromissos relativos à exploração do produto. Com o reexame do tratado, o presidente da Bolívia pretendia liberar a faixa de terra reservada por esse documento à prospecção e exploração de petróleo por empresas mistas de ambos os países, possibilitando que empresas exclusivamente bolivianas operassem na área. Em março seguinte, o CSN debateu a revisão do Tratado de 1938. O chefe do Gabinete Militar, general Juarez Távora — também secretário-geral do CSN — sustentou que, antes de uma tomada de decisão, cumpria avaliar se o país possuía condições para empreender os trabalhos requeridos. O ministro da Fazenda, Eugênio Gudin, informou que era praticamente impossível desviar recursos para o setor, visto que as emissões de dinheiro haviam sido restringidas e que as reservas cambiais eram insuficientes. Em vista disso, o ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, manifestou-se pela desistência da garantia geográfica conferida pelo tratado e pelo estabelecimento de outro acordo que assegurasse a compra do petróleo excedente a preços do mercado internacional. Como a maioria dos ministros, Gervásio Duncan votou pela revisão. Com a aprovação, Café Filho autorizou o ministro das Relações Exteriores a desenvolver gestões junto ao governo boliviano, após o que o CSN voltaria a se reunir. Mas o Movimento do 11 de Novembro de 1955 provocaria o impedimento de Café Filho, antes que o exame do assunto tivesse sido concluído (somente em 1958 seria assinado o chamado Acordo de Roboré, que atualizava o Tratado de 1938).

Com a morte do chefe do EMFA, general Canrobert Pereira da Costa (31/10/1955), Gervásio Duncan assumiu interinamente o cargo. Nessa condição, discordou do então ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, que exigiu a punição do coronel Jurandir Bizarria Mamede, lotado na Escola Superior de Guerra, sob a acusação de ter elogiado o general Canrobert, quando de seus funerais, por sua participação na crise que resultara na morte de Vargas, e de ter insinuado que os chefes militares deveriam impedir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart, eleitos respectivamente presidente e vice-presidente da República no mês anterior. Frustrado nessa e em outras tentativas de punir o oficial, Lott declarou-se demissionário e liderou no dia 11 de novembro um movimento militar destinado, segundo seus promotores, a barrar uma conspiração em preparo no governo e assegurar a posse dos candidatos eleitos. O movimento provocou o impedimento dos presidentes da República Carlos Luz, em exercício, e Café Filho, licenciado, empossando na chefia da nação o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos.

Gervásio Duncan deixou a chefia do Emaer no dia 15 de novembro de 1955, sendo substituído pelo major-brigadeiro Armando de Sousa e Melo Araribóia. Em 1956 passou à reserva no posto de marechal-do-ar.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 28 de novembro de 1975.

Era casado com Ana Duncan de Miranda Rodrigues, com quem teve dois filhos.

 

 

FONTES: CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CARNEIRO, G. História; COSTA, M. Cronologia; Efemérides paulistas; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (29 e 30/11 e 4/12/75); MACHADO, F. Últimos; MIN. AER. Almanaque (1963); MIN. GUERRA. Almanaque (1934); MIN. GUERRA. Subsídios; WANDERLEY, N. História.

 

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