GUTMAN, JOSE

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Nome: GUTMAN, José
Nome Completo: GUTMAN, JOSE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GUTMAN, José

GUTMAN, José

* militar; rev. 1935.

 

José Gutman nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 7 de outubro de 1914, filho de Jaime Gutman e de Guilhermina Miller, imigrantes judeus russos, naturais da antiga Bessarábia, atual Moldova.

Após o nascimento de Gutman, seu pai, um comerciante de espírito aventureiro, partiu para São Luís, onde se estabeleceu como mascate e, mais tarde, abriu um bazar. Em 1920, logo depois do falecimento de sua mãe, Gutman foi matriculado no curso primário. Em 1925, juntamente com o irmão Isidoro, ingressou no Colégio Militar do Ceará, em Fortaleza, onde estudou até 1930. Em 1931 transferiu-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Militar do Realengo.

Concluiu o curso em 1933 e no ano seguinte foi promovido ao quadro de oficiais. Em seguida foi transferido para a Vila Militar, passando a servir no 2º Regimento de Infantaria como aspirante-a-oficial. Nesse período, travou contato com o capitão Trifino Correia, seu comandante de companhia e membro da Aliança Nacional Libertadora (ANL), que defendia, entre outros pontos, a proteção aos pequenos e médios proprietários e lavradores, a distribuição das terras dos grandes proprietários aos camponeses, a nacionalização das “empresas imperialistas” e a formação de um governo popular.

Promovido a segundo-tenente em 1935, Gutman aceitou trocar de unidade com um amigo de turma, indo servir no 3º Regimento de Infantaria, onde passou a conviver com militares aliancistas, em especial o capitão Álvaro Francisco de Sousa.

                Como simpatizante da ANL, participou dos preparativos do levante de 27 de novembro de 1935, desencadeado pelo Partido Comunista do Brasil, hoje Partido Comunista Brasileiro (PCB), em nome da Aliança Nacional Libertadora. A insurreição eclodiria no dia 23 de novembro em Natal e no dia 24, em Recife. No Rio, ela envolveu o 3º Regimento de Infantaria, aquartelado na Praia Vermelha, e a Escola de Aviação Militar, no Campo dos Afonsos. Logo depois de iniciado o levante, os revolucionários isolaram o posto de comando do 3º Regimento de Infantaria, apossando-se dos comandos de todas as companhias, com exceção das companhias de metralhadoras leves do 1º e do 2º batalhões, cujos comandantes ofereceram resistência apesar de, ao final, serem obrigados a se render. O levante foi, entretanto, debelado no mesmo dia, depois de pesado bombardeio do regimento por forças do governo, e os rebeldes foram presos.

Segundo o inquérito da polícia do Distrito Federal, dirigido pelo delegado Eurico Bellens Porto, José Gutman teria sublevado a 9ª Companhia de Fuzileiros, assumindo e mantendo seu comando até a completa derrota do movimento, com a conseqüente rendição dos revolucionários. Nesse inquérito, Gutman justificou sua participação no levante alegando ser o governo de Getúlio Vargas antidemocrático. Em dezembro de 1935, assim como outros revolucionários, teve sua patente cassada. Levado a julgamento pelo Tribunal de Segurança Nacional em maio de 1937, juntamente com outros insurretos, foi condenado a oito anos de prisão.

Em 1938, Gutman e outros detentos envolvidos na revolta de 1935 foram transferidos para a ilha de Fernando de Noronha, onde participou de vários cursos ministrados por presos pertencentes ao então Partido Comunista do Brasil. Após cumprir integralmente sua pena, retornou ao Rio de Janeiro, passando a residir na casa de uma irmã. Por intermédio de Zamiro Barata, irmão de Agildo Barata, também revolucionário de 1935, começou a trabalhar no depósito e depois no escritório de uma firma de construção civil.

Com a decretação da anistia em abril de 1945 e a legalização das atividades do PCB, Gutman participou de várias iniciativas do partido. Convidado por Agildo Barata, passou a trabalhar no jornal comunista Tribuna Popular e depois assumiu a gerência do A Imprensa Popular. No final da década, tendo o PCB voltado à ilegalidade em maio de 1947, participou da organização do setor de finanças do partido, dirigido por Barata, que estruturou uma vasta e eficiente rede de contribuintes e, auxiliado por Gutman, fundou uma sociedade anônima a fim de arrecadar o capital necessário para superar o déficit crônico da Tribuna Popular.

Em 1958, a convite de Luís Carlos Prestes, secretário-geral do PCB, Gutman tornou-se diretor da editora Vitória, vinculada ao partido. Em 1961, ao lado de outros militares que haviam sido cassados, impetrou mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu retornar às fileiras do Exército como tenente, embora na reserva. Com o triunfo do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), os militantes de esquerda foram perseguidos e, durante esse processo, o prédio onde funcionava a Editora Vitória foi invadido e teve destruído todo o seu acervo pela polícia. Gutman respondeu a um processo por trabalhar na editora, mas foi absolvido.

Mais tarde, transferiu-se para São Paulo, passando a trabalhar como representante de livros técnicos da União Soviética. Em seguida fundou a Livraria Página e continuou a fazer a representação de editoras soviéticas. Em 1971 retornou ao Rio, onde, com familiares, abriu uma loja de discos num subúrbio da cidade.

                No final dos anos 1970, Gutman afastou-se do PCB, mas permaneceu fiel ao ideário marxista. Em 1986, ao lado de Sócrates Gonçalves, José Cunha e outros ex-militares, fundou a Associação dos Militares Incompletamente e Não Anistiados (AMINA), entidade criada com o objetivo de lutar pelos interesses dos militares cassados e perseguidos – vítimas da repressão à revolta de 1935 e do golpe de 1964 –, e que atuou intensamente durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte (1987-1988). Em 1988, juntamente com outros companheiros, conseguiu regularizar sua situação, sendo promovido, na reserva, ao posto de coronel do Exército.

Em agosto de 2000, vivia no Rio de Janeiro.

Casou-se com Séfora Gutman, com quem teve quatro filhos.

 

/Hélber da Silva Matos

 

FONTES: BARATA, A. Vida; CAMPOS, R. Tribunal; INF. BIOG.; Inverta (16-31/8/96); MORAIS, D. & VIANA, F. Prestes; PACHECO, E. Partido Comunista; PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937; SODRÉ, N. Intentona; VIANNA, M. Revolucionários.

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