HELIO LOBO LEITE PEREIRA

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Nome: LOBO, Hélio
Nome Completo: HELIO LOBO LEITE PEREIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

LOBO, Hélio

*diplomata; emb. Bras. Uruguai 1926-1928 e 1930.

 

Hélio Lobo Leite Pereira nasceu em Juiz de Fora (MG) no dia 17 de outubro de 1883, filho de Fernando Lobo Leite Pereira e de Maria Barroso Lobo.

Bacharelou-se em 1903 pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, no então Distrito Federal.

Ingressou a seguir na carreira diplomática e, de 1907 a 1908, atuou como auxiliar do árbitro brasileiro nos tribunais arbitrais Brasileiro-Peruano e Brasileiro-Boliviano. Promovido a terceiro-oficial em outubro de 1910, participou em 1912, como secretário, da junta de jurisconsultos americanos encarregada de codificar no Rio de Janeiro o direito internacional americano. Foi promovido a segundo-oficial em maio de 1913, quando passou a servir no gabinete do ministro das Relações Exteriores, Lauro Müller (1912-1917). Primeiro-secretário em outubro do ano seguinte, exerceu o cargo de secretário da Presidência da República de novembro de 1914 a novembro de 1918, durante o governo de Venceslau Brás (1914-1918).

Também historiador e ensaísta, foi eleito em julho de 1918 para a Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº 13, na vaga de João Carneiro de Sousa Bandeira. Transferido para Versalhes, na França, em dezembro desse ano, participou como secretário-geral da delegação do Brasil ao Congresso de Paz realizado nessa cidade francesa, onde permaneceu até setembro de 1919. Designado para o posto de cônsul-geral em Londres em outubro de 1919, lá permaneceu até maio do ano seguinte, sendo a seguir removido para Nova Iorque, onde exerceu o mesmo cargo a partir de junho de 1920, tendo participado em 1923 da V Conferência Internacional Americana. Durante sua permanência nos Estados Unidos, que se estendeu até outubro de 1925, cursou a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade de Colúmbia.

Nomeado em maio de 1926 enviado extraordinário e ministro plenipotenciário no Uruguai, afastou-se dessas funções em fevereiro de 1928 por haver sido designado para organizar os serviços econômicos e comerciais do Ministério das Relações Exteriores. Reassumiu suas funções em Montevidéu em janeiro de 1930, lá permanecendo até novembro desse ano. Enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em Haia, na Holanda, a partir de março de 1931, opôs-se ao Governo Provisório de Getúlio Vargas por ocasião da Revolução Constitucionalista de 1932, negando-se a visar documentos consulares indispensáveis ao embarque de armas e munições adquiridas pelo governo de Vargas para reforço do armamento empregado contra os revoltosos paulistas. Após alegar que não lhe cabia a missão de contribuir para o morticínio de jovens brasileiros que arriscavam a vida lutando pela restauração da legalidade no país, foi colocado em disponibilidade inativa, permanecendo nessa condição de novembro de 1932 a janeiro de 1934.

Voltando ao serviço ativo, participou em novembro de 1936 da Conferência Interamericana de Consolidação da Paz, em Buenos Aires. Após a implantação do Estado Novo (10/11/1937), representou o Brasil na Conferência sobre Proscritos da Alemanha, da Áustria e de Evian (França), realizada em 1938, sendo nomeado em maio desse ano representante do Brasil no Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Permaneceu no exercício desse cargo, inicialmente em Genebra, na Suíça, e depois em Montreal, no Canadá, até agosto de 1941, quando foi dele afastado por haver criticado a admissão de Getúlio Vargas na Academia Brasileira de Letras. Ainda em 1941 inaugurou a cátedra de português da Universidade de Princeton, em Nova Jersey (EUA), sendo aposentado do serviço diplomático em julho do ano seguinte.

Diretor do Instituto Rio Branco em 1947, retornou ainda nesse ano às funções de representante do Brasil no Conselho de Administração da OIT, em Genebra e Montreal, no exercício das quais permaneceu até 1951.

Fundador da Sociedade Brasileira de Direito Internacional, era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Americano de Direito Internacional, da Sociedade Argentina de Direito Internacional, do Instituto Histórico e Geográfico do Uruguai, da Pan American Society, da Hispanic Society of America, da Comissão Brasileira de Cooperação Intelectual, do Comitê de Problemas Demográficos da Sociedade das Nações Unidas e do Comitê Econômico e Financeiro da Sociedade das Nações.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 1º de janeiro de 1960.

Era casado com Viola Leckie Lobo, com quem teve dois filhos.

Entre outros trabalhos, publicou Sabres e togas (1906), O Tribunal Arbitral Brasileiro-Boliviano (1910), De Monroe a Rio Branco (1912), Brasil, terra cara (1913), Antes da guerra — preliminares do conflito com o Paraguai (1914), O Brasil e seus princípios de neutralidade (1915), Às portas da guerra (1918), Coisas diplomáticas (1918), Aos estudantes do rio da Prata (1918), A passo de gigante (1923), Coisas americanas e brasileiras (1925), Brasileiros e ianques (1926), A democracia uruguaia (1928), No limiar da Ásia (ensaio, 1935), Docas de Santos (história, 1936), Um varão da República — Fernando Lobo (1937), Manuel de Araújo Porto Alegre (1937), O pan-americanismo e o Brasil (1939), O domínio do Canadá (ensaio, 1942), Brazilian-Portuguese from thought to word (em colaboração, 1944), Rio Branco e o arbitramento com a Argentina (1952).

 

 

FONTES: AUTUORI, L. Quarenta; BRINCHES, V. Dic.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORTÉS, C. Homens; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; FRANCO, A. Estadista; GUIMARÃES, A. Dic.; MENESES, R. Dic.; MIN. REL. EXT. Almanaque (1942); MIN. REL. EXT. Anuário; NEVES, F. Academia; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem.

 

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