HENRIQUE RAIMUNDO DYOTT FONTENELLE

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Nome: FONTENELLE, Henrique Dyott
Nome Completo: HENRIQUE RAIMUNDO DYOTT FONTENELLE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FONTENELLE, HENRIQUE DYOTT

FONTENELLE, Henrique Dyott

*militar; comte. I ZA 1947-1948; comte. III ZA 1955.

 

Henrique Raimundo Dyott Fontenelle nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 30 de março de 1894, filho de Alexandre Dyott Fontenelle, coronel da Guarda Nacional e proprietário rural no estado do Rio de Janeiro, e de Francisca Reis Viana Fontenelle.

Sentou praça em setembro de 1911, ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio, onde foi declarado aspirante-a-oficial em abril de 1915. Promovido a segundo-tenente em janeiro de 1917, tornou-se piloto dois anos depois e alcançou o posto de primeiro-tenente em junho de 1921. Tendo sido transferido em novembro de 1927 da arma de infantaria para a de aviação, recebeu no ano seguinte a patente de capitão, passando a comandar a esquadrilha mista composta de aviões Breguet XIX.

Em 1930 fez o curso de aperfeiçoamento de aviação, diplomando-se piloto-observador-metralhador-militar e recebendo o comando de uma esquadrilha de aparelhos Potez-25 Toe. Com a criação do Correio Aéreo Militar em 1931, passou a integrar essa nova unidade, que imprimiu importante impulso à aviação brasileira. No ano seguinte participou dos combates contra a Revolução Constitucionalista de São Paulo, comandando o destacamento de aeronaves de Resende e realizando grande número de missões de guerra.

Em junho de 1933 foi promovido a major, passando a comandar o 2º esquadrão do 1º Regimento de Aviação (1º RAv), sediado no Rio, onde atuou sob a liderança de Eduardo Gomes, comandante do regimento. Entre fevereiro de 1934 e janeiro do ano seguinte, empreendeu, juntamente com o piloto norte-americano Clark Carr, um longo vôo, considerado na época um “arrojado raid”, saindo do Rio de Janeiro até o rio da Prata e daí, através dos Andes e da América Central, até Nova Iorque. Em maio de 1935 participou da esquadrilha que acompanhou Getúlio Vargas em sua visita à Argentina e ao Uruguai.

De volta ao 1º RAv, participou da repressão à revolta comunista de novembro de 1935 que atingiu no Rio a Escola de Aviação Militar (EAvM), no Campo dos Afonsos, além do 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha. Com o capitão Armando Perdigão, auxiliou o tenente-coronel Ivo Borges na condução das tropas de reforço no ataque à EAvM.

Em 1937 tornou-se subcomandante do 1º RAv e dois anos depois foi transferido para, EAvM, onde foi adjunto de instrução, instrutor e chefe de instrução de pilotagem, tendo dirigido a realização de inúmeras obras de melhoramento e ampliação da escola. Nesse estabelecimento de ensino iniciou longa carreira de formador de gerações de pilotos militares.

Em 1940 foi promovido a tenente-coronel e incumbido de negociar com o governo paulista a localização de uma nova base aérea na capital do estado. Bem-sucedidos os entendimentos, ficou definido que a unidade fosse sediada em Cumbica.

Em 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica, transferiu-se do Exército para esse novo ramo das forças armadas, sendo designado primeiro comandante da nova Escola de Aeronáutica que, instalada no mesmo Campo dos Afonsos, veio substituir as escolas de aviação militar e naval, então extintas. Organizou e estruturou a nova escola, permanecendo à sua frente até 1946, depois de haver alcançado o posto de coronel-aviador desde 1943.

Promovido a brigadeiro-do-ar em 1947, passou a comandar em março desse ano a I Zona Aérea (I ZA), sediada em Belém, onde substituiu o coronel-aviador Américo Leal. Manteve-se nesse comando até março do ano seguinte, quando transmitiu o cargo ao brigadeiro-do-ar Francisco de Assis Correia de Melo e foi cursar a Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (Ecemar). De outubro de 1948 a junho de 1949 foi presidente interino do Clube da Aeronáutica e de fevereiro de 1951 a março de 1952, já no segundo governo Vargas, diretor do Departamento de Aviação Civil (DAC), voltando à presidência do Clube da Aeronáutica de agosto de 1951 a março do ano seguinte.

Foi então nomeado adido aeronáutico às embaixadas brasileiras em Paris, Londres e Madri, permanecendo na Europa até 1953. Em 1955 alcançou o posto de major-brigadeiro, voltando a presidir o Clube de Aeronáutica de março a julho. Chefiou o Comando de Transporte Aéreo (Comta), até ser nomeado em março, já no governo de João Café Filho, comandante da III ZA, no Rio, onde sucedeu ao major-brigadeiro Álvaro Hecksher. Permaneceu no cargo apenas até novembro, quando um movimento liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Lott, provocou a deposição do presidente da República Carlos Luz, acusado de conivência numa conspiração para impedir a posse de Juscelino Kubitschek, eleito em outubro anterior primeiro mandatário da nação. Fontenelle foi substituído na III ZA por Francisco de Assis Correia de Melo e passou a cursar a Escola Superior de Guerra.

Em março de 1957 deixou o serviço ativo, sendo promovido sucessivamente a tenente-brigadeiro e marechal-do-ar.

Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de maio de 1962, vítima de atropelamento.

Foi casado duas vezes, no segundo matrimônio com Júnia Cerqueira Fontenelle, que era viúva do brigadeiro Lísias Rodrigues.

 

 

FONTES: ENTREV. FONTENELLE, J.; Esquadrilha, Rio (1962); MIN. GUERRA. Almanaque (1934); SILVA, H. 1935; WANDERLEY, N. História.

 

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