HUMMES, Cláudio

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Nome: HUMMES, Cláudio
Nome Completo: HUMMES, Cláudio

Tipo: BIOGRAFICO


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HUMMES, Cláudio

HUMMES, Cláudio

*religioso; arceb. São Paulo 1998-2006.

 

Aury Afonso Hummes nasceu em Montenegro (RS) no dia 8 de agosto de 1934, filho de Pedro Adão Hummes e de Maria Frank Hummes, ambos imigrantes alemães.

Fez seus primeiros estudos na Escola Paroquial Santo André, no Seminário Seráfico São Francisco, em Taquari (RS), e no Noviciato Franciscano. Cursou filosofia no Convento São Boaventura, em Garibaldi (RS) em 1954, e teologia em Divinópolis (MG) em 1958. Em agosto desse ano foi ordenado sacerdote em Divinópolis, ligado à ordem franciscana dos Frades Menores. Foi depois para Roma e aí obteve o título de doutor em filosofia em 1962. De volta ao Brasil, assumiu a paróquia do distrito de Daltro Filho, munícipio de Garibaldi, e também ensinou filosofia.

De 1965 a 1968, assessorou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o ecumenismo, especializando-se nesse assunto no Institut Écuménique de Bossey, em Genebra, na Suíça, em 1968. Em 1969 passou a lecionar na Faculdade de Filosofia de Viamão (RS), de que também foi diretor, e na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre, até 1972. Nesse ano foi nomeado superior provincial dos franciscanos do Rio Grande do Sul, e nessa condição presidiu a União das Conferências Latino-Americanas dos Franciscanos de 1973 a 1974.

Em 1975, teve sua ordenação episcopal celebrada em Porto Alegre por dom Aloísio Lorscheider e foi nomeado bispo coadjutor com direito de sucessão da diocese de Santo André (SP), onde permaneceria até 1996. Nesse período, integrou a Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB de 1976 a 1998, e foi assistente nacional da Pastoral Operária de 1979 a 1990. Durante as greves de operários metalúrgicos da região do ABC paulista – Santo André, São Bernardo e São Caetano – que ocorreram em 1978 e 1979, teve atuação destacada, abrindo as portas da igreja matriz de Santo André para que ali fossem realizadas as reuniões que permitiram planejar e conduzir o movimento. Em 1980, foi eleito pelos bispos da CNBB delegado junto ao Sínodo dos Bispos sobre a Família.

Em 1996, foi nomeado arcebispo de Fortaleza. Nesse período, reforçou sua fama de pacificador abrindo as pastorais a novos movimentos católicos, como os “carismáticos”, sem gerar tensões entre as cada vez mais politizadas comunidades eclesiais de base (CEBs). Foi também um dos responsáveis pela realização do II Encontro Mundial das Famílias, no Rio de Janeiro, em 1997, do qual participou o papa João Paulo II. No mesmo ano, foi escolhido pela CNBB delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América.

Em abril de 1998, foi nomeado arcebispo de São Paulo, após a renúncia do cardeal Paulo Evaristo Arns. No mesmo ano, tornou-se grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Na arquidiocese, deu forte impulso à pastoral vocacional, à formação de sacerdotes e à evangelização da cidade. Em fevereiro de 2001 foi nomeado cardeal presbítero e recebeu a nomeação do papa João Paulo II. Também nesse ano foi delegado ao Sínodo dos Bispos. Ainda arcebispo de São Paulo, foi um dos cardeais que participaram do conclave que elegeu o papa Bento XVI, em abril de 2005. Na ocasião, foi considerado ele próprio um dos principais candidatos à sucessão do falecido papa João Paulo II.

Em dezembro de 2006 deixou a arquidiocese de São Paulo, sendo substituído por dom Pedro Scherer, e embarcou para Roma, onde assumiu o cargo de prefeito da Congregação para o Clero em subsituição ao cardeal Dario Castrillon Hoyos. Passou assim a chefiar cerca de quatrocentos mil padres de todo o mundo. Incumbido de controlar as finanças das paróquias e de coordenar aspectos da educação religiosa, enfrentou entre outros desafios escândalos de abusos sexuais envolvendo sacerdotes, que na época abalaram a Igreja Católica em vários países do mundo.

Em 2007 afirmou que o Brasil passava por um bom momento econômico, o que levava à redução da miséria e da mortalidade infantil. Entretanto, também se posicionou criticamente em relação aos casos de corrupção denunciados durante o governo de Luís Inácio Lula da Silva (2003-). Para muitos, seria um defensor da justiça social e um guardião dos dogmas do Vaticano, situado a meio caminho entre a ala conservadora da Igreja Católica brasileira e os defensores da chamada Teologia da Libertação. Para outros, seria um conservador, por se opor ao uso de preservativos e à sua distribuição pelo governo, e por condenar o aborto e as pesquisas com células-tronco.

Participou da comissão central de preparação da V Conferência Episcopal Latino-Americana e Caribenha, realizada entre os dias 13 e 31 de maio de 2007 em Aparecida do Norte (SP). A conferência teve como tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida” e, como lema, “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. O papa Bento XVI abriu a reunião, orientando a conferência com seu discurso inicial e, ao final, aprovando suas conclusões. Dom Cláudio Hummes destacou que foram aprovadas no encontro as bases de uma missão em busca dos católicos não praticantes. Declarou ainda que os bispos haviam reafirmado sua opção pelos pobres e que a Igreja deveria reforçar sua atuação na periferia, onde os pobres estariam mais propensos a deixar o catolicismo.

Em fevereiro de 2008, causou polêmica ao declarar no XII Encontro Nacional de Presbíteros, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP), que a imprensa superdimensiona os casos de pedofilia no país. Teria afirmado que “provavelmente não chegam a 1% os envolvidos”. 

Membro de vários organismos da Cúria Romana, no Vaticano, escreveu, entre outras obras, Renovação das provas tradicionais da existência de Deus por Maurice Blondel em l'Action (1964), Fé e compromisso político (em co-autoria 1982), Sempre discípulos de Cristo – retiro espiritual do papa e da Cúria Romana (2002), Diálogo com a cidade (coletânea de artigos publicados no jornal O Estado de S. Paulo, 2005) Discípulos e missionários de Jesus Cristo (2005) e Ser cristão no mundo atual (2006).

 

Bruno Marques

 

FONTES: MORAIS, J.F. Bispos;

http://www.acidigital.com/Cardeais/hummes.htm (Data de acesso: 17/9/09); http://www.cnbb.org.br/bispos/visual/index.php?nome=Hummes&diocese= (Data de acesso: 17/9/09); http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u101386.shtml (Data de acesso: 17/9/09); http://www.gaudiumpress.org/view/show/7040-cardeal-dom-claudio-hummes-completa-75-anos (Data de acesso: 17/9/09); http://www.direitos.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3853&Itemid=2 (Data de acesso: 17/9/09); http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1332616-5601,00.html (Data de acesso: 17/9/09); http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2006/12/04/ult34u169529.jhtm (Data de acesso: 17/9/09); http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=3476 (Data de acesso: 17/9/09); http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=2095 (Data de acesso: 17/9/09); http://www.arquidiocese-sp.org.br/dom_claudio_nomeacao.htm (Data de acesso: 20/9/09); http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL44797-5605,00.html (Data de acesso: 5/10/09); http://www.cot.org.br/noticias/presbiteros-sugerem-alternativas-ao-celibato/ (Data de acesso: 5/10/09); http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u82422.shtml (Data de acesso: 5/10/09).

 

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