JESUS ELIAS TAJRA

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Nome: TAJRA, Jesus
Nome Completo: JESUS ELIAS TAJRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TAJRA, JESUS

TAJRA, Jesus                      

*const. 1987-1988; dep. fed. PI 1987-1995.

 

Jesus Elias Tajra nasceu em Teresina no dia 22 de fevereiro de 1932, filho de Elias João Tajra e de Amélia Sadi Tajra.

Em 1949 ingressou no curso de contabilidade da Escola Técnica de Comércio Álvares Penteado, na cidade de São Paulo, diplomando-se em 1951. De volta a Teresina, no ano seguinte iniciou o curso de direito na Faculdade de Direito do Piauí. Em 1953 tornou-se secretário-geral do Diretório Acadêmico da faculdade e assumiu a cadeira de contabilidade da Escola Técnica do Piauí. Em 1955 assumiu a presidência do Diretório Acadêmico e, nessa condição, foi seu representante no XX Congresso Nacional dos Estudantes, realizado em Belém, do qual foi eleito secretário. Permaneceu na presidência do Diretório até 1956, ano em que se tornou presidente do Conselho da União Nacional dos Estudantes (UNE) e se bacharelou em direito.

Ainda em 1956, foi nomeado fiscal de imposto de consumo, cargo que mais tarde passaria a se chamar fiscal de tributos federais. No ano seguinte, depois de deixar a Escola Técnica do Piauí, teve uma breve passagem, na condição de fiscal, pela cidade de Sobral (CE) e pela capital paulista. Voltando a seu estado natal, em 1959 tornou-se jornalista profissional e membro do sindicato da categoria, tendo sido colaborador de diversos jornais, entre os quais Folha da Manhã, Jornal do Comércio e Jornal do Piauí.

Filiado ao Partido Democrata Cristão (PDC), foi secretário-geral e presidente do diretório regional do Piauí. Após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), a extinção dos partidos políticos por força do Ato Institucional nº 2, editado em 27 de outubro de 1965, e a consequente instituição do bipartidarismo, ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), legenda de apoio ao governo militar, e foi um dos membros da comissão que organizou o diretório municipal do partido em Teresina.

Nas eleições de novembro de 1966, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa do Piauí na legenda da Arena e conseguiu se eleger com a segunda maior votação em todo o estado. Iniciando seu mandato de deputado estadual em janeiro de 1967, passou a integrar a Comissão de Finanças e Tomada de Contas, da qual se tornou presidente. Nesse mesmo ano assumiu a direção geral da Rádio Pioneira, em Teresina, função que exerceria por 20 anos. No ano seguinte, obteve seu registro profissional na Ordem dos Advogados do Brasil no estado (OAB-PI).

Em 1969 foi eleito presidente da Arena no Piauí e primeiro-secretário da Assembleia Legislativa. No ano seguinte tornou-se presidente da Comissão de Constituição e Justiça e líder do governo no Legislativo piauiense. Nas eleições de novembro de 1970 foi eleito suplente do senador Helvídio Nunes. Permaneceu na Assembléia até o final de janeiro de 1971, quando se encerraram seu mandato e a legislatura, e nesse mesmo ano assumiu novamente a presidência da Arena piauiense. Dois anos depois, pediu exoneração do cargo de fiscal de tributos federais, passando a se dedicar exclusivamente à atividade empresarial.

Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reorganização partidária, ingressou no ano seguinte no Partido Democrático Social (PDS), agremiação governista integrada por parlamentares oriundos da Arena, cujo diretório municipal chegou a presidir. Tornou-se diretor-presidente de O Jornal da Manhã de Teresina e, de 1982 a 1983, foi prefeito da capital piauiense, nomeado pelo então governador Lucídio Portela (1979-1983). Com a ascensão de Hugo Napoleão ao governo do estado em março de 1983, foi nomeado secretário do Trabalho e Ação Social.

Em 1985, com o surgimento do Partido da Frente Liberal (PFL), filiou-se a essa agremiação e tornou-se presidente de seus diretórios municipal e estadual. Nesse mesmo ano deixou O Jornal da Manhã e, em abril do ano seguinte, desincompatibilizou-se do cargo de secretário de estado para se candidatar a cargo eletivo. No pleito de novembro de 1986 elegeu-se deputado federal constituinte pelo Piauí na legenda do PFL. Assumindo sua cadeira na a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) em 1º de fevereiro de 1987, tornou-se vice-líder de seu partido na ANC e passou a integrar, como titular, a Subcomissão de Tributos, Participação e Distribuição das Receitas da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças e, como suplente, a Subcomissão do Poder Judiciário e do Ministério Público da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo.

Durante os trabalhos de elaboração da Constituição, votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, da pena de morte, da proteção ao emprego contra a despedida sem justa causa, da unicidade sindical, do presidencialismo, do mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney (1985-1990) e da anistia para os micro e pequenos empresários. Votou contra o aborto, a limitação do direito de propriedade privada, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a pluralidade sindical e a limitação dos encargos da dívida externa. Absteve-se de votar sobre a nacionalização do subsolo, a estatização do sistema financeiro e a proibição do comércio de sangue. Depois da promulgação da Constituição em 5 de outubro de 1988, tornou-se em 1989 vice-líder do PFL na Câmara, titular da Comissão de Relações Exteriores e suplente da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação.

No pleito de outubro de 1990 reelegeu-se deputado federal na mesma legenda, tendo sido o terceiro mais votado do partido e o quinto de todo o estado. Iniciado o novo período legislativo em fevereiro de 1991, tornou-se suplente da Comissão de Defesa Nacional e vice-líder do bloco parlamentar de centro-direita formado pelo PFL, o Partido da Reconstrução Nacional (PRN), o Partido Socialista Cristão (PSC), o Partido da Mobilização Nacional (PMN) e o Partido Social Trabalhista (PST).

Ao longo de 1991, o governo do presidente Fernando Collor foi alvo de constantes insinuações e denúncias de irregularidades veiculadas na imprensa. A situação atingiu o clímax em maio de 1992, quando a revista Veja publicou uma entrevista de Pedro Collor, irmão mais novo do presidente, denunciando a existência de um esquema de corrupção no governo sob o comando de Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro da campanha presidencial. Essa denúncia levou o Congresso a instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no mês seguinte. As conclusões da comissão sobre o envolvimento do presidente serviram de base, por sua vez, para que fosse pedido o seu impeachment. Na sessão da Câmara dos Deputados do dia 29 de setembro, com voto favorável de Jesus Tajra, foi aprovada a admissibilidade de abertura do processo de impeachment, o que implicava o afastamento do presidente. Collor deixou o governo no início do mês seguinte, sendo substituído em caráter interino pelo seu vice Itamar Franco, até que o caso fosse julgado pelo Senado. No dia 29 de dezembro, pouco antes da votação, o presidente afastado apresentou sua renúncia. Em seguida, o plenário do Senado aprovou o seu impeachment e cassou seus direitos políticos por oito anos. Com esse resultado, Itamar foi efetivado na presidência.

Nas demais votações havidas na Câmara ao longo da legislatura, Jesus Tajra votou a favor da criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), que ficou conhecido como imposto do cheque, do fim da correção para as dívidas agrícolas, da criação do Fundo Social de Emergência (FSE) e do novo conceito de empresa nacional, acabando com todas as diferenças legais entre empresas brasileiras e estrangeiras. Votou também contra o fim do voto obrigatório.

Deixando de concorrer à reeleição no pleito de outubro de 1994, encerrou seu mandato na Câmara dos Deputados no fim de janeiro de 1995 e retomou suas atividades de empresário. Presidiu a Telecomunicações do Piauí (Telepisa) de 1997 a 1998, ano em que a empresa foi privatizada. Na legislatura iniciada em 2003, foi primeiro suplente do senador piauiense Heráclito Fortes, do PFL.

Foi também presidente, por três mandatos, da Associação dos Diretores de Jornal, Rádio e Televisão do Piauí e ainda do Tribunal de Justiça Desportiva do estado e do Esporte Clube Flamengo de Teresina.

Casou-se com Maria Amélia Costa Tajra, com quem teve quatro filhos.

Publicou Arrecadação pela rede bancária (1966), Equilíbrio e coragem (1988) e Até parece que foi ontem (2009).

Eduardo Junqueira/Alan Carneiro

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); COELHO, J. ; OLIVEIRA, A. Nova; Olho no voto/Folha de S. Paulo (18/9/94).

 

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