JOAO AUGUSTO DE MATOS PIMENTA

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Nome: PIMENTA, Matos
Nome Completo: JOAO AUGUSTO DE MATOS PIMENTA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PIMENTA, MATOS

PIMENTA, Matos

*jornalista; rev. 1932.

 

João Augusto de Matos Pimenta nasceu em Campos (RJ) no dia 1º de novembro de 1889, filho de Francisco José de Matos Pimenta e Rosa Fernandes de Matos Pimenta.

Fez os estudos secundários no liceu de Humanidades, em sua cidade natal, transferindo-se em 1907 para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde ingressou na Faculdade de Medicina. Ao concluir o curso viajou para a Alemanha, matriculando-se em 1913 na Faculdade de Medicina da Universidade de Berlim, onde se especializou em psiquiatria. Encontrando-se na Europa, em 1917 participou da Primeira Guerra Mundial como capitão-médico na França até abandonar a profissão em 1918. De volta ao Brasil no ano seguinte, tornou-se superintendente de minas de carvão do Rio Grande do Sul e, a seguir, diretor da companhia Construtora do Brasil, função que exerceria até 1926. No ano anterior, ingressou no Rotary Clube do Rio de Janeiro, vindo a tomar parte ativa da vida da entidade.

Na condição de membro do Rotary Clube, envolveu-se nas discussões acerca do remodelamento da cidade do Rio de Janeiro, defendendo a contratação do urbanista francês Alfred Agache pelo então prefeito do Distrito Federal, Antônio Prado Júnior, para a elaboração do primeiro Plano Diretor da capital federal. Em um grande número de artigos, publicados nas Notícias Rotarianas — e republicados em O Jornal, O Globo, Correio da Manhã, em 1926 e 1927 —, Matos Pimenta defendia a adoção de um urbanismo que primava pela estética e pela higiene. Já no final dos anos 1920, promoveu uma campanha contra as favelas e em prol da construção de casas populares. Foi autor de um filme documentário intitulado As favelas, produzido em 1926, certamente o primeiro registro no gênero sobre as favelas cariocas.

Em 1927 participou da fundação do Partido Democrático do Distrito Federal, que tinha como objetivo unir-se ao Partido Democrático de São Paulo e ao Partido Libertador do Rio Grande do Sul para formar o Partido Democrático Nacional. No fim da década de 1920 fundou no Rio de Janeiro o jornal A Ordem, que foi incendiado e fechado pelos revolucionários de 1930. Favorável à posse de Júlio Prestes, candidato situacionista à presidência da República eleito em março de 1930 e impedido de tomar posse pela revolução, Matos Pimenta considerou o movimento revolucionário como a implantação da ditadura e da desordem no país. Como conseqüência, teve sua casa invadida, sendo obrigado a refugiar-se na embaixada do Chile. No dia 28 de outubro de 1930, quatro dias após a queda do presidente Washington Luís, partiu para Paris, onde se exilou e escreveu o livro Um grito de alerta no tumulto da revolução, denunciando o regime recém-implantado no Brasil.

Em março de 1931 regressou ao Rio de Janeiro e, por falta de outras opções, tornou-se corretor de imóveis, sem desistir, entretanto, de combater o governo revolucionário e de lutar pela reconstitucionalização do país. Com essa perspectiva viajou no dia 9 de julho do ano seguinte para São Paulo em companhia do general José Luís Pereira de Vasconcelos, novo comandante da 2ª Região Militar (2ª RM) naquele estado, para conversar com Júlio de Mesquita Filho, representante da Frente Única Paulista (FUP). Sua intenção era esclarecer que as recentes alterações feitas por Vargas nos comandos das regiões militares de Minas Gerais e de São Paulo indicavam o retorno do país às normas democráticas, o que devia afastar a possibilidade de sedições militares naquele momento. Contudo, ao desembarcar em São Paulo, a Revolução Constitucionalista já havia sido deflagrada. Ainda que estivesse em desacordo com essa decisão precipitada, Matos Pimenta permaneceu em São Paulo e engajou-se na luta. Sua atuação concentrou-se basicamente na imprensa, através da qual procurou demonstrar que a revolução paulista não tinha um caráter separatista, e sim de luta pela reconstitucionalização do país. Com esse objetivo tornou-se um dos organizadores do Rádio jornal, programa diário, irradiado por todas as emissoras de rádio da cidade de São Paulo e de Santos (SP), visando o esclarecimento da opinião pública nacional quanto à natureza e à finalidade da revolução paulista.

Com a derrota do movimento, Matos Pimenta foi preso e depois exilado. De volta ao Brasil em 1933, dedicou-se novamente à corretagem de imóveis, fundando em 1937 — ano em que foi implantado o Estado Novo — o Sindicato dos Corretores de Imóveis, do qual seria presidente desde sua fundação até 1946. Em 1938 fundou no Rio de Janeiro o Instituto de Estudos Brasileiros, participando no ano seguinte da criação da Bolsa de Imóveis da capital federal, da qual foi presidente de 1939 a 1946.

 

O Jornal de Debates

Com o processo de redemocratização do país que resultou na queda do Estado Novo em outubro de 1945, abrindo espaço para o confronto de opiniões políticas divergentes, Matos Pimenta fundou no Rio de Janeiro, em 28 de junho de 1946, o semanário Jornal de Debates, que se constituiu num dos principais órgãos da imprensa a defender abertamente a instituição do monopólio estatal do petróleo atuando como um veículo de mobilização da opinião pública. O Jornal de Debates caracterizou-se ainda por ser uma tribuna livre, aberta a “toda e qualquer idéia manifesta com proficiência sobre assuntos políticos, econômicos e sociais, não importando a cor política, a escola filosófica e o credo religioso dos autores”.

Engajado na Campanha do Petróleo a partir de 1948, Matos Pimenta passou a integrar a comissão diretora do Centro de Estudo e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), entidade que foi um dos principais animadores da campanha pelo monopólio estatal do petróleo. A partir de 1952, com o fechamento do Jornal de Debates, voltou a dedicar-se às atividades imobiliárias.

Fiel às suas tradições nacionalistas em 1975, durante o governo de Ernesto Geisel (1974-1979), Matos Pimenta pronunciou-se contra a criação dos contratos de risco para a exploração do petróleo brasileiro por firmas estrangeiras por considerá-la uma transgressão ao monopólio estatal do petróleo.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 18 de maio de 1979.

Era casado com Sílvia Fonseca Guimarães de Matos Pimenta, com quem teve uma filha.

Publicou Pelo Brasil (1928), Considerações sobre estabilização do mil-réis (1930), Um grito de alerta no tumulto da revolução (1931) e A epopéia paulista (2v., 1933).

Marieta de Morais Ferreira

 

 

FONTES: CARVALHO, E. Petróleo; COHN, G. Petróleo; Globo (20/2/78); HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INF. Lícia Valadares; Jornal do Brasil (8/10/75 e 19/5/79); Personalidades; PIMENTA, J. Epopéia; Veja (4/10/78).

 

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