JOAQUIM FALCAO MACEDO

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Nome: MACEDO, Joaquim
Nome Completo: JOAQUIM FALCAO MACEDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MACEDO, JOAQUIM

MACEDO, Joaquim

*dep. fed. AC 1967-1968 e 1971-1975; gov. AC 1979-1983.

 

Joaquim Falcão Macedo nasceu na vila de Plácido de Castro, município de Rio Branco, no dia 5 de fevereiro de 1927, filho de Diamantino Augusto Macedo e de Teodolina Medina Falcão Macedo. Originário de uma família de seringalistas, fixou-se mais tarde no município de Brasiléia (AC).

Formou-se técnico em contabilidade e técnico agrícola, tornando-se em seguida comerciante. Iniciou sua vida política em 1945, participando da fundação da União Democrática Nacional (UDN) no Acre e chegando a ser depois presidente regional do partido. De 1948 a 1951 exerceu a função de juiz de paz. Nomeado pelo presidente Jânio Quadros prefeito de Brasiléia em 1961, foi exonerado do cargo após a renúncia deste, no mês de agosto, retornando às suas atividades de seringalista.

Em 1962, depois que o presidente João Goulart sancionou a lei elevando o Acre à categoria de estado da Federação, foi convidado a ocupar a Secretaria de Estado Sem Pasta e a Secretaria de Viação e Obras no governo de Aníbal Miranda Ferreira da Silva (1962-1963). Ainda nesse ano foi nomeado diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e, nas eleições de outubro desse ano, elegeu-se primeiro suplente de deputado à Assembléia Constituinte do estado, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Com a posse em março de 1963 de José Augusto de Araújo, eleito governador no mesmo pleito na legenda do PTB, permaneceu à frente das duas secretarias.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), no mês seguinte, com a destituição do governador do estado, imposta à Assembléia Legislativa pelo capitão Edgar Pedreira de Cerqueira Filho, comandante da 4ª Companhia de Fronteiras do Acre, que a seguir assumiu o governo, Macedo permaneceria na chefia daquelas secretarias até julho de 1966, quando Cerqueira Filho seria substituído pelo presidente da Assembléia Legislativa, Augusto Hidalgo de Lima. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, de 27 outubro de 1965, e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar. No ano seguinte, deixou também a direção do Deracre.

Em novembro de 1966 concorreu a uma cadeira de deputado federal pelo Acre, na legenda da Arena, mas só conseguiu ficar como primeiro suplente. Assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados nos períodos de outubro de 1967 a julho de 1968 e de setembro a novembro deste útimo ano. Voltou a exercer de 1969 a 1971 as funções de secretário sem pasta, no governo de Jorge Kalume (1966-1971).

Em novembro de 1970, elegeu-se deputado federal pelo seu estado, na mesma legenda, assumindo seu mandato em fevereiro de 1971. Nessa legislatura tornou-se membro titular da Comissão de Valorização Econômica da Amazônia, da qual foi presidente, e da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas e suplente das comissões de Finanças e de Legislação Social.

Em 1974, chegou a ser indicado pelo governador Geraldo Mesquita (1975-1979), já eleito pela Assembléia Legislativa, para assumir a prefeitura de Rio Branco, mas teve seu nome vetado pelos deputados do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), majoritário no estado, sob a alegação de ser “homem de coração bom demais para varrer a corrupção reinante”, segundo o líder do MDB na Assembléia, Alberto Zaire. O fato, agravado pela posterior rejeição do nome do promotor público Adauto Brito da Frota para o mesmo cargo, provocaria a reação do governo federal, levando o presidente da República, general Ernesto Geisel (1974-1979), a decretar, em abril de 1975, intervenção no município, com base no Ato Institucional nº 5 (13/12/1968). Adauto Brito da Frota foi, então, nomeado interventor.

Ainda em novembro de 1974, Joaquim Macedo tentou se reeleger deputado federal na legenda da Arena, mas só conseguiu a primeira suplência. Permaneceu na Câmara Federal até o fim de janeiro do ano seguinte, quando se encerraram o seu mandato e a legislatura. Em junho de 1977, o decreto de intervenção em Rio Branco foi cancelado, tendo sido Adauto Frota designado prefeito do município. Em abril do ano seguinte, Joaquim Macedo foi escolhido pelo presidente Geisel candidato da Arena ao governo do estado. Dedicou-se, a partir daí, à pacificação de seu partido, levando-o a uma participação vitoriosa no pleito desse ano. Em setembro foi eleito governador pelo Colégio Eleitoral do estado, mesmo tendo a abstenção dos 13 deputados do MDB.

Em fevereiro de 1979, em audiência com o presidente Geisel, defendeu a anistia política, bem como a volta ao Brasil do ex-governador Leonel Brizola e a participação em atividades políticas de todos os punidos pelo governo revolucionário, com vista à normalização institucional do país. Ao tomar posse em 15 de março desse ano, data em que também teve início o governo do presidente João Batista Figueiredo (1979-1985), prometeu lutar por “uma melhor distribuição de renda”. Como arenista egresso da UDN, aproximou-se de políticos de destaque do novo governo, antigos correligionários seus, como Francelino Pereira, governador de Minas Gerais, e Aureliano Chaves, vice-presidente da República. Com a extinção do bipartidarismo em novembro desse mesmo ano e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena.

Em fevereiro de 1981, o Jornal do Brasil publicou matéria em que destacava o nepotismo no governo de Joaquim Macedo, no Acre. Segundo levantamento feito pelo matutino carioca, 20 altos postos da administração direta e indireta do estado eram ocupados por parentes do governador, sob a liderança do chefe do seu Gabinete Civil, seu cunhado Elias Mansour Simão Filho, ex-líder da União Nacional dos Estudantes (UNE) e único nome do Acre constante da relação de “comunistas” divulgada em 1977 pelo ex-ministro do Exército, general Sílvio Frota, como prova da infiltração esquerdista nos órgãos públicos.

Ainda em abril de 1981, com o crescimento das dificuldades de obter do governo federal as verbas das quais o governo estadual dependia quase que totalmente para implementar o seu programa de desenvolvimento do Acre, Joaquim Macedo chamou o ministro do Planejamento, Antônio Delfim Neto, de “insensível” em sua maneira de distribuir os recursos. No entanto, segundo o jornal O Estado de S. Paulo (15/4/1981), essas dificuldades não eram criadas apenas pelo ministro. “Ao nomear prefeitos do interior do estado (todos os municípios [eram] considerados áreas de segurança nacional) sem atender ao gosto de alguns integrantes do partido, e ao insistir num programa para o meio rural traçado pelo seu antecessor, Geraldo Mesquita, Macedo se indispôs com a ala do senador Jorge Kalume, que, em Brasília, estaria ‘boicotando’ seus apelos aos ministérios.”

Ainda nesse ano, o Jornal do Brasil noticiou que Macedo e vários outros governadores filiados ao PDS receberam críticas do partido por não estarem realizando uma boa administração, perdendo com isso prestígio nos gabinetes oficiais e enfrentando dificuldades para obter verbas extraordinárias. Em agosto de 1981, as dificuldades junto ao governo federal continuaram, o que levou Macedo a atentar para a necessidade de recursos para aplicação em programas de alcance social, tendo em vista as eleições de novembro de 1982. Nesse pleito, o candidato do seu partido ao governo do estado, Jorge Kalume, foi derrotado pelo candidato do PMDB, Nabor Teles Júnior. Permaneceu à frente do Executivo estadual até 15 de março de 1983, quando passou o governo ao seu sucessor peemedebista. Nesse mesmo ano passou a integrar o Conselho de Administração das Centrais Elétricas do Norte (Eletronorte) e o Conselho Diretor da Universidade Federal do Acre, nos quais permaneceu até 1989. Desde então, não voltou a concorrer a qualquer cargo eletivo, passando apenas a apoiar as atividades políticas de familiares.

Faleceu em Rio Branco no dia 28 de setembro de 2006, após ser atropelado por uma bicicleta.

Era casado com Elaís Mansour Macedo, com quem teve seis filhos. Seu cunhado Wildy Viana foi deputado federal pelo Acre de 1979 a 1987 e seus sobrinhos Jorge Viana e Tião Viana foram respectivamente governador do estado entre 1999 e 2006 e senador a partir de 1999.

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971 e 1971-1975); Estado de S. Paulo (22/2 e 5/4/81); Jornal do Brasil (21/4 e 2/9/78, 7/2, 16/3 e 1/12/79, 15/2, 19/4 e 12/8/81); NÉRI, S. 16; Perfil (1972); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6, 8 e 9); Veja (23/4/75 e 26/4/78). www.pagina20.com.br/.../p_0129092006.htm (acesso em 13/09/2009).

 

 

 

 

 

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