JORGE CORDEIRO LEITE

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Nome: LEITE, Jorge
Nome Completo: JORGE CORDEIRO LEITE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LEITE, JORGE

LEITE, Jorge

*dep. fed. RJ 1983-1991; const. 1987-1988.

Jorge Cordeiro Leite nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 5 de agosto de 1930, filho de Orlando Cordeiro Leite e de Silvina Correia Leite.

Viveu parte da infância na Escola 15 de Novembro, que pertencia ao sistema da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem), no subúrbio carioca de Quintino, onde seus pais trabalhavam. Motorista de caminhão e depois de ônibus, filiou-se ao Sindicato dos Motoristas do estado da Guanabara na década de 1950. Posteriomente, formou-se em direito pelas Faculdades Integradas Estácio de Sá.

No início dos anos 1960, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Com a edição do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), que entre outras medidas extinguiu os partidos políticos, e a posterior instauração do bipartidarismo, ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Um dos coordenadores da campanha vitoriosa de Francisco Negrão de Lima ao governo da Guanabara em outubro de 1965, foi subchefe do Gabinete Civil do governo do estado entre 1966 e 1969.

 Elegeu-se deputado estadual pela primeira vez, na legenda do MDB, em novembro de 1970, assumindo uma cadeira na Assembléia Legislativa do estado da Guanabara em fevereiro de 1971. Nesse mandato foi vice-presidente da Comissão de Economia (1971-1972) e presidente da Comissão de Emendas Constitucionais Complementares e Vetos (1973-1974). Reeleito em novembro de 1974, já pelo novo estado do Rio de Janeiro, resultado da fusão do estado da Guanabara com o antigo estado do Rio, foi presidente da Comissão de Justiça (1977-1978). Importante articulador político de Antônio de Pádua Chagas Freitas — governador da Guanabara entre 1970 e 1975 e do Rio de Janeiro entre 1979 e 1983 —, elegeu-se mais uma vez deputado estadual em novembro de 1978, sendo empossado em fevereiro do ano seguinte.

Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979, ingressou, juntamente com os demais integrantes da corrente chaguista do MDB, no Partido Popular (PP). Em fevereiro de 1982, com a incorporação do PP ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), legenda sucessora do MDB, passou a fazer parte desta agremiação. No seu terceiro mandato, foi líder da maioria e do governo entre 1979 e 1980 e presidente da Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro entre 1981 e 1983.

Em novembro de 1982 concorreu na legenda do PMDB a uma vaga na Câmara Federal, sendo o deputado mais votado do partido, tendo recebido cerca de 108 mil votos, 72% destes oriundos da cidade do Rio. A expressiva votação, aliada ao vácuo político deixado no PMDB do Rio em razão do rompimento de Miro Teixeira com Chagas Freitas, criou condições para Leite articular alianças internas visando a ampliação de sua influência no partido. Empossado em fevereiro de 1983, participou das discussões que envolveram a transição democrática, uma das tônicas dessa legislatura, e tornou-se vice-presidente da Comissão do Serviço Público e suplente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Em 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal — a sucessão presidencial foi decidida no Colégio Eleitoral reunido a 15 de janeiro de 1985. Na ocasião, Leite votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito presidente da República pela Aliança Democrática, coligação do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Gravemente enfermo, Tancredo não chegou a tomar posse, vindo a falecer em 21 de abril seguinte. Foi substituído na presidência por seu vice José Sarney, que vinha exercendo a função interinamente desde o dia 15 de março.

Em meados de 1985, Jorge Leite foi escolhido candidato do PMDB ao cargo de prefeito da cidade do Rio de Janeiro, vencendo a disputa com Artur da Távola. Com a confirmação de seu nome, o PMDB carioca dividiu-se. Boa parte da cúpula de intelectuais do partido havia condicionado o respaldo a Leite ao apoio de Ulisses Guimarães, líder nacional do PMDB, à sua candidatura, o que não se efetivou. Abandonada por setores expressivos do partido, sua candidatura redundou num grande fracasso eleitoral, pois parcela significativa do eleitorado peemedebista migrou para a candidatura do advogado Marcelo Cerqueira, lançada por uma frente de esquerda. Realizado em novembro daquele ano, o pleito foi vencido pelo candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Roberto Saturnino Braga.

Em novembro de 1986, Leite reelegeu-se deputado federal, garantindo sua participação na Assembléia Nacional Constituinte. Assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte, tornando-se membro da Subcomissão do Poder Executivo, da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo, e suplente da Subcomissão de Princípios Gerais, Intervenção do Estado, Regime da Propriedade do Subsolo e da Atividade Econômica, da Comissão da Ordem Econômica.

Novamente pré-candidato à prefeitura do Rio na legenda do PMDB, em julho de 1988 Leite retirou sua candidatura, alegando divergências com os critérios adotados para a realização da prévia do partido. Escolhido o nome de José Colagrossi, este seria no entanto derrotado em novembro seguinte pelo candidato do PDT, Marcelo Alencar.

Nas principais votações da Constituinte, Jorge Leite votou favoravelmente à manutenção do sistema presidencialista, ao mandato de cinco anos para o presidente José Sarney, à proibição do comércio do sangue, à anistia aos micro e pequenos empresários e à legalização do jogo do bicho. Votou contra a pena de morte, o rompimento de relações diplomáticas com países de orientação racista, a limitação do direito de propriedade privada, o mandado de segurança coletivo, a jornada semanal de 40 horas, o turno ininterrupto de seis horas e a estabilidade no emprego. Com a promulgação da nova Constituição em 5 de outubro de 1988, continuou no exercício de seu mandato regular como deputado federal.

Em outubro de 1990 candidatou-se a deputado estadual no Rio de Janeiro na legenda do PMDB, mas, por apenas 49 votos, não conseguiu se eleger. Deixou a Câmara Federal em janeiro seguinte, quando terminou seu mandato. Em decorrência da anulação de alguns votos do candidato peemedebista José Augusto Guimarães, acusado de fraude pela Justiça Federal, assumiu, em fevereiro de 1991, uma cadeira na Assembléia Legislativa.

Retornando ao PTB, no ano seguinte Leite foi indicado para compor como vice de João Mendes a chapa do partido à eleição para a prefeitura do Rio. Em julho de 1992, porém, renunciou à candidatura e afastou-se da campanha eleitoral, sendo substituído por Diofrido Frota na chapa petebista. Em novembro seguinte, habilitado para disputar o segundo turno com a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Benedita da Silva, César Maia, do PMDB, elegeu-se prefeito do Rio de Janeiro.

Em junho de 1993, Jorge Leite assumiu a Secretaria de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia do estado do Rio de Janeiro, no segundo governo de Leonel Brizola, cargo que ocupou até 31 de dezembro de 1994.

Em outubro de 1996, filiado ao Partido da Frente Liberal (PFL), Jorge Leite foi eleito vereador no Rio de Janeiro, assumindo sua cadeira em janeiro do ano seguinte.

Ainda tentou se eleger vereador por duas vezes, em 2000 e 2004, ambas pelo PFL, mas não obteve sucesso em nenhuma dos intentos.

Casou-se com Rute Roseiro Leite, com quem teve dois filhos. Sua filha Mônica Leite foi candidata a deputada estadual na legenda do PFL carioca em outubro de 1998, mas não conseguiu se eleger.

Teresa Cristina Marques/Luís Otávio de Sousa

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Correio Brasiliense (19/1/87); Folha de S. Paulo (19/1/87); Globo (5/7/83, 11 e 29/6, 21/7, 17/9, 15 e 17/11/85, 4/8/86, 7/7/88, 22/1/91); INF. SEC. DES. ECON. RJ; Jornal do Brasil (7/5 e 1/7/83, 3 e 18/7 e 17/11/85, 21/7/92).

 

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