JOSE DE SOUSA NOBRE

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Nome: PADRE NOBRE
Nome Completo: JOSE DE SOUSA NOBRE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

PADRE NOBRE

* religioso; dep. fed. MG 1961-1979.

 

José de Sousa Nobre nasceu em Caetité (BA) no dia 27 de maio de 1918, filho do alfaiate Antônio Nobre e de Deolinda de Sousa Nobre.

Transferindo-se para Minas Gerais, cursou o secundário no Ginásio Diocesano de Uberaba (MG) e formou-se em filosofia e em teologia no Seminário Maior de Belo Horizonte, onde se ordenou padre em dezembro de 1940. Como vigário, atuou nas paróquias mineiras de Pequi, São Gonçalo do Pará e Nossa Senhora das Dores da Floresta, esta localizada na capital. Assistente-geral da Ação Católica Arquidiocesana entre 1946 e 1948, foi também assessor do arcebispo de Belo Horizonte, dom Antônio Santos Cabral. Em 1950, tornou-se especialista em direito canônico pela Universidade Gregoriana de Roma. Em 1955, foi nomeado pelo governador Juscelino Kubitschek (1951-1955) capelão do Instituto São Rafael, instituição para cegos, em Belo Horizonte.

Iniciou sua carreira política obtendo uma suplência de deputado federal por Minas Gerais pela legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no pleito de outubro de 1958. Exerceu o mandato de maio de 1961 a março de 1962 e novamente a partir de maio deste ano, tendo sido membro efetivo da Comissão de Serviço Público da Câmara. Elegeu-se deputado federal em novembro de 1962, concorrendo pela coligação formada pelo PTB, o Partido Social Progressista (PSP) e o Partido Libertador (PL). Tomando posse no início de 1963, bacharelou-se, no ano seguinte, pela Faculdade de Direito Cândido Mendes, no então estado da Guanabara, e, durante a legislatura, foi vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura.

Com a extinção dos partidos políticos determinada pelo Ato Institucional no 2 (AI-2), baixado em 27 de outubro de 1965, e a posterior criação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), agremiação de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964.

Em outubro de 1966, fundou no município de Cançaré (MG), juntamente com outros parlamentares oposicionistas mineiros, a Frente Radical Democrática (FRD), com o objetivo de conseguir uma anistia geral, o restabelecimento das liberdades democráticas e a realização das eleições diretas.

Reelegendo-se em novembro de 1966 pela legenda do MDB, representou a Câmara dos Deputados no Congresso Eucarístico Internacional de Bogotá, na Colômbia, em 1968, e no II Congresso de Cultura Portuguesa em Moçambique, então colônia de Portugal. Nesta legislatura, foi reconduzido à vice-presidência da Comissão de Educação e Cultura, tendo exercido também a segunda vice-presidência da Câmara.

Reeleito em novembro de 1970, ainda pela legenda do MDB, em maio do ano seguinte tornou-se vice-líder de seu partido na Câmara. Nesta legislatura, foi membro da Comissão Mista de Orçamento no Congresso Nacional e da comissão especial da Câmara para a integração dos povos de língua portuguesa, além de participar das comissões de Educação e Cultura e de Relações Exteriores. Novamente reeleito em novembro de 1974, concluiu seu mandato em janeiro de 1979, não mais retornando à Câmara. Nesta última legislatura, fora mais uma vez escolhido vice-líder do MDB e participara da Comissão Mista de Orçamento.

Em 1980, durante o governo de Francelino Pereira (1979-1983), tornou-se assessor especial do governador para assuntos da Grande Belo Horizonte. Em agosto de 1982, teve seu nome lançado para a suplência de José de Magalhães Pinto na candidatura ao Senado, em convenção do Partido Democrático Social (PDS), agremiação governista criada após a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e na qual havia ingressado. Entretanto, derrotado em seu intento de ser o cabeça de chapa do partido, Magalhães Pinto retirou sua candidatura. No início de 1983, deixou o cargo de assessor especial para ocupar, indicado ainda pelo governador Francelino Pereira,  o de assessor técnico consultivo. Permaneceu no exercício deste cargo até 1988, já no governo de Newton Cardoso (1987-1991), quando se aposentou. Em 1992, foi nomeado juiz do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Belo Horizonte, e em 1998 juiz do Tribunal Eclesiástico Regional e de Apelação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  funções que desempenhava em dezembro de 1999.

Padre Nobre foi também jornalista e educador, tendo lecionado retórica e ação católica no Seminário de Belo Horizonte, além de direito canônico na Faculdade Mineira de Direito. Foi ainda catedrático de direito romano da Universidade de Itaúna (MG), reitor e vice-reitor da Universidade Católica de Minas Gerais e fundador e diretor do Ginásio e Escola de Comércio de Itaúna.

Além da colaboração em vários órgãos de imprensa, publicou, entre outros,  Comece o dia feliz (1985), Riquezas do espírito (1989), Jesus Cristo, sua pátria, sua vida (1991), Maria , virgem-mãe (1998),  Jesus Cristo, seus mistérios e realidades (no prelo) e O Brasil em duas décadas (1960-1980) (no prelo).

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros.  Repertório (1963-1967, 1967-1971, 1975-1979 e 1979-1983); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; Globo (20/6/82); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (6/10/66), NÉRI, S. 16; Perfil (1972); Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4, 6, 8 e 9).

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