JOSE GUIOMARD DOS SANTOS

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Nome: GUIOMARD, José
Nome Completo: JOSE GUIOMARD DOS SANTOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GUIOMARD, JOSÉ

GUIOMARD, José

*militar; gov. AC 1946-1950; dep. fed. AC 1951-1963; sen. AC 1963-1983.

 

José Guiomard dos Santos nasceu em Perdigão (MG) no dia 23 de março de 1906, filho de José Batista dos Santos e de Bárbara Guiomard.

Depois de fazer seus estudos no Colégio Militar de Barbacena (MG), sentou praça em março de 1925 na Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, saindo aspirante-a-oficial da arma de infantaria em janeiro de 1928. Promovido sucessivamente a segundo-tenente em agosto de 1928 e a primeiro-tenente no mesmo mês de 1930, participou desde 1931 até 1934 da comissão mista encarregada da demarcação dos limites do Brasil com a Colômbia, presidida do lado brasileiro pelo coronel Renato Rodrigues Pereira. Nessa oportunidade escreveu um roteiro de sua viagem pela zona agreste do rio Papuri (AM).

Chegando a capitão em agosto de 1934, permaneceu à disposição do Ministério das Relações Exteriores até 1938, integrando as comissões de demarcação de fronteiras do Brasil com o Paraguai e com o Uruguai. Nessa época, por intermédio de seu amigo, o intelectual e jurista Francisco San Tiago Dantas, aproximou-se da Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de cunho fascista fundada em 1932 por Plínio Salgado, chegando a pertencer à Câmara dos Quatrocentos, órgão dirigente da AIB, que foi extinta após a decretação do Estado Novo (1937-1945).

Recebendo a patente de major em junho de 1943, concluiu no ano seguinte o curso de engenharia geodésica e topografia da Escola Técnica do Exército, no Rio de Janeiro. No final do Estado Novo foi nomeado governador do território de Ponta Porã, atualmente integrado ao estado de Mato Grosso do Sul. Em fevereiro de 1946 foi nomeado governador do Acre pelo presidente da República, Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), em substituição a Luís Alberto Gomes Coelho. Promovido a tenente-coronel em dezembro de 1949, deixou o governo do território do Acre em junho do ano seguinte, desincompatibilizando-se do cargo para concorrer à Câmara Federal nas eleições de outubro do mesmo ano. Foi substituído por Raimundo Pinheiro Filho.

Eleito deputado federal pelo Acre, na legenda do Partido Social Democrático (PSD), assumiu seu mandato em fevereiro de 1951. Após ter chegado ao posto de coronel em janeiro de 1954, reelegeu-se deputado federal, na legenda do PSD, em outubro do mesmo ano. Nessa legislatura apresentou em 1957, após ter passado para a reserva do Exército como general-de-brigada, um projeto de lei propondo a elevação do território do Acre à categoria de estado, sob a alegação de que o mesmo já havia alcançado a arrecadação do estado do Piauí, o de menor renda no país.

Em outubro de 1958, sempre na legenda do PSD, tornou a eleger-se deputado federal, tendo sido, nesse período legislativo, membro das comissões de Orçamento e de Valorização da Amazônia e vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional. Em junho de 1959 foi eleito vice-líder de seu partido na Câmara. Em junho de 1962 o território do Acre passou a estado pela Lei nº 4.069 sancionada pelo presidente da República, João Goulart, com base no projeto apresentado por José Guiomard.

Em outubro desse ano elegeu-se senador pelo novo estado, ainda na legenda do PSD, assumindo sua cadeira em fevereiro do ano seguinte, após o término de seu mandato na Câmara em janeiro de 1963. Vice-líder da maioria no Senado em 1964, após o movimento político-militar de março desse mesmo ano, que depôs o presidente João Goulart, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, de outubro de 1965, e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao governo. Nessa legislatura foi presidente da Comissão de Valorização da Amazônia, vice-presidente das comissões de Segurança Nacional e de Serviço Público Civil, membro das comissões de Legislação Social, de Assuntos Regionais, de Transportes, e suplente das comissões de Finanças, de Relações Exteriores, de Minas e Energia, de Redação, de Ajuste Internacional, de Legislação sobre Energia Atômica, dos Estados para Alienação e Concessão de Terras Públicas e Povoamento e de Projetos do Executivo.

Já na legenda da Arena, reelegeu-se em novembro de 1970 senador pelo Acre, atuando nessa legislatura, como vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e membro das comissões de Valorização da Amazônia, de Transportes, Comunicações e Obras Públicas e de Assuntos Regionais. Em 1978, já com a saúde combalida por dois enfartes, preferiu candidatar-se ao Senado pela via indireta, estabelecida no ano anterior pelo presidente da República general Ernesto Geisel, tendo sido eleito em setembro de 1978 pelo colégio eleitoral de seu estado. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), de apoio ao governo.

Ao longo de sua vida, além de formado em engenharia pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, foi membro da Sociedade de Geografia, no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas e da Academia Acreana de Letras.

Dirigiu o jornal O Estado em Rio Branco e colaborou na revista Via Leucis do Colégio Militar de Barbacena, na revista da Escola Militar do Realengo e no jornal Correio Brasiliense de Brasília.

Faleceu em pleno exercício do mandato, na cidade do Rio de Janeiro, no dia 14 de março de 1983.

Foi casado com Lídia Hannes Guiomard dos Santos.

Publicou Mensagem do Acre (1953), Cinqüentenário do Estado de Petrópolis e Territórios federais: grandezas e misérias.

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CISNEIROS, A. Parlamentares; COUTINHO, A. Brasil; FRANCO, A. Estadista; Jornal do Brasil (1/9/78 e 15/3/83); MIN. GUERRA. Almanaque (1934 e 1947); Moderna encic. geog. e hist.; Perfil (1972 e 1980); SENADO. Dados; SENADO. Dados biográficos (8); SENADO. Relação dos líderes; SILVA, H. 1938.

 

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