José Luiz Lopes da Silva

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Nome: SILVA, José Luiz Lopes da
Nome Completo: José Luiz Lopes da Silva

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

SILVA, José Luiz Lopes da

*Militar, Comte. Mil. Leste 1997-1999, min. STM 1999-2004

 

José Luiz Lopes da Silva nasceu em Ponta Porã (MS) no dia 03 de outubro de 1934, filho de Oscar Lopes da Silva e Olga Avelar Lopes da Silva.

Cursou o estudo secundário no Colégio Militar do Rio de Janeiro a partir de 1951. Ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em 1953. Foi declarado aspirante-a-oficial da arma de cavalaria, ao concluir o curso, em 1955. Ao final desse ano, foi promovido a segundo-tenente e designado para o Regimento Escola de Cavalaria, tendo sido transferido, dois anos depois para o Regimento sediado em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, então na condição de primeiro tenente.

Como capitão, realizou o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais – EsAO-, em 1965, que lhe permitiria o acesso ao posto de oficial superior. Veio a alcançar o posto de major em 1968 e, quatro anos depois, realizou o curso de Altos Estudos Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), tendo sido promovido a coronel, por merecimento, em 1980. Nesse período, como oficial superior, realizou o curso de Estado-Maior e Comando das Forças Armadas pela Escola Superior de Guerra (ESG). Completou, nos Estados Unidos, o curso avançado de blindados; e, nesse mesmo país, o curso de Política Exterior, organizado pela Universidade de Kentucky. Em Londres, na Inglaterra, concluiu ainda curso de Estudos Estratégicos de Defesa. Nesse período exerceu diversas funções, são elas: instrutor da EsAO e da ECEME.

Alcançou o generalato em 1987, quando foi promovido a general de brigada. Nesse momento, passou a comandar a 1ª Brigada de Infantaria Motorizada e, como tal, foi um dos comandantes da operação de invasão à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), na cidade de Volta Redonda (RJ), em 1988. Na ocasião, metalúrgicos promoviam uma greve reivindicando questões salariais e trabalhistas e, devido ao insucesso nas negociações, decidiram pela ocupação do interior da CSN. Acompanhadas da Polícia Militar, as tropas do Exército então invadiram a indústria, em operação na qual três grevistas foram mortos a tiros, além de outros tantos feridos, com grande repercussão negativa.

Em 1989, veio a ser designado como chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, tendo recebido a promoção para general de divisão em 1992. Alcançou o posto mais alto da carreira, general de Exército, em 1997, quando assumiu o Comando Militar do Leste. Nessa função, teria permitido que tropas do Exército entrassem em comunidades cariocas sem autorização judicial e, encapuzados, junto a policiais militares, invadissem casas de moradores a procura de fuzis roubados dos quartéis.

Dois anos depois, foi nomeado ministro do Superior Tribunal Militar (STM), pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em decreto publicado em 28 de Outubro de 1999. A submissão de seu nome para aprovação do Senado ocasionou diversas críticas, em função de sua responsabilidade no caso da invasão da CSN, onze anos antes. Quando da indicação, o secretário-geral do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Omar Klich, declarou que tal fato constituiria “um desrespeito aos familiares dos metalúrgicos mortos e à categoria”, e que “nomear esse general para o tribunal é premiar uma pessoa com um passado criminoso”.

Como ministro do STM, atuou na comissão que discutiu e revisou o regimento interno e participou de diversos encontros e simpósios. Aposentou-se, por limite de idade, a partir de 04 de outubro de 2004.

Em 2014 assinou, junto a 26 generais, o Manifesto à Nação Brasileira, documento elaborado em resposta às declarações do ministro da Defesa, Celso Amorim. O ministro afirmou à Comissão Nacional da Verdade que as Forças Armadas não têm condições de negar as graves violações aos direitos humanos que cometeram durante o período da ditadura militar instaurada a partir do golpe de 1964. No documento, os generais afirmam que abominam “peremptoriamente a recente declaração do senhor ministro da Defesa à Comissão Nacional da Verdade de que as Forças Armadas aprovaram e praticaram atos que violaram Direitos Humanos no período militar” e ainda que “temos orgulho do passado e do presente de nossas Forças Armadas. Se houver pedido de desculpas, será por parte do ministro. Do Exército de Caxias não virão! Nós sempre externaremos a nossa convicção de que salvamos o Brasil”.

Por sua trajetória e atuação profissional, recebeu diversas homenagens e condecorações, entre as quais a medalha do Pacificador, a Ordem do Mérito das Forças Armadas, e a medalha Militar e Passador de Platina, por cinquenta anos de serviços prestados.

Publicou Uma visão brasileira da Guerra das Malvinas pelo Royal College of Defence Studies.

 

Angélica do Carmo Coitinho

 

FONTES: SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR. Diretoria de Documentação e Divulgação (Org.). Coletânea de Informações: José Luiz Lopes da Silva. Brasília: DIDOC, Museu, 2007; Correio da Manhã (31/09/1955; 13/01/1955; 18/07/1957); Jornal do Brasil (26/06/1997; 08/10/1999); Folha de São Paulo (26/09/2014); Senado Federal, mensagem nº 173, de 1999.

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