JOSE MARIA DE ARAGAO MELO

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Nome: ARAGÃO, José Maria de
Nome Completo: JOSE MARIA DE ARAGAO MELO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ARAGÃO, José Maria de

*pres. BNH 1985-1986.

 

José Maria de Aragão Melo nasceu em Vitória de Santo Antão (PE) no dia 9 de setembro de 1933, filho de José de Aragão Bezerra Cavalcanti e Maria de Aragão Melo. Seu pai foi prefeito do município entre 1942 e 1944.

Ingressou na administração pública em 1952, quando começou a trabalhar no Banco do Brasil. Em 1957, formou-se em direito na Universidade Federal de Pernambuco e em economia na Universidade Católica de Pernambuco. Em 1959, cursou pós-graduação em desenvolvimento econômico na Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) e se doutorou em direito pela Universidade Federal de Pernambuco. No mesmo ano, transferiu-se de Pernambuco para o Rio de Janeiro, trabalhando na direção geral do Banco do Brasil e integrando a equipe fundadora da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), dirigida pelo economista Celso Furtado. Nesse órgão, desempenhou as funções de assessor do superintendente para análise de projetos industriais, chefe do grupo de comércio exterior, diretor do escritório do Rio e coordenador dos projetos internacionais, diretor da assessoria técnica em Recife, além de outras.

Entre os anos de 1960 e 1961, tornou-se membro suplente do Conselho de Política Aduaneira. Em agosto de 1961, foi assessor da delegação brasileira à Conferência Extraordinária do Conselho Interamericano Econômico e Social, realizada no Uruguai, onde foi lançado o programa Aliança para o Progresso. Em 1962, integrou, em Washington, a equipe mista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Sudene para elaborar pareceres sobre projetos apresentados pelo governo brasileiro a esse banco. No ano seguinte, concluiu o doctorat de l’Université na seção de economia do desenvolvimento da Universidade de Paris. Foi exonerado da Sudene em abril de 1964, acompanhando o superintendente Celso Furtado, afastado pelo governo militar recém-instalado.

Entre janeiro de 1965 e março de 1971, integrou-se ao BID, ocupando os cargos de programador-geral e chefe adjunto da missão de integração fronteiriça Colômbia-Equador e, posteriormente, o de chefe da unidade de pesquisa e treinamento e vice-diretor do Instituto para a Integração da América Latina. Durante esse período, dirigiu e proferiu vários cursos e conferências em El Salvador e, principalmente, na Argentina sobre o tema integração econômica regional e industrial dos países da América Latina. No ano de 1972, tornou-se consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) para o comércio e desenvolvimento e integrou a diretoria do Banco Campina Grande de Investimentos, no Rio de Janeiro.

Atuou na área de habitação, integrando-se ao Banco Nacional da Habitação (BNH) em janeiro de 1973, coordenando o Plano Nacional de Habitação Popular até março de 1979. Tornou-se, então, o coordenador de programas da área de poupança e empréstimos. Ainda em 1979, prestou consultoria para a CEPAL. Em dezembro de 1982, demitiu-se do cargo de coordenador por solidariedade ao diretor da Carteira de Poupança e Empréstimo do BNH, Lício de Faria, de quem era assessor especial e que defendera a intervenção imediata na empresa Delfin Crédito Imobiliário. A direção do banco, contudo, protelou a intervenção e aceitou receber terrenos de propriedade da empresa como forma de pagamento das suas dívidas.

Ainda no ano de 1982 e nos dois anos seguintes, Aragão desempenhou função de consultor do BID. Nesse período, em 1983, abriu escritório de consultoria econômica no Rio de Janeiro. Com a eleição de Tancredo Neves para a presidência da República, foi indicado pelo governador de Pernambuco, Roberto Magalhães, para ocupar a presidência do BNH. Tomou posse no cargo em março de 1985, sucedendo Nélson da Mata. Assumiu o banco numa situação de crise do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Na sua administração, os principais problemas encontrados foram o alto índice de inadimplência, a difícil adequação entre o reajuste das prestações e a política salarial do governo, as dificuldades enfrentadas por agentes financeiros e a falta de planejamento integral para a política habitacional. Durante esse período, ocupou também a presidência do Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e foi membro titular do Conselho Monetário Nacional.

Presidiu o BNH até a sua extinção, pelo Decreto-Lei nº 2.291, de 21 de novembro de 1986. As atribuições do banco foram confiadas à Caixa Econômica Federal. No ano seguinte, deixou o cargo — que ocupara por dois anos — de diretor do Banco Interamericano de Poupança e Empréstimos, com sede em Caracas. A partir de então, passou a se dedicar a seu escritório de consultoria. Atuou como consultor econômico para diversas pessoas e instituições nacionais e internacionais, tais como o BID, em 1988 e entre 1990 e 1993, a Associação Latino-Americana de Integração, em 1989, e a ONU, no Programa Hábitat, em 1990 e 1991.

Em 2008, participou do debate no Conselho Federal de Economia, sobre os antecedentes e primórdios da SUDENE, no seminário "O Pensamento de Celso Furtado e o Nordeste Hoje".

Ao longo de sua carreira, dedicou-se ao tema da integração regional, proferindo conferências em diversos países e produzindo trabalhos em espanhol, inglês e francês. Entre outros títulos, publicou Relaciones internacionales, integración y subdesarrollo (1967), O Brasil e a integração econômica da América Latina (separata do Boletín de la Integración, março 1969), The financial management of government housing projects: the Brazilian experience (1974), A Harmonização de políticas Macroeconômicas no MERCOSUL: a construção de um mercado comum (1993), La esencialidad de una política de competencia para el exito de los objetivos del Mercosur (1995), Sistema Financeiro de Habitação: uma análise sociojurídica da gênese, desenvolvimento e crise do sistema (2002).

Gustavo Lopes

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Globo (9, 19 e 21/3, 7/4/85); Jornal do Brasil (17/1/83, 25/11/86); Veja (26/3 e 11/6/86); COFECON (13/10/08).

 

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